Quando a vossa liberdade impede a minha estupidez:

Existirem blogs cuja aprovação de comentários fiquem ao critério dos seus autores é sempre um mau principio de conversa.
Não é bonito limitar a liberdade dos outros. Por mais estúpido ou ofensivo que um comentário seja, se-lo-á de modo publico ou privado. Ficar à mercê de uma aprovação é so por si partir em desvantagem ou então uma incapacidade de lidar com opiniões diferentes.

Não há ca heróis:

Aceito o reconhecimento e os agradecimentos mas sempre que se elevam os bombeiros (de verão) a heróis estão a dizer nas entrelinhas que a solidariedade e a entreajuda não são qualidades à disposição de todos.
É preciso ser muito pequeno para achar a normalidade extraordinária.

Os bombeiros voluntários não são coitadinhos:

Não tenham pena dos bombeiros, especialmente os voluntários. Alistam-se de livre vontade, como uma atividade extra-curricular ou um passatempo. Entram porque acham que gostam, ficam porque ganham gosto e desistem quando querem. Não tenham pena, não falem em dinheiro e não comparem preços. Não se incomodem em reconhecer qualquer ato de heroísmo nem se preocupem com a familia que deixam para trás. Não saturem as redes sociais nem aborreçam o Marcelo a pedir condecorações. Perguntarem porque é que os politicos não vão para o terreno ou os militares não ajudam mais é por em causa a formação de homens e mulheres que durante todo o ano aprendem a ser melhores. Sobretudo, não tenham pena porque não é tristeza fazer o que se gosta. Não misturem altruísmo com prazer e sacrifício com satisfação. Não façam contas às horas que dormem porque qualquer um deles pode ir para casa. Acabem com a hipocrisia romântica de que alguem arrisca a vida pelos outros porque isso é so uma consequência de fazer-se o que se gosta.
Nao tenham pena dos bombeiros voluntários, não os vitimizem porque ir para o quartel está ao mesmo nível de ir ao treino de futebol ou para as aulas de piano. Ninguém é mais herói por fazer o que gosta e cada um escolhe como ocupar o tempo. Gostamos de ser bombeiros e, por coincidência, isso até é porreiro para os outros. Mas se não fosse, gostávamos igualmente de ser bombeiros, tal e qual como qualquer jogador de futebol.

Isto anda tudo doido:

O mundo está ao contrario. Pessoas matam-se e morrem. A distancia do horizonte muda conforme quem o olha.  Há quem acredite na justiça popular e goste de fazer esperas porque a retaliação é bem-vinda e a reciprocidade do crime é aplaudida. Há quem diga que é homem sem saber o que é a humanidade. O mundo está ao contrário. Pessoas que ameaçam outras pessoas por dizerem mal de Trás-os-Montes mas que assistem à guerra confortavelmente pela televisão. O mundo está ao contrário, não e possível que uma taróloga ganhe mais protagonismo do que o barulho que ouvimos  à noite na porta ao lado. Há quem adore tanto a liberdade e a democracia que as queira guardar so para si e, por isso, vive num regime do tamanho do seu metro quadrado. O mundo está ao contrario, gente que ofende por ter sido ofendida. Pessoas que correm a Europa para ver futebol e que acabam à pancada. Pessoas que se chocam com o sexo transmitido em reality shows mas que não se escandalizam com os tiros que se dão contra o amor num bar gay. A minha tia é que tem razão "isto anda tudo doido". 

Sobre partidas (texto nao aconselhável a quem ainda não foi):

Quando partimos, não deixamos o nosso país; renunciamos a todas as coisas que damos como garantidas. Não nutro qualquer ideia romântica ou patriótica pela imagem de fazer as malas e abalar. Vamos quando temos de ir. Vamos se tivermos de ir. Às vezes vamos sem sabermos se devemos ir mas há quem vá. Há quem chegue com o coração mais ou menos cheio mas assim que pousamos as malas, começamos a fazer casa noutro lugar. Quando vamos, nunca sabemos bem para onde vamos, mas na nossa ingenuidade gostamos de acreditar que sim, que em caso de emergencia, podemos regressar ao ponto de partida e começar outra vez.
Quando partimos, nao deixamos o nosso país; abandonamos as pessoas, deixamos de percorrer os caminhos de todos os dias e desaparecemos da vista de quem gosta de nos.
Vamos querer manter o contacto. Dizemos isso em voz alta, aos nossos amigos para parecer mais verdade e mais possível. Eles dizem-nos que vamos manter o contacto. Porque agora o mundo é tecnológico e estamos todos à distancia de um clique. Não é assim. Eventualmente, acabamos por perder para a distancia. Vamos voltar ao ponto de partida de ferias, uma, duas, talvez três vezes. Vamos querer ficar quando temos de partir. Naturalmente, as vidas que estão do outro lado continuam e a nossa também. O mundo continua a ser tecnológico mas já não vai dar para ir ao Skype a qualquer hora e as mensagens vão demorar mais tempo a ser respondidas. De repente, começamos a saber das noticias com atraso mas nem vamos reparar porque as pessoas são ocupadas e entretanto também construimos uma vida no sitio onde estamos. Temos outros amigos e sabemos de outras novidades. Vamos voltar ao ponto de partida pela quarta vez. Os nossos amigos vão ter menos tempo e nós começamos a ouvir que estamos diferentes. Vamos negar, obviamente. Vão dizer-nos que falamos de outra forma e já não vamos entender todas as piadas durante os jantares. Mas estamos no nosso pais, de ferias e, por isso, queremos aproveitar, ate ao regresso que vai sendo cada vez menos doloroso.
Pensamos que decisão de ir é a que dói mais e, durante os primeiros tempos, é. Depois, o mundo muda e doloroso mesmo é retornar ao sitio que davamos como garantido. Porque as caras são as mesmas mas os sorrisos são diferentes. A voz continua igual mas o que se diz tem outra densidade. Falamos a mesma lingua mas já não dizemos as mesmas coisas. Porque descobrimos que as pessoas que conhecemos podem voltar a ser estranhas. E, sem darmos por isso, ja somos estrangeiros no nosso país mas sem nunca pertencer realmente a lado nenhum. Partir não custa nada, o mais difícil é levar as pessoas connosco. Não perder ninguém pelo caminho. Quando partimos, vamos sozinhos. Quando regressamos, estamos mais sozinhos ainda. Entre partidas e regressos, na subtracção das perdas e das conquistas, nos entretanto do dia-a-dia, descobrimos que construimos uma casa dentro de nos e podemos existir em qualquer lugar. Aprendemos que as vidas são iguais em todo o lado, que o transito é caótico em hora de ponta e que acabamos todos por partilhar o mesmo por-do-sol. Encontramos formas de nos reinventar e percebemos que não ha mal nenhum em saber viver sozinho.

Vou espalhar o boato:

Partimos de pressupostos. Assumimos o que não conseguimos ver. Guardamos todas as assunções. Vivemos em função de palpites. Assistimos a uma corrida mas só nos importamos com o fim, quem chega primeiro à meta. Nunca nos importamos como começou e quem ficou pelo caminho. Suspeitamos que sim, ouvimos dizer que sim porque nos disseram que sim. Conjeturamos a vida alheia e aceitamos esta presunção de sermos sempre um bocadinho melhores, de estarmos sempre um bocadinho mais à frente, mais perto da meta. Equacionamos os comportamentos dos outros com base nos nossos preconceitos. Admitimos uma verdade que é só nossa, que alguém nos contou. Imputamos responsabilidades e declaramos guerra, sempre adoramos lutar contra alguém que já vem cansado de outros combates. Olhamos de cima, rimos e anunciamos no facebook que ganhámos. Esquecemos o principio, condenamos o meio e esperamos o regozijo do fim. Suspeito que sim, ouvi dizer que sim, disseram-me que sim, que a vulnerabilidade se mostra em todas as investidas obsessivas que a nossa fragilidade não consegue aguentar por aqueles que têm de ganhar a qualquer preço. Diz que sim por isso, eu nunca duvidei. 

E se a vida parasse de importar?

Tenho anos de histórias para contar ao teu lado. Guardo as boas, as más e as melhores. Sempre tive dificuldade para controlar os pensamentos, vêm uns atrás dos outros, em catadupa, uma espécie de corrida, para ver qual chega primeiro. Nunca os tentei parar, deve ser isso que os filósofos chamam de honestidade intelectual. Sempre tive receio das pessoas que nāo pensam porque a verdadeira liberdade vem do confronto com aquilo que de mais íntimo temos, vem das entranhas. É contra mim e a meu favor que jogo, o momento em que o silêncio não me incomoda. Eu vivo com os fantasmas que criei dentro de mim, com todas as assombrações do passado mas é do futuro que a vida é feita. Eu tenho anos de historias, anos de medos, anos de reconciliações e felicidades. Guardo as boas, as más e as melhores e continuo porque nunca tive medo do silencio. 

Deus me perdoe e me dê paciência para aturar a hipocrisia:

É preciso vir o Bloco de Esquerda com um cartaz polémico que junta a palavra Jesus aos homossexuais, para virem os cristãos ofendidos do pais, a proclamarem a fé e os valores do cristianismo que nunca os vi a ter quando, por exemplo, falam sobre os refugiados ou quando fizeram da liberdade de expressão bandeira ao defenderem o Charlie Hebdo.
As igrejas andam vazias mas os fundamentalistas religiosos multiplicam-se nestas alturas. Que ultraje, meu Deus, defender o mesmo que Cristo: Amor e tolerância. 

Nunca o fim - se vivemos é para não matar:

Náo há nada que acabe. Viramos costas mas a vida continua. Se voltarmos, é para continuar. Não há recomeço nem fins. Nunca paramos, o tempo empurra-nos e força-nos a continuar. Nem a corrente do rio para, corre porque há essa força que subsiste. Para cada principio existem inumeras possibilidades mas nunca o fim. Não se matam memórias, não se apaziguam as saudades. A vida não se consome, é impossivel lutar com o tempo porque ele continua. Não se sepultam os corpos que nos abraçaram. Não há fim à vista para as viagens que começamos. Apesar de todos os apesares. Depois de todas as reviravoltas.  Durante os altos e baixos. Para lá de qualquer finalmente. A vida continua, sem promessas mas também sem nenhum fim traçado. Perduramos no tempo, seguimos viagem, extendemo-nos para alem de todas as circunstancias. Para cada inicio, uma estrada com infinitos caminhos. Só o tempo pode parar-nos e ele nunca acabe. Não te deixes morrer.

Sinto muito:

Queria dizer-te que sinto muito. Eu também me arrependo dos erros que jurei nunca cometer. Já caí nesses dias maus e de vez em quando ainda os sinto. Sinto muito. São as escolhas que nos decidem; as boas que nos devolvem a vida e as outras, que nos matam para nascermos outra vez. A felicidade não tem ciência nenhuma, é um caminho aberto para o futuro. Cada um sabe a força com que lhe rebenta o mar. Ve-lo não é o mesmo que estar lá dentro e todos sabemos que muitos enjoam.  E eu sinto muito. Sinto tudo. O passado que aprendi a não esquecer, o presente onde quero sempre estar e o futuro como meta de todas as utopias em que me deixo envolver. Queria dizer-te que sinto muito. Eu tambem sou feita de falhas, sei que o coração está exposto ao sangue, o ponto de partida e de chegada de todas as coisas mas ele bate para nos lembrar que estamos vivos.

A cada um o que é seu:

O problema não és tu. Quando amas e não tens correspondência. Quando ajudas e não vês retorno. Quando estendes a mão e te dão com os pés. Não és tu. Quando te mentem, não há como ficar triste com atitudes que não são tuas. Não és tu quem tem de sentir-se mal por pagar as contas e ir trabalhar todos os dias. O problema não está em ti quando te esforças e falhas. Não está em ti. Quando fazes o que mais ninguém quer. Quando acabas o que os outros começaram. Quando emprestas e os outros te roubam. Não és tu, não te martirizes por problemas que não são teus. Não se ama demais. Não se acredita demais. A culpa mais pesada de carregar é a que não nos pertence. Livra-te disso.

Se tropeçar, é nos teus braços que quero cair:

O mundo dá voltas enquanto dormimos. Quando abrimos os olhos, o céu já mudou de cor e o chão já não é o mesmo. A guerra planeia-se durante a noite e a paz está sempre no dia que acorda a seguir. O mundo dá muitas voltas, as pessoas mudam e amam-se sempre que aprendem a olhar as estrelas porque os sonhos vivem dentro da nossa cabeça. É o amor que revoluciona o mundo e ele dá tantas voltas. 

A vida não é para todos:

A vida não é para todos. Há quem não esteja disposto aceitar a alegria de viver nem as curvas durante o caminho. Há quem não tenha aprendido a andar em ponta dos pés e se queixe das dores e mazelas de um dia de trabalho. A vida não é para todos. Não é para os conformistas nem revolucionários porque nos extremos, o entusiasmo dos detalhes, desvanece. A vida é para os que aceitam a felicidade com as duas mãos, sem desconfiar do que aí vem. Sem olhar por cima do ombro, sem pensar que a esmola está a ser muita. Há quem viva com o fuso horário de outro mundo, em desencontro com as circunstancias do tempo. Todos nascem para a vida mas a vida não é para todos. Insisto nesta ideia fascista todos os dias, talvez porque, mesmo estando mal disposta, continuo a achar que isto de viver é bonito para caraças. Há quem não esteja disposto a ver isso e por isso não mereça a vida que tem.

Entre o céu e a terra:

Fizeram de ti outra pessoa e eu proibo-me de ter saudades de quem nunca conheci. Calo-me das mentiras e afasto-me de tudo o que magoa. Eu não sei regressar aos sítios onde fui feliz, ainda cheguei a pensar que que um dia seria mais fácil mas o esforço mora em todos os dias. Quando tenho saudades, é pela recordação de nos termos um ao outro, da maneira como usavas as minhas palavras a teu favor. Os segredos que guardo são vidros a cortarem-me as mãos. Evito constrangimentos, as paragens momentâneas de pensamento nos corredores do supermercado. Evito os rasgos no coração  e as lembranças de noites com sabor a martini. Gostava de desprender-me disto porque não há sensação melhor do que a consciência a aliviar-se de um peso mas tenho medo, tanto medo. Vendi-me a uma profecia barata que quis acreditar. Desculpa-me, eu não posso seguir-te.

Sabotar o tempo é esquecermo-nos da vida:

Não penses. Bloqueia-te e resiste. Pinta as unhas mas não te preocupes com a acetona. Não penses no desmaquilhante que vais gastar. O teu melhor vestido continuará a ser o mais bonito mesmo que ninguém te veja.  É agora que a vida acontece. Desprende-te do medo da noite; das palavras que ouves do outro lado da rua, sempre que passas por lá; dos gatos pretos que cruzam o teu caminho.  O que será de ti se não conseguires libertar-te de todas as coisas que não são tuas? É deprimente reviver o passado todas as manhãs mas não queiras a ansiedade que a previsão do futuro oferece. É perigoso viver num tempo que não é nosso. É hoje e agora, é aqui que o mundo se desfaz e que a vida começa. Se não saíres de casa todos os dias à pressa, com medo de te atrasares para a vida; se não ouvires com atenção as regras do jogo que tentas jogar, o que será de ti? 

Estou de partida mas o importante é ficares bem:

Apesar de tudo estar igual, está tudo diferente. Há coisas que eu lamento mas já não me revoltam, possivelmente por sensatez ou falta de força. Quem desaparece acaba por esquecer e a distância afasta sempre as pessoas. Não posso pedir desculpa mas é verdade que fui embora cedo demais, como todas as pessoas importantes têm ido da minha vida. Eventualmente serei diferente e fria mas não consigo estar arrependida. É provável que fique desiludida com a loucura que me falta mas sobretudo por não me apetecer voltar.

A verdade da mentira:

De toda a malvadez que possa haver no mundo, a mentira é provavelmente o defeito com que lido melhor. Nunca me sinto traída pela mentira e já me cruzei com tantas. Nunca traí pela mentira e já disse tantas. Quem me diz mentiras, nunca mente a mim. A mentira é só um meio para que quem mente se sinta bem. É por isso que aceito as mentiras com a mesma naturalidade que aceito as verdades. Uma espécie de serviço publico, uma oportunidade que dou aos outros de me contarem a novela que andam a viver. Verdade ou mentira, as duas tem o mesmo peso. É o valor que lhe damos que as torna mais ou menos importantes. Há mentiras que nos protegem muito mais do que qualquer verdade. Há confissões que doem muito mais que qualquer mentira. Muitas vezes, dizer-se a verdade é um ato egoísta porque significa apenas que queremos dividir a angústia que sentimos e partilha-la  com o outro, cobardemente. Prefiro sempre uma mentira a uma verdade que alivia. Quem tem tanta necessidade de dizer a verdade, provavelmente sente culpa de todas as mentiras que disse. Sempre que somos honestos connosco, não há mentira que abale nem verdade que mude.  As mentiras são só a imagem que cada um idealiza de si. Não é o fim do mundo nem nenhuma facada nas costas. Que não se odeie a mentira porque ela é uma parte inevitável do caminho, tal como a verdade. Saber a intenção que pomos em cada coisa e dormirmos tranquilos com a nossa parte é o quanto basta porque o mundo é dos que conhecem a verdade dentro de si.

Tu nunca foste de voltar atrás:

A vida é feita de contratempos. O teu regresso foi simultâneo com o meu mas eu aterrei noutro lugar. Um desencontro mais ou menos feliz. Uma felicidade mais ou menos honesta. Tu sabes o que te reservo e eu conheço o que tens para mim. A tua mão já foi lida e o mapa astral está traçado. As estrelas dizem que te quero sempre bem porque não me desfaço dos momentos. Lembro os bons, guardo os maus mas nunca me esqueço de quem me fez feliz. Porventura, estratégia do destino, fazer do teu regresso a nossa distancia, logo agora que tu vinhas para ficar. A ironia é cúmplice do tempo, os dois acusam-nos de usurpação e profanação da vida mas eu, que gosto de reger-me pela presunção da inocência, recuso a sentar-me no banco dos réus. Confesso, transgredimos a felicidade mas foi um crime que prescreveu. Uma honestidade completamente absolvida.

Foi Deus:

Não sonhas com quase nada e desejas muito pouco mas eu entro em todas as tuas esperanças e estou em cada linha das tuas orações. E eu, que sou uma agnóstica crente em todos os que têm fé, emociono-me sempre com a convicção das tuas palavras sempre que pedes a Deus que me guarde e proteja. Eu, que sou agnóstica, nunca ousei dizer-te que não existe porque tu acreditas e há coisas tão simples quanto isto: sempre que acreditamos, torna-se verdade. 
Tenho medo que não saibas que nós somos o que mais amo e, de alguma forma, faço de ti o meu Deus porque é em ti que acredito e que a minha fé recaí. Eu, que sou agnóstica, não me consigo perdoar por cada dia que passo longe de ti. Tu estás acima de todas as coisas, porque não há poder maior do que a paz que me dás. Agnóstica como sou, desafio o teu Deus quando me entregas à sua vontade e, a verdade é que ganho sempre porque o meu Deus existe e és tu.

nA tua vida vale tudo:

Há felicidades que não morrem. São uma caixa que se abre para o mal, o antídoto para o veneno que corrói por dentro. As felicidades tiram as nódoas mais difíceis e afrontam as dores mais teimosas. As felicidades são amores a baterem no peito, como um mar de tempestade, a lembrar-nos todos os dias que estamos vivos e é para isso que existimos. Que nunca te envergonhes de ser feliz e nunca tenhas medo de tentar. Não te martirizes com os erros que deste porque o choro não é a previsibilidade da tristeza, há quem faça lágrimas de felicidade. Para perdoar é preciso esquecer, que nunca esqueças isso porque só depois é que te podes encontrar. Lembra-te que o amor anda por aí e, a maior parte das vezes, é mais do que o expectável porque não há nada mais imprevisível que os afectos.

O melhor legado é a força:

As heranças são sinais traiçoeiros. Quando num corpo se vê o seu antecessor mas as marcas não foram feitas pelo mesmo caminho. O sofrimento é a pior das herança porque a amargura da vida é demasiado difícil de desfazer. Crescer na dor é uma infância triste a querer ser mulher, sem nunca conseguir. Nascer-se já derrotado de um património que nunca soube vencer. Não há como curar quem olha a vida sempre em agonia, que veja um fracasso a cada passo. A comiseração de quem nunca aprendeu a soletrar a alegria. A misericórdia de quem sobrevive da culpa montada por si e pelos seus. É de família, a tristeza pode ser hereditária por tradição. Os melhores pais são os que obrigam os filhos a serem felizes, são os que apresentam um espólio de armas desde a nascença, capaz de travar qualquer luta. São os que se recusam a criar uma vítima porque não se esquecem que foi um filho que planearam.  Os melhores pais são os que nunca admitem acobardamentos, são os que conseguem transmitir que a vida tem tanto de simples como de bom, que não se sujeitam a resignações porque sabem que dos coitadinhos da vida nunca rezou história.

Marta:

Marta é a memória que nao se perde e os fantasmas que me empresta. Marta é um dia devagar, como quem não quer chegar ao fim, uma tempestade solitária em alto mar. Chegar ao cume e querer descer. Marta, tu és o nome que não digo em voz alta com medo de esgotar. O universo a conspirar contra mim. Se deus existisse, Marta... Se deus existisse, saberia de cor as minhas saudades tuas. Saberia da dor que pressinto a chegar, a minha recusa persistente de fazer da tua ausência um habito. Marta, quantas vezes é que podemos dizer adeus? Eu faço-me de esperas mas não quero ir embora. A morte ganhou a tua cara, és tu, Marta, a assombrar a minha vida. Marta. Marta. Marta. O teu nome a ecoar em mim. A ebolição da sede de te ver. Conduzo os meus passos e abstenho a consciência da tua falta porque ainda há tanto caminho. Como é que me desprendo do que está morto? De ti, Marta? Tu que és o peso na minha voz que não quero suportar. Crucifico-me na angústia e o sangue deixa o meu rasto. Quero enterrar o passado mas o milagre a nascer és sempre tu, Marta.

Implora pela paz:

Os dias regressam todos amanha. Não adiar a vida. Não calar o desespero e, principalmente, não apertar o medo, para que possa ir embora. Hoje é só mais um dia para todos nós. Sempre que abres caminho para felicidade, aceitas o que corre em paralelo e te expõe a tudo o que queres evitar. Seguir a rota, ser feliz apesar de todas as tristezas e aceitar os cruzamentos naturais do percurso. Talvez um dia vires a vida do avesso e quando voltares aqui sejas mais feliz.

Trocar futuros por memórias:

Há sempre um momento que define quem queremos ser a partir dali. A vida são as circunstâncias que encontramos mas também é a nossa capacidade de aniquilar os impulsos mais sombrios e primitivos que vêm à tona. Quem somos é o intervalo entre a bala que se dispara e a arma que conseguimos pousar. E depois, há que aceitar o alivio e a mágoa com a mesma serenidade com que vislumbramos dois caminhos da mesma existência. O lapso de uma decisão pode encontrar o desmoronar da vida que outrora arquitetámos porque para a morte nunca há motivo. Quem mata, acaba sempre também por morrer. 

A morte é injusta mas a vida é merecida:

É a morte que me acorda todos os dias a lembrar-me que a vida existe e não são só três dias, é o tempo que conseguir vive-la a ser feliz paralelamente. Não é a morte que me faz viver mas é dela que fujo porque não a projeto no futuro, é um passado que vou deixando para trás. Sempre que corro para a vida, ressuscito um novo dia, com a mesma certeza que a morte já me habituou. É uma maratona dentro de mim, porventura um destino já traçado que faz da morte um rival que compete em vantagem. Adormeço descansada da morte do dia que passou. Acordo para a vida e concilio o cansaço que é correr todos os dias contra mim. Um dia, sei que vou perder para a morte mas até lá sou eu a impor-lhe a minha vida.

Touch my neck and I'll touch yours:

Tu merecias que eu te amasse. Parece que foi há muito tempo mas foi ontem, a vida está sempre a acontecer-nos e às vezes não me lembro de como tu me fazes bem. És quem melhor sabe ouvir-me e, também por isso, a única pessoa capaz de respeitar os silêncios. Talvez até te ame, porque tu merecias.

O milagre da vida não se repete:

As pessoas não se demoram nas alegrias. Vivem a felicidade à pressa e a antever todo o mal que aí vem. Repetem a tristeza todas as manhãs e, desenfreadamente, vivem dela durante o dia. Deixam que a mágoa se instale e que lhes arranhe por dentro até verem sangrar. As pessoas dão mais valor à tristeza do que à alegria e vivem com uma lucidez negra por cima. A tristeza é um animal que pede a melhor carne por isso, dão o corpo ao manifesto e violam-se consigo. Quem nos educa para os sentimentos, devia ensinar-nos que a tristeza é um estranho a quem nunca devemos pedir boleia, sob prejuízo de nos perdemos. Já ninguém quer saber da felicidade, já ninguém a vive. A coragem para multiplicar a dor de todas as manhãs inibe a alegria durante o dia. Feliz de quem ri sempre da mesma piada.

Sobreviver a uma despedida é aceitar o que aí vem:

É quando a despedida se aproxima que reparamos nos detalhes, como se o mundo fosse acabar dali a instantes e quiséssemos cristalizar todas as imagens possíveis. O melhor da despedida é sempre a saudade antecipada. Os sítios  por onde passei deixaram-me  sempre saudade e todos os laços trouxeram a dor que recusei sempre evitar. Acompanho à distância o que acontece noutras ruas e, de alguma forma, ainda vivo por lá. Ganhei uma cara para cada lugar e o desejo de que nunca lhes faltem sonhos para viver. Despeço-me com dor de um sitio para chegar a outro que nunca teria conhecido se não tivesse partido. Tenho saudades de todos e é por isso que sou de tantos lugares. Nada se esgota, aqui ou em qualquer outro lugar, nunca terei chegado ao final das minhas dores e das minhas alegrias.

É dos gestos que vivemos:

A frontalidade mata porque  é uma luta pela sobrevivência, um instinto demasiado feroz que valora um ego pequeno demais para provar do seu próprio veneno. A frontalidade, essa cabra com pernas, que se orgulha a toda a hora, faz demasiado estrago para o bem que assume. As palavras enterram esperanças e dissipam dúvidas, e a frontalidade apregoada, como se de uma louvação se tratasse, segue a ordem natural de tudo o que não é pensado. Destrói mais do que elogia e faz frente a qualquer tentativa sincera de honestidade. Diz-me que és frontal, que dizes tudo na cara. Diz que não te importas com aquilo que os outros pensam porque encolhes os ombros e fazes o que te apetecer.  Diz-me que não mudas por ninguém e sempre foste assim. És um herói  que escolhe armas para promover a paz e eu presumo-te inocente da vida que tens porque ninguém é capaz de travar guerras sozinho.

O amor é o que tu vês ao espelho:

Afoga a verdade e diz tudo o que quiseres ouvir. O amor vem da luta interior, ouviste? Caminha na terra batida mas procura a coragem de caminhar pela lama. Sobe pelas escadas, desce pelo elevador. Grita as vezes que forem precisas e aparece sempre que quiseres. Imagina tudo o que vai ser possível.  Mata o tempo em tua honra. O amor é perder a guerra mas ganhar a vida, ouviste?

Dia do pai (ou da mãe, tanto faz):

Existem coisas que não são mérito meu mas de quem me educa.

Dizem que a televisão portuguesa está cada vez pior:

A blogosfera é a minha casa dos segredos virtual.

Partir, aqui, para ficar:

O abandono pode ser o gesto mais complacente de termos por alguém. Há sonhos que nascem nas pessoas erradas ou vidas que se cruzam por engano. Até a bondade deve ser medida, com o peso que cada um pode carregar. No silêncio de cada abandono, há um tempo desabitado numa morada que se fez ilusão. Pode ser que um dia te faças homem e o teu passado não entoe dúvidas, talvez um dia tudo seja real e a vida seja um desenho perfeito das verdades incontornáveis. Um dia acordas e reparas que esta história é tua mas não foi escrita por ti e aprendes que saber inventar a felicidade é a melhor maneira de ser feliz.

Bez kontrolya:

Quando me perguntaram porque é que ia, não soube responder. Sabia apenas que tinha de ir e, só depois, quando cheguei a casa, é que me apercebi que a amizade é, acima de tudo, isto: Ir porque sim. Ir porque temos de ir. 
Não podemos não gostar de quem gosta de nós. Eu não podia faltar, tinha de ir. Apareci pelo convite mas fiquei pela amizade. A mesma que me tirou o pijama num domingo à noite. Fiquei porque também dependo da felicidade das pessoas que gostam de mim. 
Partilhei contigo a maior parte dos dias do ano durante tanto tempo mas só ontem descobri que o hábito de conviver contigo, tornou-se numa amizade. Depois, tudo ficou claro porque entendi que a frontalidade que às vezes me faz revirar os olhos é a mesma que me surpreende nos desabafos. Entendi que a teimosia que persiste em cada discussão é igual à teimosia de quem leva um objectivo até ao fim. Entendi que a forma mistura-se com o conteúdo mas, o que conta mesmo, é a força de quem acredita em si. 
Tu sopraste as velas e tudo ficou claro: Era domingo, eu tirei o pijama e estava ali, para ficar. 

Já 'tá. Já foi. Foi de morta:


A morte é uma saudade crónica. É a tristeza nos cuidados paliativos a longo prazo. Um diagnóstico inconclusivo. A morte é uma reabilitação modesta de um corredor que foi amputado a uma perna.
A morte, quando bem gerida,  torna a vida mais fácil porque os dias ficam simples e há no fim a tranquilidade que não nos permitimos ver antes disso. Foi a morte que me trouxe o impulso e fez-me virar a esquina sem ter medo do que está depois da curva. A morte não é uma puta, como tantos querem acreditar, é um comunista no poder a dar uma mão e a roubar com a outra e pode ser tão ambígua como a gestão de qualquer ministério portugues.
Foi a vida que me apresentou à liberdade mas foi a morte que me libertou. A ideia paradoxal de que a vida é uma sucessão de mortes, uma guerra sem precedentes com todos os feridos graves que ficam pelo caminho. A vida a ser a morte e, por isso, o seu antídoto.

Depois do dia da mulher, hoje voltou a ser o dia das pessoas:

O que mais gosto são as especificidades. São as diferenças que me levam a gostar tanto de homens e mulheres, é a essência do que é cada um. Muitas vezes, por trás de uma igualdade aclamada por uma mulher está uma condescendia escondida e é por isso que o dia das mulheres me assusta. Parecemos ávidas pelo poder e esta ambição (que pode ser tão traiçoeira) de chegarmos ao poder dos homens, em vez de criarmos um poder fundamentado em nós, pode acabar numa emboscada pela ânsia da igualdade. O caminho que o feminismo quer fazer é o o extremo oposto do machismo e isso tem tanto de incoerente como atemorizador. A luta é feita por pessoas que querem olhar de cima quando a verdadeira igualdade é hierarquicamente nivelada, com todas as desigualdades que a biologia determinou. Eu não quero uma igualdade que faça de mim um homem no lugar de um homem, tenho um trono só para mim.

Os conselhos que vos deixo:

A dor existe mas não se procura.

And casually confirm my fears that I've got nothing to give:

Não feches a porta, eu não sei o que sobrou. É verdade, o tempo passou por nós e eu não sei se a emoção de ver-te prevalece. O tempo desdobrado no tempo. A história que se construíu e o passado que perdura até aqui. Tu perdeste-te e eu insisto na ideia de que foste tu quem mais perdeu. A magoa não se apaga e nada mata mais que o arrependimento. Hoje sei que há um tempo para amar porque não se pode ressuscitar quem se matou. 

O que se leva da vida é a vida que se leva:

A tristeza é como o frio: psicológica.
Porque o frio existe mas quando o sentimos temos de acelerar o passo.

Je ne suis pas Charlie - Abuso de expressão:

Se eu quisesse ser extremista, diria que a França tem liberdade até para insultar.

Je ne suis pas Charlie - Uma espécie de contradição:

Morreram doze pessoas, senhores. Doze! A sério que é por isto que o mundo se emociona?
Os americanos invadiram o Iraque, destruíram o Afeganistão. Os extremistas  continuam a matar pessoas o tempo todo, sobretudo muçulmanos e não vejo estas ondas de indignação.
Esta história parece o 11 de Setembro. Não vejo este empenho e esta tristeza quando outras pessoas entram noutros países a matar. Quando os jihadistas executaram pessoas no Iraque, não ouvi ninguém dizer "Somos Todos Iraquianos".

Je ne suis pas Charlie - Uma especie de contradição:

Pessoas que se sensibilizam porque a liberdade de expressão não foi respeitada mas que moderam os comentários do blog.

Je ne suis pas Charlie - Uma piada só é piada quando as duas partes acham graça:

Com a mesma força que não entendo o ato terrorista, também não entendo o desrespeito e a xenofobia do jornal. O atentado é condenável mas carece de interpretação.
A França é o país europeu com mais muçulmanos. São mais de 6 milhões. A mesma França que chegou a proibir que as miúdas usassem véu na escola. A mesma França que tem níveis alarmantes de racismo e xenofobia. A mesma França que tinha um jornal que contribuía massiva e obsessivamente para a diferença. Um jornal que provocava de forma obstinada e insistente o direito pela liberdade religiosa. 
O ato terrorista é exagerado mas não sei até que ponto é que não poderia ser evitável porque apesar de todas as liberdades, não devemos criar condições que levem fanáticos a cometerem acções reprováveis a todos os níveis. 
O ódio não se promove só com tiros e bombas. Bonecos e palavras podem fazer o mesmo porque piadas são um discurso e os discursos levam a acções. A liberdade de expressão não pode ser um caminho para o desrespeito e a sátira não pode esconder a má fé.
Eu não sou Charlie Hebdo porque não sou a favor que a imprensa publique irresponsavelmente. Não sou Charlie porque não concordo com a liberdade de expressão que dá o direito de gozar com uma religião. Não sou Charlie porque representa um humor que em nada beneficia a igualdade. Talvez não seja Charlie porque sou sensata demais para pôr vidas em risco, porque não gosto de ironizar as crenças dos outros. Ou então, é só porque não sei desenhar mas eu não sou Charlie Hebdo.
Que as pessoas possam viver num mundo onde não se cala uma opinião discordante com tiros mas também que não sejam humilhadas gratuitamente em prol do humor ou de uma liberdade que não contempla todos.

Existem por detrás da cal:

Devia ser proibido pensar na morte enquanto se vive. Nós vivemos nesta ambivalência: eu a pensar no teu fim enquanto projeto o meu futuro. Tu a arquitetares a minha vida com a consciência que nunca a verás por inteiro. Quanto mais morres, mais feliz sou e essa é a condição mais pacifica de aceitar porque não me pedes menos que isso.
Um dia vais morrer e eu, que me habituei a ver a morte todos os dias, vou ser apanhada de surpresa. Depois vou achar que devíamos ter passado mais tempo juntas mas é mentira porque ainda hoje me disseste que vivo contigo todos os dias.


Ninguém é quem queria ser:

Reparo nas horas e atraso-me nos segundos. Impedir a felicidade é a forma mais cobarde de ser infeliz. Evito sempre o momento, a espera é um acto demasiado egoísta para quem sabe amar. A verdade pode ser cruel porque consegue ser reescrita e rasurada todos os dias mas é nela que sustento todas as minhas decisões. Saberei eu do espaço que se agiganta entre nós? Interiorizei eu a hipérbole do nosso amor? Será certo que a dor dá lugar a um prazer maior? Ainda não sei se o destino é filho do livre arbítrio ou o seu maior opositor. Não basta dizer o que queremos, temos de acordar todas as forças e atrever todas as vontades e talvez um dia me encontrem nesses sítios que eu ainda não sei que existem porque os fantasmas aparecem para nos lembrarem que a vida é uma puta cara.

Eu sinto ter ainda no meu peito coisas tuas:

Aprendo-me no cansaço. Os dias confundem-se e o presente vive-se em catadupa. Eu não volto aos sítios onde fui feliz mas o futuro desenha-se com os contornos do passado. Dentro do fim que somos há sombras que se movem. A verdade nunca foi tão lúcida e tão presente. Não há fronteiras que me limitem nem mares que me afoguem. Mato a lógica mas és tu quem eu enterro, a inocência de compreender a incongruência das coisas que não sinto. Cedo-me ao eventual destino sem acreditar nele, lembro-me que a sorte aparece para nos apresentar ao azar. Há medos que chegam tarde e segredos a morrerem surdos. Dentro das minhas dores encontro o teu nome. Encontro todas as razões que me prendem. Eu sou um relógio que não pára. Todas as emoções doem. Nunca deixei cair as palavras que guardo para ti mas é dos gestos que vivemos, que não esqueçamos isso.

Homossexualidade - Quando os agressores são vitimas:

Por esconder-se, o sentimento vira preconceito e o amor torna-se refém da própria discriminação.

Eu queria conseguir sair sem cinzas na despedida:

Consenti-me à felicidade. Por nunca se imaginar, a despedida fingiu-se todos os dias. Em cada viagem e em cada regresso. Nos abraços todos que ficaram por dar e nos impulsos desmedidos. Eu quis-nos bem, quis que a vida perdurasse na adrenalina que nos juntava. Nós fomos os lugares comuns na forma e nos gestos. Existimos para além de nós porque a tranquilidade e o caos correm nas margens do mesmo rio. Vivemos sempre à margem, sem procurar o que estava por dentro. Partilhámos o sono e o pão duro, a mais intima das intimidades. Eu dei-me toda à felicidade, consciente de que a eternidade são os momentos, lúcida de que para sempre é o agora a acontecer. Eu assumo as falhas e as loucuras, fui eu quem baixou os braços enquanto bebia do frio. Fui eu quem  sentiu o tempo a consumir devagar. Há verdades que nascem vazias.  O comboio, quando passa, não apita para mim. É para nós, para sabermos que está a passar. Valemos mais do que a vida quis. Mais do que a felicidade deixou. Valemos pelas verdades que conhecemos e todas as que fizemos nascer.

No lado quente da saudade:

O que sentimos revela-se mais nas despedidas do que nos reencontros.

Tudo quanto fazemos é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer:

As expectativas são facilmente defraudáveis. A fantasia deixa-nos imaginar todos os cenários, antever todos os gestos e preparar todos os diálogos. Ignoramos a realidade, como se a ficção abrisse espaço para uma ilusão fácil de comprar. Caminhamos sempre o mais à direita possível, como se a segurança dependesse apenas de nós. Não depende. Há sonhos que só são verdade quando acabam. Abandonar uma ilusão é melhor do que encontrar uma verdade mas mesmo assim, insistimos em acreditar em tudo o que não podemos tocar.

Por trás de uma ofensa, há sempre uma insegurança:

As pessoas indignaram-se, fizeram protestos na internet, lançaram vídeos que se tornaram virais e, de repente, decidiram que os piropos devem ser criminalizados.
Depois, tentaram estabelecer uma linha entre as piadinhas engraçadas e as bocas ordinárias, misturaram o feminismo e acrescentaram assédio de rua.
No fim, aparecem mulheres indignadas a levantarem ondas, feitas virgens ofendidas, como quem assume que preferem ouvir um "ainda dizem que as flores não andam..." do que um "fodia-te toda!".
E eu, continuo a achar que o que devia ser criminalizado era a insegurança das mulheres porque, isso sim, é um verdadeiro atentado à dignidade humada.

Por baixo de cada coisa há um nome:

Teresa devia ter percebido porque é que a vida se suicidava todos os dias, da mesma maneira que pressentiu que um compromisso podia ser um sacrifício. Na falta de coragem, Teresa perdia o conforto de saber que todos os caminhos eram sem retorno e que, dali para a frente, todo o destino era uma montanha dificil de transpor. Respirar deixava de ser um ato involuntário, Teresa sabia-o. Teresa era dotada dessa consciência exacerbada, de uma resiliência quase inata e de um medo que a induzia à culpabilização. Eram as mãos que agarravam todas as coisas que Teresa não chegava a tocar mas os gestos estavam lá, à vista desarmada, nus de qualquer sentido. Teresa era ridícula de tão submissa, sozinha de tanta companhia, presa de liberdade. Teresa devia ter percebido porque é que o amor é aprendido todos os dias, da mesma maneira que intuiu que a paixão pode cegar qualquer compromisso. Teresa distraia-se da felicidade e, também por isso, odiava-se todos os dias. No deslumbre de cada promessa podem caber milhares de traições. Teresa condensava a culpa e o desejo,  o empenho de destruir tudo o que era seu. De tão ridícula ficou sozinha. De tão sozinha tornou-se presa. De tão submissa perdeu a liberdade. Teresa sentia-o, ainda que não o dissesse em voz alta, sabia-o. Teresa devia ter percebido que quando a vida se suicida todos os dias é porque estamos a fazer tudo aquilo que gostaríamos que fizessem por nós. Teresa sabia-o mas nunca o percebeu. 

We can live our misbehaviour:

Não tenhas pressa: Os erros vêm ao de cima com a mesma rapidez que as virtudes afundam. Hás-de ter sempre um par de dedos apontados como revolveres carregados. O bem passa e o mal perdura e tu, vais ser sempre o vilão até ao dia da tua morte mas os bons serão sempre aqueles que conseguirão carregar esse peso, sem saber que o suportam. Não tenhas pressa de viver até à minúcia, nenhuma felicidade é feita em alta velocidade porque a memória alimenta-se de momentos que demoraram a esquecer.

Love the silence but don't die of it:

O que mata é o que se sabe mas não se diz. A verdade pode esconder mentiras e nas omissões pode encontrar-se a veracidade do pormenor que, afinal, importa. Não basta ser fidedigno, a autenticidade das palavras não me comove e o silêncio é, muitas e simultaneas vezes, a melhor arma e também a melhor armadura. Quando o que provoca é o mesmo que evita, a única guerra é dentro de nós. 

The more you change the less you feel:

Quando acordámos, eu já era outra. A minha avó tem razão, há momentos em que devíamos morrer para nascer outra vez. Conheço-te o corpo mas não te leio o olhar. Sabes o cheiro mas não imaginas o que vai por dentro. Há histórias que começam e acabam ainda de noite, ruas que se desdobram em cima da curva, caminhos que se desbravam de olhos fechados. Ainda não sei se é a falta do medo ou o excesso de coragem, porventura a loucura de viver sem ver o dia mas quando acordámos, eu já era outra e os crimes podiam estar todos por acontecer.

O peso da cultura:

Na Noruega é proibido detectar a síndrome de down durante a gravidez.
Em Portugal, 90% das mães opta por abortar quando sabe da possibilidade de ter um filho com um cromossoma extra. 

Go straight to hell - Paradoxos de um raciocínio brilhante:

Sempre que nos sentimos ofendidos com um adjetivo é porque estamos a ofender alguém.

Não te canses de mim:

Conheces-me melhor do que aquilo que sei. Mais do que aquilo que mostro. Talvez eu seja o único livro que lês. O único livro que escrevo. Conheces-me porque sou tua como nunca soube ser de mais ninguém. Não me cansarei de ti, contigo sou sempre feliz.

O QI nos países ocidentais está a baixar:

Umas palavras ditas um tom acima. Um encolher de ombros. Gestos obscenos e ofensas tão primitivas quanto aquilo que somos. Pagamos em raiva como quem quer receber o troco em amor. Uma palavra dita por nós é uma verdade consumada e, a mesma palavra dita por outra boca, pode ser uma calunia com uma indignaçao a ferver dentro de nós.
Seremos sempre pequenos para aceitar que numa história de dois só a verdade tem razão.

Enquanto durar:

Não quero atrasar o momento nem perdurar nele. Não te nego, ainda que a tua presença não seja sentida. Perdemo-nos num regresso quase imperfeito de tantos atalhos, quase condizente como as palavras que saiem da nossa boca. Já precisei de ti para ser eu com todos os caminhos que percorreste para chegar até mim. Quando os nossos detalhes se apagarem, não restará nada senão o olhar de quem quis ser feliz. Por enquanto, o que nos une continua a ser muito mais do que a felicidade.

Quanto tempo se demora a aprender a liberdade?

Vivemos há quarenta anos em democracia. Historicamente, somos uns adolescentes com a rebeldia toda na venta e umas hormonas aos saltos e, ainda assim, quarenta anos parecem já tanto tempo.
Dizer que já não estamos numa ditadura é uma falácia fácil e estranhamente assustadora. Estou a duas gerações da revolução e, ao mesmo tempo, a ser educada por elas. Pertenço à primeira geração que nasceu já em liberdade mas desta premissa decorre o silogismo de que a partir daqui nascerão os verdadeiros filhos da revolução, com a prerrogativa natural e, ao mesmo tempo, com o desígnio todo da nossa herança cultural.

A infância fez-se mulher e a vida virou recordação:

Tu eras o ideal mais próximo que tinha daquilo que eu gostaria de ser noutra vida. O exemplo vivo de que o destino acaba por levar a cada um aquilo que é seu. Eu olhava-te do alto do meu metro e cinquenta e sabia que a vida, para ti, tinha outro encanto. Tu eras os sonhos todos, as missões impossíveis e os fragmentos de coragem que se juntavam das cinzas. Eu olhava para ti e pensava que talvez um dia, mais ou menos longínquo, pudesse ser como tu. Simples, como a vida. Simples, como se querem todas as coisas. Depois a vida aconteceu como a naturalidade de qualquer fim. Eu cresci e dizem-me que somos iguais.

Um dia havemos de falar sobre isto:

Há sentimentos que nascem para serem amarrados e depois, com o tempo, serem desembrulhados, em doses pequenas. Aqui e ali, cozinhar a lume brando e apagar assim que ferver. É um ditador a tempo inteiro dentro de nós, uma vontade recalcada ou uma cidade a viver sempre em lusco fusco.
Prendo-o mas não o digo. Não digo porque o prendo mas só o prendo porque não o digo. Um ciclo vicioso, a nódoa que não sai daquela camisola mas que teimamos vestir.


Once you're grown up, you can't come back:

O maior medo será crescer, como se o mundo atrasasse toda a infância e a angustia fosse mais forte que o tempo. Ser pequeno para sempre e afirma-lo com a ingenuidade de uma criança e com a consciência verosímil que qualquer adulto pode ter - o paradoxo de um corpo que não caberá na idade que tem.

You had a vision they couldn't see:

E, indubitavelmente, caminhou até ao precipício porque sabia que era ali que a vida começara. A linha ampla e frágil que seguia todo o horizonte que não vira desde então. A presunção do momento, um passo ao lado e tudo a acontecer no limbo porque a vida só fizera sentido assim.

Talvez o amor esteja em todas as coisas:

Ninguém repara mas o Factor X é um programa muito mais de amor do que de música.

O bom da morte está na vida:

O melhor testamento são as palavras ditas e a melhor herança são as recordações revisitadas.

O mundo é dos espertos (mas todos querem o mesmo):

Os enfermeiros fazem greve.
Os professores fazem greve.
A função publica faz greve.
Todos falam em salários, cortes, escalões e razões sindicais.

Os médicos fazem greve e falam do SNS e da forma como os cuidados de saúde são prestados.

Aos mundos que chocam, partem e ficam. Tudo resta menos a nostalgia:

O começo é sempre assim; a chuva é agua mas parece diferente, as pessoas falam mas os sons distorcem-se. Aprende-se a respirar e olhamos o mundo com lentes das boas. Não há pó, o entusiasmo realça o cheiro a novo e a vida por onde se caminha é um elixir. 
Depois, lentamente, os sítios deixam de ser bem frequentados, os olhos que olham veem o reverso como lupas que maximizam as fissuras e detetam o erro. Os sonhos embrulham-se em planos, os planos transformam-se em utopias e a vida corre em abstrato até ao fim. 
Os dias continuam pequenos para tudo o que há a fazer, negas a possibilidade de este ser o momento no qual depende a tua vida. O tempo pos-se feio, logo agora que tu gostarias de começar a reconstruí-lo outra vez.
Hipotecam-se todas as dúvidas, da guerra também hão-de crescer flores. 
Quando nada resta e tudo sobra, o começo é assim.

Go straight to hell - Paradoxos de um raciocínio brilhante:

Desistimos com medo de perder. E esquecemos que desistindo, perdemos tudo.

O amor sustenta relações agarrado à esperança que tudo mude:

O amor pode ser um sítio cruel, uma faixa de gaza cheia de militares armados prontos a disparar. Há alturas que o amor é uma falência emocional, um coração e um corpo violados em prol de um ego pequeno demais para negar. Nesta visão absoluta e definitiva, esgotam-se os recursos e a capacidade emocional para resistir. A mágoa partilha-se mas não se devolve, o destino faz equipa com o amor e a história volta a repetir-se numa fatalidade difícil de entender. Na falta de amor buscamos o excesso e vivemos sempre em desequilibro, agarrados à imagem daquilo que nos foram fazendo acreditar.

Saber que o infinito existe e ainda assim nunca chegar-se lá:

Quando for de noite e nós já formos velhos. Se o sol empurrar o tempo e o teu nome vier com sombras. O passado é rescrito e o futuro daqui a milésimos de segundo. A loucura da vida, o frenesim dos dias e um copo meio cheio. Não quero o que me dão e não dou o que é meu. Tenho medo de todos os adjectivos que usas depois de mim. Viver dentro de parêntesis é uma falácia enganadora, é o resto de coisa absolutamente nenhuma. Julgo o tempo e bebo para atrasar todos os momentos. Devoro tudo o que vier a partir daí. Estarás entre todos os desejos submissos e a amplitude de cada olhar. Desarmo-me e sou cruel. Sigo tudo o que vejo e silencio o mundo que fica a sós, comigo.
A meticulosa importância de concretizar cada verso de uma promessa. Desdobras-te para que o espaço chegue. O fosso entre o que se delineou e a realidade que se constata. Hoje não quero ser simples e, se um dia souber escrever sobre a falta que me fazes, terei de falar sobre a idiossincrasia de um laço perverso (que preservo). A clarividência, absoluta e indeterminada. Exceder a dose e intoxicar-te de verdade. A libido inequívoca que se precipita nos contornos impermeáveis da dor. A clemência que contaminou todas as utopias geradas. Parte de mim é o recomeço e instigo-me a rever todos os caminhos. E tu, a consequência das expectativas dissidentes, o desmoronar e o constrangimento que espoletas nos gestos de todos os dias. Tu, a consciência assolada de quem chora e sonha.
Encarcero as memórias e a vida deixa de ser um deslumbre confinado a dualidades opostas.

O dia da mãe - Ninguém sai donde tem paz :

Já passaram dois dias e continuo a ser filha da mãe.

Dos engates:

A pergunta dos 100 mil euros é sempre a mesma: E que música é que ouves?

Quebramos os dois (é quase pecado o que se ignora):

Tu não sabes porque tu não vês. Tu não tens porque tu não dás. Tu vais porque foges. Adeus e até um dia. Adeus, vemo-nos por aí. Eu não toco com medo de partir. Não dou o nó nem desfaço o laço. Eu não digo porque não sinto. Não me despeço porque estou. Bom dia. Olá outra vez.
Tu não estás mas eu estou. Tu não vais mas eu vou. Tu transformas e eu mudo. Tu queimas e eu apago. És de tempos mas eu de compassos. Tu és de marés e eu sou de luas. Eu sou quem parte mas és tu quem se esconde.
Alguém que toca. Outro que foge. Alguém que conquista e outro que seduz. Um que quebra e outro que abre. Um que se despe com o intuito de amar-te. Diz o meu nome, quero-te outra vez.

Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido:

A verdade é que a vida continua depois e apesar de tudo. As dores arrumam-se e as memórias vão surgindo intermitentes com a saudade. Há suspiros dentro de um silêncio e um olhar vago porque a vida de todos os dias retoma o seu dia. Engano-me voluntária e conscientemente, faço da tua morte um problema teu, uma mágoa tua. De mim não levaste nada, resigno-me a amar-te porque no dia que morreste eu poderia ter feito tudo, até mesmo esquecer-me de desamar-te.

A Ivone e eu:

Às vezes acobardo-me nesta ideia de pensar que minto-te porque a verdade deixar-te-ia ainda mais triste. Tenho mais jeito para ser tua amiga para o bem do que para o mal. Há dias em que a tua felicidade é um avião com um caminho seguro para casa, é uma gargalhada que herdaste para colmatar uma falta que eu não posso comprar-te nem substituir-te. Nestes dias, em que a minha felicidade não consegue abraçar a tua, eu espero-te com uma inquietude que nunca consigo habituar-me. Eu espero que tu deixes de esperar porque a ilusão é um gatilho preso capaz de matar. 

Try a different view, see the line outside of you:

Confundimos as pessoas com as suas causas. As atitudes com os comportamentos. Confundimo-nos no essencial porque o que está à vista não é aquilo que vemos. Confundimos a maternidade com o parto, o sexo com o amor e julgamos sempre que o que vemos é tudo o que está à vista. Confundimos a escola com a educação, o conhecimento com a inteligencia, a justiça com a prisão. O que está à vista não é o que está para ser visto mas confundimos o que já vimos com aquilo que falta ver. Confundimos as partes pelo todo, a guerra com a religião, o poder com a independência. Somos vistos mas queremos ver primeiro. Olhamos mas não vemos. E quando vemos não reparamos. Confundimos o odio com a inveja e os julgamentos com as opiniões. Confundimos os juízos de valor com os preconceitos, a morte com a dor e as palavras com as orações. Confundimo-nos na fé porque a esperança vem primeiro. Confundimo-nos na essência porque o que não se vê vem depois. Confundimos as promessas com os compromissos e as regras com a ética. Não veremos acima de nós porque procuramos as respostas sem sabermos as perguntas. À vista desarmada, o mundo é aquilo que nos permitirmos ver. Sem lentes, sem zoom, sem medidas. Confundimos o erro com o pecado, a urgência com a emergência. Confundimos, na linha ténue dos dias, o infinito com o futuro, o prazer com o gosto porque necessidade e vontade não são iguais. Vivemos de frente para o mundo e ainda assim morreremos sem ver nada. O lusco fusco a confundirmos o dia da noite. O dia aqui e a noite aí, um par de olhos a iludir-nos a vida. Confundimo-nos nos passos, na vertigem de cada decisão e na solidão dos dias. Confundimos o que vemos com o que sentimos porque a realidade está diante de nós mas baralhamo-nos com as emoções à flor da pele. Confundimos o ser com o estar porque a fugacidade do tempo não nos deixa ver para além de nós. Sem metáforas, sem eufemismos, sem pleonasmos. Não te iludas, não te confundas nem caías nesse cliché de pensar que os olhos são o espelho da alma porque eles só apontam o caminho.

Turn on:

No ginásio, conheço as pessoas pelas pernas.

Eu acusei-me e defendi-te com unhas e dentes:

A mentira não morre. Há portas que nao se fecham e verdades que nao se abrem. Escondo o jogo porque tenho trunfos que nao me permito mostrar. 

Não pedimos o fim, mas não nos importamos se acabar assim:

Não há, como nos filmes, aquele som aterrador do monitor que nos mostra a linha reta e continua (paradoxalmente, o fim, também). Há um silêncio e um arrependimento instintivo e instantâneo, sem paralelismo com nada. É nesse momento que o mundo para. Está ali mas já não está. Foi o melhor mas não foi. Era isto que se queria mas não era. A morte foi a primeira verdade que aprendemos e a mais difícil de assumir quando chegamos ao fim. Vivemos toda uma vida a saber que vamos morrer e quando a morte chega é sempre traiçoeira, desprevenida e devastadora. Há a tristeza com a saudade e a vontade. Foi uma escolha mas já não é apesar da morte não ser escolhida porque é sempre traiçoeira, desprevenida e devastadora.

Used to tell me "sky's the limit", now the sky's our point of view:

Lembrar-me é trazer as memórias à vida. Viver serão sempre as saudades dessas memórias. O limbo estará sempre no extremo das realidades. Tudo é verdade e tudo pode ser caminho. 

Eu & Eles:

Viver com homens lembra-me porque é que gosto tanto deles.

Isto da vida:

O truque é preocuparmo-nos com a opinião dos outros sem deixarmos de duvidar da nossa.

Whoever doesn't miss Soviet Union has no heart. Whoever wants it back has no brain:

É fácil fazer-se uma guerra. É nestes momentos que prefiro a cobardia à bravura. 
Não há heróis na vida real, os que tentam morrem. São os cobardes, que com amor à vida e talvez com medo de morrer, recebem as medalhas. E, talvez as mereçam.

A ironia das ironias:

Quem não gosta da Rússia são os que dependem dela.

Amor com amor se paga:

Perdi a conta à quantidade de vezes que o disse. Deixei de contar porque a verdade não tem número, é um infinito sereno que me cabe no peito na hora de adormecer.
Insisto nesta certeza que tu me dás à espera da condicionalidade toda que daí advém. Tu sabes muito mais que eu. Soubeste-o muito antes de mim. Os cheiros ficaram na memória e agora é só o amor que nos segura. Tu sabes muito mais que eu. Soubeste-o muito antes de mim mas eu continuo a perder a conta à quantidade de vezes que o disse. 

The mother of my mother was my mother too:

Your crazy son, the stylish one 
The pretty woman, she's my mum 
And now the news, don't feel shame
My dear daughter has your name

That god damn bitch of life she made me cry:

Contar até três não chega. Fecho os olhos e volto a abrir. Estamos a pensar no mesmo, é maior que nós porque programaram-nos para ter outro destino qualquer. Não percebemos de finais felizes e o amor tropeça-nos por isso, fechamos os olhos, contamos até três e pedimos mais. Tantas vezes quantas as razões que nos faltam. Perdemo-nos no caminho e deixamos para trás tudo o que não foi repensado. Conto até três, penso duas vezes. Outra vez. Tantas vezes quantas as razões que tenho. Tantas quantas as coisas que não posso escolher. E no fim, deixamo-nos ir porque um dia soubemos tomar conta de nós. Deixamo-nos ir porque o verbo consente tudo. Deixa-me ir porque os vícios desprendem-se do corpo.

Recados perdidos:

Ver-te foi saber que uma partida não foi suficiente e que um regresso não chega.

Let's grow old together & die at the same time:

Não somos tão bons quanto parecemos nem tão maus quanto pensam. Nunca havemos de ser o que os outros decidirem, nem tão pouco o que queremos ser. 

Primos:

Acabaste por ser um resto daquilo que ficou. Uma sobra boa de uma opção da minha vida. Somos os gestos que ficam por fazer e as palavras todas que falamos nas entrelinhas. És quem eu mais quero manter perto porque é agora que a vida começa. Estou aqui.

Beijos, pessoas especiais:

Julgar as atitudes à luz do que sabemos hoje é injusto. Ninguém saiu a ganhar: Eu desisti de mim e vocês desistiram de nós. Acobardámo-nos das nossas decisões porque tínhamos muito a perder e um orgulho difícil de engolir. Fomos o resultado de todas as nossas falhas, a soma dos abraços todos que acabaram por desvanecer-se no tempo. Uma conta difícil para quem deixou de contar os anos que foi feliz. Subtraímos tudo e vemos uma multiplicação de momentos que nos dão a certeza que injusto é julgarmos as nossas atitudes à luz do que sabemos hoje.

Há sempre um lado bom:

Os mimados têm noção de que sozinhos não vão a lado nenhum.

Não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero.

Por alguma razão, que eu desconheço, o mal terá sempre mais peso que o bem.

Tão bom pudesse o tempo parar:

Raramente tive noção de que estaria a ser tão feliz. Não fui avisada de que poderia sentir saudades e agora tenho um espaço por preencher com momentos e pessoas que já não se repetem. Isto de viver é mesmo fugaz e breve. Eu não penso nisso em dias pares nem impares mas são recordações que chegam em dias que não sei contar. São dias que aparecem sem eu estar à espera porque recebo uma mensagem e daqui a cinco minutos estou sentada num café com vontade de chorar por momentos que não fui avisada sobre as saudades que poderia sentir e ainda assim sinto-as todas ao mesmo tempo, como se estivessem a cobrar-me hoje todas as saudades que não fui sentido. É injusto. Tenho mais saudades que ontem ou amanhã, é um dia que não sei contar, nem par nem impar. Percebi que há pessoas que sentem saudades todos os dias e que vivem embrulhadas nisso, a olhar para as coisas que fizeram e que eu estou no meio das memórias dessas pessoas. Respiro fundo, não quero chorar enquanto sentir nos teus olhos que também foste feliz, apesar das saudades.

Podendo parecer um paradoxo, não é:

Sou anti-praxe mas sou contra o fim da praxe.

O curso de medicina - Falsas premissas:

O curso de medicina não é mais difícil que os outros.
O curso de medicina não exige mais aos alunos do que os outros.
Os alunos de medicina não são mais inteligentes do que os outros.

O curso de medicina é frequentado por pessoas conas (porque não encontro uma palavra melhor).

Mais uma vez: As pessoas deviam propor-se a fazer apenas aquilo em que são realmente boas

Não sou das que diz que o jornalismo em Portugal é uma vergonha porque vergonhosos são alguns jornalistas. Exclua-se, portanto, o argumento de que sou contra o jornalismo. Fazer uma peça jornalística, é muito mais do que contar uma história porque o jornalismo foi feito para criar noticias (esqueçam os artigos de opinião e as crónicas, não é preciso sermos jornalistas para isso). Uma noticia não é uma história, não tem tantas versões quantas as pessoas que a narram. Uma noticia é uma coisa séria porque apresenta factos que não mudam consoante quem os conta. O jornalismo é transparente, vai ao fundo da questão e traz-nos o essencial. Poderá não ser imparcial porque toda a noticia gera uma reacção mas sendo imparcial, tem de continuar a ser transparente, sem sombra para dúvidas. Tem de resumir-se aos factos e ser aquilo que se espera que seja: informativo. Quanto mais informativo for o jornalismo, mais informado tem de ser o jornalista. Verdade seja dita, é uma coisa difícil e só os jornalistas realmente bons é que deveriam propor-se a faze-lo.

A Ivone e eu - Nível de amizade:

Falamos no imperativo uma para a outra.
Dizemos obrigada mas ainda assim não conseguimos pedir desculpa.