Try a different view, see the line outside of you:

Aveces las cosas que no puedes cambiar, teminan cambiandote a tí

Don't worry child, see heaven's got a plan for you:

Acende tu a chama que um dia se quiser apagar.

Da amizade:

Há pessoas que evocam a amizade como se fosse uma figura de estilo.

O silêncio foi a coisa mais importante que aprendi:

Diz-me que o silêncio não muda nada. Não vale a pena pronunciarmo-nos em palavras. Dizias que os momentos mais importantes da vida aconteciam em silêncio. Aprendi a falar com dois anos e, a partir daí, aprendi o silêncio. Tudo o que aconteceu depois daquela idade foi uma renuncia a tudo o que me ensinaram até ali. Naquele dia também não foram precisas palavras. Os inícios e os fins dispensam-nas, é sempre assim. Não é preciso falar para dizer tudo. Temos as entrelinhas, os gestos e depois... os silêncios. Diz-me, outra vez, que o silêncio não muda nada. Novamente, até que o coração aguente. 

Hoping everything's not lost:

Irrita-me não conseguir falar sobre ti.

A viagem do elefante:

As coisas do universo acabarão por se encaixar umas nas outras.

Um dia serei luz, serei o sol na despedida:

Todo lo que es parte de nosostros un dia puede volver.

Para Ela:

Talvez os dois mundos onde vivemos não sejam assim tão diferentes porque temos o mesmo pôr-do-sol.

We accept the love we think we deserve:

Não são precisas justificações. Nem desculpas.
O respeito é das coisas mais bonitas do mundo. É por respeitar tanto o respeito que continuo em silêncio.
Descansa porque garanto-te: a traição nunca triunfa. Na maior parte das vezes, a vida prova-nos isso mesmo, que caímos em nós sempre que de nós tentamos fugir. Foi o que aconteceu. Eu sempre disse que o amor também pode separar as pessoas.

Não é preciso dizeres nada, avó:

Disse-me que passava os dias todos a pensar em mim e a falar de mim e quando estava comigo no skype, havia vezes em que não sabia o que dizer.

Não te esqueças:

Há o caminho de ida e as tardes que fomos felizes juntos. O tempo não nos roubou de nós nem de ti. 

I will hold on hope:

Há uma parte boa da vida que nos chega em pedaços, assim.

I'll be gone by the nights ends:

Os dias têm uma luz diferente quando começam e acabam. Aqui, o fim do dia é um segundo. É de dia e logo a seguir de noite. Um abrir e fechar de olhos. Aí, não é assim. Aí, o fim do dia arrasta-se pelo rio. Demora-se a escurecer. Só depois de alguns minutos é que podemos dizer que se fez noite. Aqui, não. Aqui, a terra engole-se a ela própria para abrir outro espaço onde a noite pode existir.

Quem acredita tem muita força:

Já ninguém é capaz de acreditar.
Já ninguém acredita em estrelas. Já ninguém, sequer, perde tempo a levantar os olhos para o céu.

(ainda bem que te vejo)

DECIF 2012:

Tu vais voltar. Não é que te espere mas imagino-te a chegar. Hás-de voltar no momento em que o fogo que sentimos se começar a extinguir. Logo naquele momento em que começamos a enganarmo-nos a acreditar que nada poderia ter sido diferente e não poderia ter existido mais nada do que aquilo que existiu. Coisas que colidiram ocasionalmente. Coisas que exigiram existir no mesmo tempo e espaço. Roubaste-nos noites. Fechámos os olhos e num segundo estava tudo a arder à nossa volta.

Se o mundo acabasse amanhã, seria como se acabasse daqui a cem anos. Ficariam demasiadas coisas por fazer. Quero-te longe. Convem-me ter-te longe. Volta melhor.

O cliente nem sempre tem razão:

Tu gritas vida e o eco devolve-te dor.

The ghosts you draw on my back:

que deixasses de me fazer falta. que eu fosse capaz de adormecer com a serenidade de aceitar que nao voltas. que o inverno trouxesse tempestade mas que amanha fossemos capazes de vestir um vestido. que isto tudo fosse como nos desenhos animados. que o bem abrisse caminho.

A morfina foi inventada para que os médicos durmam tranquilos:

- Acreditas em deus?
- Não, acredito na inteligência e na vida.

Dia mundial contra a pena de morte:

Um país que deu o primeiro passo na europa para abolir a pena de morte poderia muito bem ser um motivo de orgulho (não fosse ainda comum ouvir portugueses a manifestarem-se a favor da mesma...).


Dream reality:

Saí do balneário e vi-o de fato de treino azul e um saco na mão. Olhei para ele e partilhámos dez metros do mesmo ar. Dou um passo em frente e dez para trás, como se não quisesse mais nada senão a alegria de lhe poder mostrar o meu andebol. Olho outra vez e ele desaparece por um corredor. Entre nós, vinte metros do mesmo ar que respiramos, divididos por um corredor escuro e estreito. Ele estava ali, era real. De pele, ossos e sorriso. Era grande, enorme. Eu não me senti diferente, apenas mais pequena. Respirámos o mesmo ar, caminhámos pelo mesmo chão, jogámos no mesmo campo. Mas ele... Ele é grande. Para mim o melhor, o maior. O que mais vezes segui. Quis o destino que, mesmo antes do meu jogo, a pessoa que mais segui na vida, aparecesse na minha direção. Entre nós, cinco metros do mesmo ar que respiramos. Dou um passo em frente e nem penso em mudar o rumo. Só me saiu uma frase, que repeti duas vezes: Eu jogo andebol por tua causa. Eu jogo andebol por tua causa. Depois desta frase, um metro do mesmo ar que respiramos. Ele deu um passo em frente e eu repeti: Eu jogo andebol por tua causa. Vi a mão a estender-se para mim enquanto me agradecia por ter partilhado com ele aquela frase. Perguntou-me se eu queria uma fotografia e disse-lhe que não, a única coisa que queria era que soubesse que eu jogava andebol por sua causa. Olhámos um no outro, desejou-me um bom jogo e acenámos uma despedida. Entre nós, agora, três metros do mesmo ar que respiramos cortado por uma porta de vidro. 
Adeus. Para sempre fica apenas e só uma coisa. O mesmo ar que respiro. O mesmo chão e o mesmo prazer pela melhor coisa da vida. Entre nós o ar que respiramos. Inspiro e expiro. E a maneira como jogas andebol continua a mesma: De cortar a respiração. E eu... Eu joguei andebol por tua causa.

As desculpas pedem-se sempre e evitam-se quando se podem:

Desculpa-me ser assim de racional.
Desculpa-me ser assim de fugaz.
Desculpa-me ser assim tão atroz
Desculpa-me ser assim tão perdedora
Desculpa-me ser assim tão ditadora
Desculpa-me ser assim tão imprevisível
Desculpa-me ser assim tão frustada.
Desculpa-me ser assim tão complexa.
Desculpa-me ser assim tão simples.
Desculpa-me ser assim tão inconclusiva.
Desculpem-me ser assim tão deprimente.
Desculpem-me ser assim tão explosiva
Desculpem-me não cumprir com nada do que sonho.
Desculpem-me ainda acreditar que no fim posso sorrir.

Desculpo-me porque, na verdade, não tenho nada a ganhar.

Das vontades:

Às vezes, sou feita da vontade que tenho de ti.

d'Os Maias:

"Nada desejar e nada recear... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves."

Das interpretações:

Aparecer invisível no skype é como comparar-nos à Alegoria da Caverna.
Estar na escuridão mas - e esta é a parte interessante - poder ver o que os outros fazem, lá do outro lado da sombra.

Arder até ao fim:

Há sempre alguém que ouve a nossa canção.
Canto contigo e dizes que também já te perdeste. Ainda vamos a tempo de encontrar o rasto do caminho.

Sempre. Até ao resto das nossas vidas.

(Já toda a gente se perdeu.)

Porque te tenho:

Escrevo o que dói enquanto risco o que é dor.

Das qualidades:

Egoísmo é pensarmos somente em nós. Pensar em nós em primeiro e último lugar poderá ser a nossa grande defesa e, talvez, a grande fronteira entre sermos bons ou maus. Ser egoísta é a última porta que se abre quando nada mais temos para oferecer. É proteger o que somos e o que queremos.
Falo de mim. Escrevo para mim. Escrevo de mim. Penso apenas e só em mim. Sou egoísta porque falar sobre mim é a minha ultima defesa. Ser egoísta é a última coisa que tenho.

Dos desencontros:

Tantos que queriam ir e não puderam. Eu que podia ir e não fui. O mundo é mesmo isto: uma metade à procura da outra e ninguém se encontra.

Do aniversário (ou das coisas insignificantes):

Deixei de ter de mexer os lábios sempre que fingia cantar-te os parabéns em público e já não precisei de comer bolo só porque eras tu a fazer anos.
Há sempre alguma coisa boa em tudo o que de mau possa acontecer.

(Coisas insignificantes são ainda mais comuns)

I make lies all day to keep the pain away:

É bem provável que tenha dois corações. Dizes que alguém com dois corações corre o risco de tornar-se bipolar. Alguém com dois corações sofre a dobrar e ama pelas metades, tens razão, sim. O mais certo é, como repetes, acordar sempre a pensar com qual dos dois corações começar o dia. É tudo verdade, até quando dizes que o que me separa dos bipolares é o poder que ainda tenho em escolher que coração usar. Alguém com dois corações vai ser sempre incompatível com a vida e o mundo, também ouvi essa parte. E, talvez, se tivesses dito com as pessoas, também concordaria.

Trinta:

A coincidência de encontrar-te em coisas que julgava nunca vir a conhecer.

(uma mão sem cicatrizes a mostrar o futuro)

Ter esperança no destino e ter quem goste de nós:

Brindamos à vida e a tudo de bom que nos possa acontecer. Passamos o tempo a rir porque rir ainda é o melhor remédio, não pensar na vida depois da hora que se vive. Não me façam perguntas sobre amanhã, só quero que seja hoje. Não me perguntem o que farei daqui a algumas horas porque nem sei o que faço agora. Não me perguntem por amanhã porque eu não me pergunto nem por daqui a três horas. Só quero pensar naquilo que a vida me pode trazer de bom, tão bom que me faça esquecer do tão mal que às vezes podemos estar. Dizem que amanhã é outro dia e eu toco no calor do sol e no sangue quente dos que estão à minha volta. Toco no melhor da vida. Toco como se não houvesse mais nada, como se não houvesse vida para além daqui a uma hora. Vejo o sol a nascer sem saber se dormi. Durmo sem saber se amanhã estará sol. Acordo daqui a uma hora e a vida começa outra vez.

Antes da escuridão:

Em frente aos meus olhos, uns olhos tristes. Uma pessoa que me custa olhar. A realidade é triste. Triste vida. Triste de quem tem de olhar uns olhos tristes todos os dias. O avô dá-lhe a mão e ela descansa o olhar que tem um peso de querer atenção. A mãe e o pai fumam. A tia fala alto e sorri. 4 cafés e a conta, por favor. Uns óculos escuros e um caminho. A realidade é triste, uns olhos nunca mentem e uns óculos tapam sempre uma parte da nossa realidade. Não consigo deixar de pensar nos olhos mais tristes de que tenho memória. Revejo a minha vida - que sorte tenho eu! - os problemas estão comigo, as pessoas desaparecem mas nada detem os meus olhos felizes (nada nem ninguém).

You're not the reason I'm leaving:

Não fui eu que quis. Se Deus existisse, saberia que nunca quis ir embora. Falaram comigo no imperativo e usaram o verbo ir contra a minha vontade. Se ao menos eu tivesse o talão que se usa nas lojas para se reclamar no prazo de quinze dias ía lá e dizia que já não queria estas pessoas.

Os meus amigos têm mais sensibilidade que os teus:

Num dos poucos momentos de silêncio dentro daquele carro, olhou-me pelo espelho retrovisor e, nesse olhar, coube um abraço, o mundo e a vida toda lá dentro.

Dos carros que assustam:

Noventa e oito anos e a sinceridade toda na voz. Tinha vontade chorar e medo de ficar sozinha. Conformou-se e disse-me que com noventa e oito anos já não tinha idade para mandar em nada nem em ninguém. Agarrou-me a mão e fechou os olhos - já não estava sozinha.

Meia volta, volver!

O momento em que prolongavas a continência para que eu não pudesse desfazer a minha e ficavamos ali, a conter o riso e a olhar um para o outro como se soubessemos que ia haver sempre amanhã.

Faz-me revirar o tempo:

Falam-me da tua vida como se te tivessem conhecido e, sem saberem, estão a falar da minha também. Entre o que dizem e as coisas que inventam, não resisto a sorrir porque sobre ti, só eu soube sempre tudo e isso, ninguém me pode matar.

What's real?

A faixa 5 enquanto estou a almoçar. Nós, outra vez, como se tudo fosse tão certo, previsivel e real. A faixa 5 enquanto conduzo. Nós, sempre nós. O verão todo. Todos os verões. A faixa 5, como se fosse o inicio e o final de tudo. A faixa 5, de suspiro a sufoco. Rápido, como se fosse fogo a desbravar encosta acima. A faixa 5, que nos junta e separa com a mesma facilidade com que se dizem as horas. Nunca hei-de ouvir a faixa 5 sozinha. Prometo que não me vou magoar desta vez.

Stay with me:

Se pudesse apagava tudo. A chamada e o impacto. O sangue e os gritos. As sirenes e a pressa. A raiva e o medo. Apagava tudo e repetia o momento de ter a tua mão a agarrar a minha com a força de quem não queria estar ali e os teus olhos a dizerem-me tudo o que eu sempre soube.

Hiperbole:

Já disse mais de mil vezes que gosto de ti.

Message in the bottle:

Desaguei as palavras. Que o sol as queime como queima a minha pele. Não sou de letras e tenho o mar todo a rebentar dentro de mim. Sou assim, alterno entre a maré alta e a maré baixa com a mesma rapidez com que as ondas podem rebentar à beira mar e avançar pelo areal. A rebentação é imprevisível, eu também. Nunca sei o quanto vou avançar ou recuar mas, ao contrário do mar, o tamanho da minha onda não depende da força do vento. O mar ensina que as ondas se tornam mais regulares à medida que se afastam da tempestade, as pessoas chamam a isso tempo. Que o tempo me afaste das tempestades e me devolva as palavras, caso contrário haverá sempre, algures no mar, uma garrafa a flutuar perdida, sem nenhuma mensagem. (quão triste pode ser viver sem conseguir dizer nada?)

O melhor forma de pedir é agradecer:

A gratidao é, provavelmente, a melhor qualidade humana. E, talvez (também) por isso, a mais dificil de encontrar.

Portugal dos pequeninos:

16 minutos de telejornal para falar sobre o calor que se faz sentir, ouvir a opinião dos habitantes de Lisboa, Évora e Beja sobre o assunto e a descida de temperatura prevista para quinta-feira.

Os homens mudam pouco, os portugueses, então, quase nada:

Portugal não é periférico porque o mundo é redondo.
Numa mesa redonda não há cabeceiras.

Antagonicamente, os portugueses, serão sempre uma circunferência fechada em si mesma.

Nota para o futuro:

Nunca poderei trabalhar em oncologia porque não acredito na utopia. Nem na esperança. Muito menos nos homens e na vida.
Trabalhar em oncologia é acreditar nisso tudo, sem morrer no dia a seguir.

Do sermão:

Não sei se o peixe morrerá pela boca. Sei que ouvem mas não falam e, entre todos os animais, são os únicos a que não se domam nem domesticam.
Apesar disso, comem-se uns aos outros e mil pequenos nunca bastarão para um grande. 
Continuo sem saber se os peixes, podem ou não, ser a personificação do Homem. Na dúvida, acredito que merecíamos melhor.

Milésimos de segundo:

Sabia-se ali, no espaço que lhe confinava a vida, dentro de paredes velhas, quase não-brancas que lhe sabiam os desgostos. No sitio onde descansava os anos restava-lhe a solidão e a força que a idade lhe conferiu. Quase conseguiu convencer-me que os olhos concordavam com as palavras mas, como todas as coisas que nos tentam enganar, manifestou os sinais de quem não sabia ou não queria mentir. O passado importa. Trouxe-nos até aqui por isso, tem de importar. Sermos passado é a única certeza que poderemos ter. Ainda que se idealize o futuro, este, não mais é senão a utopia daquilo que queremos fazer com o que somos, com o passado. Caso contrário, quando negou o sucedido, não poderia nunca olhar para a fotografia de família que ainda conservava ao lado da cama. Aquela moldura era o objecto mais velho da casa e, coincidentemente, o único que subsistia intacto. Ali, no espaço que lhe confinava os sonhos e o futuro, olhava o passado através de uma fotografia e libertava-se da vida. Sim, o passado importa, no mínimo para nos desembaraçarmos daquilo que nos tornámos e, no máximo, para justificarmos o futuro latente em tudo o que poderá vir a acontecer.

Déficit de atenção social:

Ninguém nos educa para as emoções.
Todos acham que a raiva é uma coisa feia e que o ódio não se pode sentir.
Educam-nos para reprimirmos as emoções e, sempre que não as traduzirmos em palavras, ficamos partidos ao meio.
Sentimos as coisas. Conseguimos intui-las mas depois, como que por magia, não as sabemos falar.
Sempre que somos deseducados para as emoções, somos afastados das palavras. Todos sabemos o poder das palavras, é por isso que quem escreve nunca poderá ser triste, como, às vezes, nos querem fazer acreditar. Quem escreve só poderá ser inteiro.

Love is like a magic mirror:

Por mais sucesso que o Sexo e a Cidade tenha tido, ainda não destronou, em audiência, a Branca de Neve e os Sete Anões.

Talvez isto seja a prova. Não é o sexo, os orgasmos, ou a falta deles. É o que se deu antes e depois de acontecer. A intimidade, o cheiro e o sabor. São as mãos dadas o caminho todo e o abraço que segura o que queremos. 

What's your heart's desire today?

Nunca é das minhas palavras preferidas.
Quando se diz nunca está-se a desafiar a existência.

Dou por mim a fazer coisas que tinha negado a possibilidade de futuro com um nunca.
O desejo é sempre a liberdade suprema. Ser surpreendente é a minha característica preferida da vida.

As fases passam. Os desejos ficam. E os que ficam, serão sempre a melhor definição possível do que somos. Não é o nome nem a idade. Não é o filme preferido ou o que gostamos de ler. Não são os gostos que definem o que somos. Os gostos, quanto muito, serão a reação à realidade que nos apresentam. Mas os desejos que ficam, o que realmente queremos, não tem nada a ver com a realidade nem com o que nos rodeia. É independente.

Ser filho de pescadores e ter o desejo profundo de viver no deserto. Viver na praia e procurar na imaginação o toque da neve.

Nós somos os nossos desejos.


People can be easy, if they want:

As pessoas podem dar-nos o pior e o melhor.
Nós é que temos de decidir o que queremos que elas nos dêem.

You are who you are when nobody's watching:

Somos iguais no mais simples e conseguimos, cada um, fazê-lo de forma diferente.

Ao T., com um abraço do tamanho do mundo:

Podes ir embora. Podes nunca mais voltar. Ou pode o destino voltar a querer juntar-nos. Nunca se sabe o que a vida nos trás.

Quando os sonhos acabam. Quando acabamos com os nossos sonhos. Ou quando alguém acaba com eles. Arranjam-se novos sonhos. Talvez melhores. Definitivamente diferentes.

Quando os sonhos nos acabam. Quando se esgota tudo o que foi possível sonhar. Começas outros sonhos. Procuras no que sobrou o que podes renovar.

Que seja. O que tiver força. O que tiver que ser. 
Que se transforme. Que aceites. Que seja um sonho melhor. Mais sofisticado. Que seja maior. Mais teu. 

Nunca me minto:

Não gosto nada de junho.
Não o aguento muito mais. É um facto. O problema é sempre o mesmo.
A nostalgia traz-nos sempre o mesmo final.
Viro as costas e espero por melhores dias.
Garanto: Nunca saltarei do barco. Nunca abandonarei aquilo que mais me faz feliz. Nunca duvidarei de quem mais quero. E, sobretudo, quem mais quero ser.
Não aguento muito mais, é um facto. Um cenário, género cena final.
Sorte a minha, julho está já aí e em julho tudo é muito mais fácil.

(Quase que me esqueço. Quase. Quase. É difícil mas quase que me esqueço. É a cabeça que alimenta a memória. As coisas ridículas, as boas e as más. Odeio não poder falar contigo. Odeio, com força. Odeio, como se fosse o sentimento mais feio do mundo. As memórias são sempre difíceis de apagar. O frio da tua casa. O teu perfume que pus no meu passaporte, para que não houvessem fronteiras entre nós. Os recados escritos à mão, a tua letra - redonda e intemporal. Lentamente, luto contra a memória. Odeio não poder falar contigo. Mente lenta que só quer olhar o céu e acreditar que algo nos alimenta vida. A memória quase sempre serve para esvaziar, lentamente.)

Your choices are yours alone:

Tudo na vida tem uma consequência. Mais do que uma razão, uma consequência.
Uma decisão. Um amor. Um filho.
Uma alegria ou uma tristeza.
Passei muitos dias tristes. Acho que passo mais dias triste do que feliz. É uma mágoa que se sente mais do que aquilo que se vê. Que não se resolve.
Não é medo, nem paixão.
Não é raiva, nem depressão.
É vontade de mais. De mais alguma coisa. De mais nada. De mais não-sei-o-quê.
É uma vontade de mais nada. Nada me move. Nada me comove. Nada.
Não vou. Não salto. Não corro. (Não sei se gosto de mim)
Se ao menos pudesse voar poderia sair deste mundo.
Sair deste mundo teria alguma consequência, como tudo na vida.

I tried to kill those ghosts inside of me:

Disse-me que tem a certeza que as pessoas me querem ver como eu sou.
Nem sempre estou certa de que as pessoas possam gostar de mim como eu sou.

Nākamā pietura:


Aterramos os dois no lugar mais pacifico do mundo. Eu tento falar e fazer-te rir. Ficaria feliz ao mínimo movimento do teu zygomaticus major. Mostro-te músicas novas a pensar que te distrai mas voltas a chorar.
Não gostas de estar preso. Eu sou igual a ti. Ninguém gosta de estar preso. Todas as manhãs, quando acordo, penso sempre que estou presa. 

Este é o lugar mais pacifico do mundo, dizes-me. É mesmo, em dias de sol é incrivelmente bonito e em dias de neve é genuinamente sereno.
Nas conversas banais há confissões. Há silêncios que falam. Palavras que gritam. Também há medos escondidos, saudades declaradas e suspiros reveladores.

Há dias que penso que quando pude devia ter mudado de vida e começar uma coisa nova numa cidade que descobria tudo de novo. Penso sempre nisto, depois choro-me e rio-me por dentro.
Penso nisto e acabo sempre a imaginar o que estaria a fazer se há uns anos tivesse mudado de vida. Não estaria a ver-te dormir nem teria possibilidade de te ter abraçado quando choraste. Não ia sentir a tua falta no verão nem conheceria o lugar mais pacifico do mundo. 

Sim, estou melhor aqui. 

Não fosse isto e eu nunca saberia que alguém no mundo queria que eu acreditasse na vida. Com a sinceridade toda das palavras. É impagável e bonito. Demasiado bonito para não perceber que estou melhor aqui. 
Hei-de sempre abraçar-te a acreditar na vida porque isso é bonito. Demasiado bonito para deixar de acontecer.


Nevermind - This is just a piece of crap:

Tudo é ridículo quando fazemos coisas ridículas.
Uma cabeça que pense muito é sempre a maior inimiga. O primeiro passo para se deprimir.
Admiro as cabeças que pensam positivo.
Eu não penso, nunca penso. Eu não penso em nada. Quase sempre faço coisas ridículas. Por isso, tudo é ridículo quando faço coisas ridículas. 
Uma cabeça que pense coisas más é uma doença. Uma doença de e para pessoas más. Ser mau é uma doença muito má.
Eu sou boa. Uma boa pessoa. E mesmo uma pessoa boa tem o direito de pensar em coisas más. 

Please don't let it break

O que mais me custou foi te-la feito chorar.
São casos em que a intenção não conta.

Somos a palma e a mão:

Enquanto mostrava a palma da mão e ouvia a interpretação daquilo que lhe liam, olhava para mim e perguntava-me:

- Achas que sou assim? Se calhar é assim que as pessoas me vêem ou então sou mesmo isto... Quando nos conhecemos, foi isto que pensaste?
- É assim que os outros te vêem, sim... Mas eu sempre soube que eras melhor.
- O importante é saberem ler-nos o coração, as mãos não interessam para nada, pois não?

Não lhe respondi. Fechou a mão, levantou-se e disse: Do meu coração percebes tu, não é por linhas que as pessoas vão lá.

Fazer o que dá na real gana:

As pessoas cobram demais a palavra compromisso.
É por isto que as relações se extinguem: Porque as pessoas vivem de compromissos e não de vontades.

And we could go there par avion:

Acabámos tudo o que tínhamos para acabar e lavámos as mãos. Arrumámos tudo e sorrimos no fim, de cansaço e alívio.
Sentimo-nos livres e irresponsáveis, apesar de tudo. Brindámos à tua vida, à minha, às nossas vidas. Brindámos ao amor que a amizade nos trouxe. Ao que nunca se deixou por dizer. Até aos pássaros que intersectaram as nuvens brindámos. 
E acabou tudo, ali, dez minutos depois. 
Parece louco mas não é.

O futuro (a definição)

Parte do tempo desconhecida mas tão clara dentro de mim.

Time is never time at all:

Os anos passam sempre no mesmo espaço de tempo mas ficam dentro de nós de forma diferente.
Há quem transforme horas em segundos embora o relógio tenha sempre o mesmo compasso e o coração bata com o mesmo cadência.

É o amor que confere ritmo ao que quer que seja.

Amanhãs:

Digo o teu nome com a minha boca e afasto de vez a distância a que estou de ti. 
Não perder um segundo da tua respiração e ver-te a dormir por muitos anos. 

He took the midnight train going anywhere:

Ainda te espero.
Como se fosse a última coisa que farei na vida.

Come as you are:

Não pensar no que vem a seguir.
Não me prender ao orgulho das coisas escuras.
Sorrir para sempre. 
Não evitar as melhores emoções por saber que podem ser efémeras e recear a dor de perdê-las. 
 

The proof is in you:

Não basta o beijo. Nem o sexo. Nem o corpo.
Se as mãos forem dadas o caminho todo também pode não bastar.
O cheiro nos meus braços só compensa se o sorriso for verdadeiro.

I want to tell you once again:

Não me perguntes o que me levou até ti. Nem como sei que és a coisa certa.
Houve um momento feliz que te soube em mim. A certeza que nunca mais estaria sozinha.
Dou-te o lado esquerdo do meu coração e ofereço-te o direito.
A amplitude toda da minha vida e o meu amor também.

Da paixão:

O meu coração a bater és tu.

Fala-se demasiado alto para quem está tão longe

A maior parte das relações não são mais do que duas solidões juntas.

Nas coisas leio sempre o teu nome:

Saudades serão sempre saudades até que se matem.

If I wish upon a star I hope that's where you are

Ver-te dormir foi a coisa mais tranquila e pacificadora de sempre.

Dois lados, a mesma moeda:

Apressam-se em dizer que Portugal é uma desilusão.
Quantos desses já tentaram perceber se são uma desilusão para o país?

As pessoas de esquerda nunca se endireitam (ou como só conheço as erradas):

A falta de sentido de humor, a forma gratuita com que ofendem as pessoas, a forma demasiado séria como olham o mundo, o apontar fácil do dedo, a maneira formatada com que pensam, a insistência com que tentam impingir as próprias ideias e, acima de tudo, a incapacidade de ouvirem os outros ou o desprezo com que o fazem.

Lê-me nas entrelinhas:

Está tudo escrito entre o espaço entre uma palavra e a seguinte.
O resto não importa.

Quando for grande, o D. quer ser dinossauro:

Podias ser futebolista. Ou um astronauta.
Podias ser policia.
Podias ser apenas e só um bom homem.

As noticias quase sempre me fazem pensar para além da própria história.
O que faz um pai e uma mãe procurar um filho desaparecido em 1979?
25 de maio de 1979. Trinta e três anos depois.
Como é que vivem os dias? Como é que se deitam à noite?
Como é que se libertam do quarto de um filho de seis anos que parou no tempo de 1979.

Podias ser um grande arquitecto.
Podias ser apenas e só um bom homem. Ou um bom pai.

O que faz uma mãe e um pai passarem trinta e três anos à procura do desejo que é saber, pelo menos, onde está o filho. Onde vive ou como morreu.
Mais do que perder um filho a dúvida de saber se o perdeu ou não.
Que a vida me livre de acordar com a imagem na cabeça de um quarto parado no tempo com roupa de seis anos para alguém que hoje tem trinta e nove.

Podias ter sido pintor ou um amante de poesia.
Podias ter sido apenas e só um miúdo feliz.

Quis a vida que hoje, num sitio que não conheço, passes trinta e três anos a tentar encontrar os teus pais de volta.
(Que nunca percamos o rumo.)

Podias ter sido apenas e só um bom homem.
(Que nunca nos percamos um do outro)

O tempo, o rosto, por detrás da cal:

Há vinte e três anos que estás ao meu lado. E vinte e três anos não são nada comparados com a alegria de te ter perto de mim. Não sei se algum dia entenderás o que sinto por te ter perto. Nunca se percebe este amor. Eu nunca o vou perceber. O dia mais feliz da tua vida foi o dia em que eu nasci. O dia mais feliz da minha vida foi o dia em que te conheci. E isso é muito mais do que os vinte e três anos que vivemos juntas.
Vinte e três anos não são nada comparados com a alegria que vamos ter até ao último dia que te consiga ver. E ouvir. E cheirar.
O teu sorriso é a minha maior alegria. E os teus abraços, vindos sem te pedir.
Ao teu lado nunca preciso de mais ninguém porque quero sempre que me vejas como a pessoa que mais te ama no mundo.
Quero ter sempre a força para te dizer que és a melhor coisa que passou na minha vida porque ver-te envelhecer é a melhor das partes de me ver crescer. Tu a envelheceres e eu a crescer. Ver-te envelhecer é das poucas alegrias que tenho quando cresço.
Vinte e três meses ou vinte e três anos. Não importa.
O que importa é o amor e esse será para sempre a minha única e grande certeza.

São truques de quem finge esquecer

Não fales sobre isso.
Sobretudo, não escrevas sobre isso.
A palavra escrita tem uma dimensão maior do que a falada porque fica marcada. Fica-te marcada. Os pormenores de cada letra e o sentido de cada frase.
A palavra escrita é mais difícil de esquecer porque fica exposta ao mundo e nós ficamos mais desprotegidos.
Se queres fingir bem, não escrevas nem fales sobre isso para não acordares o que tentas esquecer.

Não tenhas pressa porque há coisas que só se podem escrever quando deixam de doer.

Let's put an end to this:

A vida segue.
Como seguem todas as coisas que não têm (inicialmente) sentido.

Das expectativas:

Não esperar nada também pode ser uma forma de expectar coisas.
Tão grandes que não se conseguem esperar.

A falta de expectativas pode ser fatal.

Dos segredos, do respeito ou da cobardia:

O respeito é uma coisa forte.
Por lhe ter faltado, é a única pessoa contra quem deixei de conseguir argumentar.

Soubesse eu que a falta de respeito me guiava a isto e voltaria atrás para ter o direito de dizer-lhe duas ou três coisas.

I've got an atlas in my hands:

Quando a mão que toca a tua mão já não é a minha mão.

Os meus amigos dizem coisas mais bonitas que eu:

Há uma caixa dentro do peito onde as tristezas se guardam.

Departure gate:

Partir é mais fácil do que se pensa. Difícil é decidir quem se leva connosco. 

Apontamento sobre a felicidade:

Hei-de estar aqui, ou não fosse a minha felicidade depender também da tua.

Dos caminhos:

Somos a transição entre o que fomos e o que seremos.
Vamos sendo apenas caminho para aquilo que queremos ser mas podemos ser o caminho para tudo.

It's all about geography, baby:

Isto onde vivo não é um país, é um sítio. E nem sequer é bem frequentado.

Da improbabilidade:

Fazer o bem com pessoas que só conseguem ser más.
Parece impossível mas acontece e é notável.

'Cause I got time while she got freedom:

Quero escrever para ti. Sim, para ti que és o meu sol.
Para ti que te vais embora e me deixas com um sorriso.
Para ti que reparas nos pormenores do meu riso e nos detalhes da minha cara.
Para ti que me salvas os dias com a tua voz.
Para ti que me ouves até ao fim.
Para ti, com quem quero muito estar até ao fim. Ou sem fim.

Podemos ser um início todos os dias.


Se quisermos, recriamos o nosso mundo todas as manhãs e podemos ser felizes.

(Eu quero)

Saudade:

O que é isso de ter saudade?
Pergunto-me desde que acordei o que significa esta palavra.
Sempre a tive comigo. Sempre a ensinei. Mas hoje não a entendo. Não a resolvo.
Tenho saudades do tempo onde não havia nada para justificar.

Hoje li uma mensagem de manhã. Entre outras coisas dizia: "B, gosto muito de ti". Isto dá-me saudades.
Dá-me saudades de não ter feito um caminho diferente que em tempos escolhi.
Os vários caminhos que nós escolhemos.

Saudades de dar vida em busca de vida.
Saudades de ti, que devias entrar aqui pelo quarto adentro.
Saudades de mim. Sinto saudades de ti.
Um abraço.
Um olhar nos olhos.
O coração dói-me e eu quero chorar. Mas são seis da tarde e ninguém chora às seis da tarde.
Espero mais. São dez da noite. Talvez já possa.

Hoje acordei com isto na cabeça e fiz da saudade a minha pior inimiga.

Só quero a verdade

Abre o coração. Aceita as possibilidades. Deixa a vida manifestar-se.

Palavras simples:

Naquelas paredes, escrevíamos a vida e imaginávamos todos os sonhos.
Ali, naquele quarto, de paredes brancas e mobília nova.
Uma resma de papel e nós escrevíamos.
Aquele quarto era o nosso mundo. Naquelas paredes desenhámos os nossos sonhos.
Escrevia para ti num livro para que pudesses ler no dia a seguir.
Escrevíamos um diário sem o rigor temporal.
Eu e a J. éramos intemporais.
Eu escrevia sobre o amor. Ela escrevia sobre o amor pelas coisas.
Escrevíamos uma pela outra e o amor de escrever era maior do que tudo.
Vivíamos muito. Vivíamos a vida que sabíamos temporal.
Vim embora e deixei coisas para trás.
Perdi amigos. A J. também ficou para trás.
Acabámos por viver as vidas que a vida nos deu. As imagens da nossa vida uma na outra desapareceram - é uma memória.
Separaram as nossas vidas. Um dia escreveste-me uma carta e pediste-me para ser simples.
Foi essa carta, que já não guardo, que mudou a minha vida. Esse pedido, simples.
Sei que li a carta em casa e não parei de chorar. Li-a uma. Duas. Três vezes.
As palavras da J. sempre me tocaram. As boas. As más. E as simples, também.
As palavras juntaram-nos. E a vida separou-nos.
Que a vida nos volte a dar uma à outra.
As tuas palavras continuam na minha cabeça. E agora, mais do que nunca, as memórias percorrem-me constantemente.
Hoje, quando estava deitada ao sol, vi raros momentos de beleza. Reparei que ao virar da esquina, estão as nossas melhores imagens. Não vou deixar de virar as esquinas. Não deixes de virar as esquinas.

Simples: Tenho saudades tuas, J.

Que nunca fique nada por dizer:

Hoje comecei a saber a palavra saudade.
Estás aqui. Sei que estás.

Uma palavra, nada mais.
Um caminho. Uma poesia.
Um avião que aterra.
Um. Dois minutos depois.
Uma letra.
Uma cama.
Um meio. Um corpo.
Um. Dois. Três. Silêncio.
Um arrepio.
Uma e outra vez.
Uma paixão.
Uma melodia. Uma palavra.
Nada. Zero. O inicio.
Um caminho.
Sim e não.
Uma música.
Uma partida. Um final.
Uma vida. Duas vidas.
Uma palavra. Uma única palavra.
Mil memórias.

What if....

E se em vez de guiarmos a vida pela condicionante de que o mundo pode acabar amanhã, nos deixassemos levar pela certeza de que o mundo começaria amanhã?

Vou pensar nisto.

We were so young and invincible:

Podíamos ter sido tudo.
E, de facto, fomos.

Do amor ao ódio. Do silêncio aos gritos.
Da vida à morte. Da presença à ausência.
Dos sorrisos às làgrimas. Da coragem ao medo.
Da descoberta ao conhecido. Da àgua ao fogo.
Do início ao fim.

Fomos tudo. Percorremos o espectro todo.
Esgotamo-nos de possibilidades.
Talvez, por isso, já não haja mais nenhuma história para viver.

(Está tudo bem. só não sei se ainda somos tão felizes)

Amor:

É palavra para toda a vida. É a vida toda numa palavra.

(sem químicos)

Hassal's Corpuscle:

Também és assim em mim: com função desconhecida.

A emoção da vitória. As lágrimas da derrota. Os abraços depois de tudo.

Nunca mais será o que era. A verdade é que dói.
Escondo o receio de encarar a vergonha que é estar triste porque se quis.
Escorreguei naquele dia de Verão.
Faltavam dez segundos, lembro-me desse momento. Eu não consegui suster as lágrimas. Os últimos dez segundos. Tinha-vos comigo, sessenta minutos. Uma vida. Os dez segundos do fim. Depois do fim. Sempre. Sempre vocês. Sempre nós.
Chorámos. Chorámos muito. Ali, naquele círculo nosso, dentro de paredes que sabíamos de cor. O preto e o branco. As linhas que marcavam a nossa vida.
Depois aquele silêncio. Não há silêncio como nosso. Não é um silêncio reconfortante. É o silêncio de quem tem muito para dizer. O silêncio de quem está a dizer tudo.
Não sei quanto tempo estivemos assim. Em silêncio. No nosso abraço. Com uma paz atribulada. A paz de quem sabe que o mundo vai acabar mas que ainda está ali, sereno, a aproveitar aquele abraço, pela última vez.
Sacralizei esse momento. Volto lá muitas vezes. Não sei quanto tempo estivemos ali. Cinco segundos. Cinco minutos. Talvez a nossa vida.
Vocês choravam por mim. Eu chorava por todas.

Nunca mais será o que era. E isso dói. Somos sempre inferiores ao tempo.
Quando dizem que gostam de mim, eu penso sempre em vocês. Porque o melhor de mim, foi construído por vocês. Isto que sou, é muito mais vosso do que meu. Isto que me tornei, são vocês dentro de mim. Por isso, quando gostam de mim, não é de mim que as pessoas verdadeiramente gostam. É de vocês.
Da boa vontade da M. Da cumplicidade da E. Da amizade da G. Do bom humor da S. Da vontade da C. Do espírito da V. Da força da R. Da ambição da B. Da segurança da I. Da calma da X. Da criatividade da P. Da atitude do R. Da convicção do A.

Posso morrer mas não vos quero perder.
Podem partir mas não me podem deixar.
Às vezes, abdico da minha vontade para tentar não me afastar do vosso olhar porque nunca mais será o que era e isso dói.


Promessas:

Nunca mais te deixo sozinha. Nunca. 

Give it to me:

Luz.
Vontade de ti.
Caras e corpos. Pessoas
. Figuras. 
A tua mão. A minha mão.
Imponência e fé.
Adormecer na rua.
Sítios e ruas. Vidas e destinos.
Acordar em ti. Contigo.
Fotografias. Imortalidade.
Lembranças

Vertigens e céu. História. 
O problema de expressão.
A chama ardente.
Metro. Submundo. Velocidade. Escuridão.
Música e letras. Palavras e coincidências.
A viola.
Donald Kurt Cobain. Cemitério. Morte e mito.
A voz. A tua. Ensonada.
Gostar e acreditar.
Praia e castelos. Risos.
O teu sorriso.
Desenhos e tintas. Arte e cultura.
O Mundo. O azul.
Cidade. Magia e encanto.
Gestos e olhares .
Tu. Sempre tu.
Porquê? Nao sei. Porque sim. Porque quero.

Deixa que o silêncio se torne cúmplice:

Falei de ti e contei-lhe o nosso fim.
E, pela primeira vez na vida, consegui relembrar-te sem sentir mágoa do fim das coisas que julgávamos eternas.
Sei que não mudaste e que continuo a conhecer-te bem.
Apeteceu-me ligar-te para contar a minha vontade de que sejas sempre feliz.
No Verão, havemos de nos cruzar por entre o fogo. Vou sorrir-te e saberás que apesar de tudo, serás sempre alguém sem lugar nem tempo para mim.


Hei-de ver-te para sempre, L.

Warning:

Antes de adormeceres, sonha.

Sometimes holding hands is safe

Some other times, it's all we've got.
It takes courage, love, time and space.
But it brings a lot of things worth the try.

(I will always have my hand sliding towards yours)

We all became such fragile broken things:

You're a beautiful mess.

Forças paradoxais:

E se tu fores a força imparável e eu o objecto inamovível?

Da vida:

Sermos o que quisermos - é a única coisa que a vida nos impõe.
O resto são escolhas nossas.

Palavras dos outros:

"I know it hurts. But it's life, and it's real. And sometimes it fucking hurts, but it's life, and it's pretty much all we got."

(Garden State)

They say memories last forever

Os prédios podem desabar. As pessoas podem ir embora. Mas eu poderei sempre voltar às minhas memórias.

Palavras dos outros:

Dicotomia:

Ama a prática. Questiona a teoria. 

A paz na dor:

Tens no meu mundo as perguntas e os porquês.
Quando estou contigo eu sou o que vês.

Como se fosses tu(do)....


Dos homens:

Não gosto de homens explícitos. Fáceis.
Que usem ornamentos à volta do pescoço - é paneleiro. Que usem t-shirts justas em V e se depilem porque continua a ser paneleiro.
Não gosto de homens que não consigam ver para além do óbvio.
Os homens que gosto, conseguem dormir profundamente a noite toda, mesmo que o mundo deles esteja a ruir. Homens que não vacilem com problemas.
Não gosto dos indecisos e inseguros. Dão-me pena, e isso não abona nada a favor deles.
Nem dos que se preocupem com o cabelo, com a roupa que vão vestir amanhã. Que tenham um aspecto arrumado e limpo.
Detesto homens que usam diminutivos - isso, então, é do mais paneleiro que pode haver. Dos românticos, que preparam jantares à luz das velas e oferecem flores - é piroso.
O meu homem tem de ser imperfeito. Com a barba por fazer, despenteado e as mãos grandes. Chegar a casa a dizer para fazermos um salto de paraquedas ou bungee jumping.
Gosto de homens que saibam resistir. Que consigam dizer que não. Que andem com o peito para fora e os ombros direitos.
Não gosto deles emotivos e emocionais, que chorem mais do que eu. E não vou à bola com os que usem anéis, nem a aliança - é paneleiro, pronto. Não convivo com os exibicionistas; os que falam muito; os que não conseguem conjugar um verbo e os que conseguem a proezar de cometer um erro ortográfico por frase (não é paneleiro mas não demonstra inteligência).
Gosto de homens que se preocupem com o futuro. Que tenham objectivos. Que saibam para onde querem ir. Que tenham alguma coisa que os apaixone verdadeiramente.
Por outro lado, não percebo os que levantam a voz para mostrar autoridade, nem dos que pensam que o lugar das mulheres é na cozinha. Muito menos dos infantis, que se riem cada vez que ouvem a palavra banana. Nem dos que andam com malas. O meu homem há-de andar com a carteira, o telemovel e as chaves no bolso, mesmo que perca tudo, não me importo.
Gosto dos observadores, que se lembram que eu não gosto de café. Dos que dão nas vistas pela simplicidade. Dos que não mostram facilmente que gostam de mim, de uma maneira demasiado óbvia. Gosto dos que me deixam na dúvida. Dos que me testam. Que consigam dar-me luta.
Não percebo os homens que não sabem mexer num computador. Dos que usam brinco - paneleiro, lá está. Que insistem em pagar todos os jantares. Que usam gorro e t-shirt ao mesmo tempo. Que vestem calças brancas (para lá de paneleiro). Dos que ainda pensem que o sexo é na cama (e há mais desses do que aquilo que eu julgava....).
Não gosto dos homens que fazem tudo o que digo. Gosto dos que têm o poder de me enervar. De fazer as coisas ao contrário, à maneira deles, mesmo quando sabem que não vou gostar. E que se riam de mim quando estou irritada.
Não gosto dos ciumentos, que perguntam todas as horas onde estou e com quem estou (não é paneleiro mas demonstra insegurança). Nem dos homens que não saibam apreciar a beleza dos outros homens. Muito menos dos que mandam mensagem depois do sexo a dizer que gostaram.

Sim, sobram poucos homens para eu gostar.

Matemática da vida:

Ainda tens 27 anos.
Farias 28 em Julho.
Continuamos a ter 4 anos de diferença.
Imagino-te sempre mais velho porque, de facto, ainda és.
Um dia, farei 27 anos e teremos a mesma idade.
Depois ficarei mais velha que tu.
Não sei como é que te vou pensar mais novo do que eu. 
Não quero pensar nisso. 
Faltam 4 anos, pode ser que ainda voltes... - penso para mim.

Todo o amor do mundo:

Será que continuamos a partilhar o mesmo por-do-sol?

My love won't do you no harm

Imagino sempre o que me dirias se ainda estivesses aqui.
A porta abre-se e imagino seres tu.
Oiço passos e imagino o barulho irritante que as tuas sapatilhas faziam e que tu teimavas usar.
Nunca é tarde para te dar um abraço.
Hoje não vamos discutir para saber quem lava a loiça.
Tu não estás aqui e eu continuo a imaginar a minha vida contigo.
Imagino-te a entrar por aquela porta. O som que a chave faz na fechadura. A tua voz, ainda do outro lado, a dizeres coisas imperceptíveis. A tua voz, aqui dentro de casa, a perguntar o que é que há de jeito para comer.
Dás-me um beijo. Dizes que o meu cabelo cheira bem. Dizes sempre que o meu cabelo cheira bem. Sentas-te na cama a olhar para mim. Invariavelmente, a pergunta: Como é que correu o dia hoje?
Sorris. Dizes que sou parva. Sorris outra vez.

Fazemos planos para o fim-de-semana. Saem sempre furados. Na pressa de os queremos realizar, não esperamos por sexta-feira. Começamos, logo ali, na segunda-feira a sermos felizes e a aproveitar a vida.
Bebemos cerveja. É barato e podemos brincar.
A nós, que nunca fique nada por dizer. Brindávamos sempre a isso.
Não ficou nada por te dizer. (Porque te escrevo, então?)
Adiamos o estudo. Mais um filme. Mais um beijo. Agora é a sério, tem de ser. Vamos passar. Somos jovens, inteligentes e podemos ser tudo o que quisermos.
Nunca levamos o estudo até ao fim. Há sempre uma gargalhada que se solta e nos distraí. Uma pergunta fora de tempo que nos leva a uma conversa de horas.
Somos assim juntos. Pregas-me sustos. Fazes-me partidas e eu ainda oiço a tua gargalhada, quase sem ar, no corredor da nossa casa.
De manhã, sais antes de mim e deixas-me um post-it escrito na porta: "If you are reading this it means i love you - Buenos dias, guapa!".

Partilhamos o lusco-fusco com amigos. Bebemos cerveja. Olhamos um para o outro e sabemos exactamente ao que estamos a  brincar.
Perguntam-nos porque é que não assumimos isto de uma vez por todas. Rimo-nos. Bastamo-nos assim. Não nos rotulamos. As regras são tácitas. Respeitamo-nos, e isso é suficiente. As pessoas insistem. Espero que respondas por mim. Ris ainda mais. Nunca ninguém há-de entender. Sobre nós, nunca ninguém há-de saber tudo.
Chega o fim-de-semana e fazemos o que nos apetecer. Às vezes repetimos o que fizemos durante a semana. Sexta-feira é sempre sagrada. Temos sempre o mesmo roteiro. Acabamos sempre por ver as mesmas pessoas. Conhecemo-nos no sitio que ainda frequentamos todas as semanas. Um dia deste-me a mão e dançámos juntos o I Feel Good. Nunca mais nos largamos. Daí para a frente, o mundo foi nosso.

Acabamos sempre a noite no Moon Safari. Saímos e vimos o sol a brilhar. Já é sabado. Rimos até casa. Talvez do álcool ou da felicidade. Talvez as duas coisas misturadas. Chegamos a casa e sentamo-nos no chão a comer. Por vezes, adormecemos ali, um em cima do outro. Outras vezes, vamos para a cama. São três da tarde. Estamos sóbrios e o mundo continua a ser só nosso. Doi-te sempre a cabeça mas somos felizes assim.
Repetimo-nos todas as semanas e somos cada vez mais felizes assim.
E é exactamente isto que projecto para o meu futuro: Ser cada vez mais feliz. Assim, mesmo sem ti.


(Cada vez tenho mais medo de morrer. Eu não devia ter-te perdido.)

9 de Fevereiro de 2012

Dou-te um beijo.
Dou-te dois.
Três.
Dou-te os beijos que quiseres que dê.
So te peço que me ames para sempre e que me digas todos os dias.

Eu já quis ser feliz contigo

Duas mãos ancoradas. Dez dedos entrelaçados. 
Um dia acreditarei que o futuro seja diferente. 
Oxalá te veja amanhã.
Os teus olhos nunca mudam. Há coisas na vida que nunca se esquecem.
Estás aqui. Sei que estás.
Há uma palavra que resume tudo. Uma palavra. Nada mais.
Uma palavra. Mil memórias.

Day by day:


Vivíamos um dia de cada vez. Essa sensação era a melhor do mundo. Viver um dia de cada vez. A vida que levávamos era apenas e só isso: um dia de cada vez.  Uma história. Umas gargalhadas. Muito sexo. Muitas viagens. Corríamos atrás da vida que sabíamos estar a ser vivida um dia de cada vez, com uma paixão única e, talvez, temporal.
A vida juntou-nos. E separou-nos, também.
O quanto não vale viver assim...

Osmose:

Tu sabias que era feliz assim, com as nossas gargalhadas e os nossos silêncios e eu, sabia exactamente o mesmo.

Retórica:

Como é que se foge do que trazemos cá dentro?

Ao natural:

Há dias em que me bastas.

E se inventássemos o mar de volta?

Vou permanecer. Porque gosto de acreditar que nos precisamos.

Não me deixes ver-te para além de ti.

Do avesso:

Reconheço todos os meus defeitos.
Não tenho vontade de mudar nenhum.

Confissões:

Este blog era para se chamar "O amor é um comboio".

Depois de uma pesquisa pelo Google, descobri que o Tony Carreira tem uma música intitulada "Comboio do amor" e o Leornardo (que eu não conheço mas deve ser tão bom ou melhor que o Tony), canta "Amor de trem".
Percebi rapidamente que, com um titulo assim, o blog estaria destinado ao fracasso.
Mudei-lhe o nome. Duvido que lhe tenha mudado o destino.

Na vida, também é assim: Não traímos, agimos no calor do momento. Não mentimos, omitimos porque achamos que é o melhor para todos. Não nos afastamos das pessoas, apenas andamos ocupados. Não estamos triste, mas cansados.

O nome que damos ao que fazemos limita-se a justificar a nossa intenção e, às vezes, até isso fazemos mal.

Palavras dos outros:

valid until:

O que digo, ao contrário daquilo que imaginas, não tem a validade de uma vida.
É por isso, e só por isso, que preciso de repetir-te que gosto de ti.

As minhas palavras duram um dia, mesmo nos dias que não consigo gostar de ti.

A boca que pronuncia o amor também pode pronunciar o ódio.
Se esta dualidade de critérios assusta? Assusta. Mas, dizem que a vida é mesmo assim.

Da eternidade:

Não acredito em "para sempre".
Ter é muito diferente de possuir.

Incongruências:

Amo em ti pormenores que os outros odeiam.

(Isso faz de mim o quê?)

Ao ouvido:

Stay and fight.
I will fight with you.

Do medo:

Nada te persegue. Nada te atormenta.
Tu és o teu medo.

Como se mentir fosse segredo:

- Já me mentiste?
- Sim.
- Quando?
- Se disser, deixa de ser mentira...

Da beleza:

Saí de casa e nos quinze minutos que sucederam esse momento, disseram-me duas vezes que hoje estou bonita.

Os que nos acham bonitos verão em nós pormenores que não conseguimos detectar ou será que não conseguem reparar em imperfeições que, para nós, são tão claras?

A física explica:

O karma não existe.
O que há é a terceira lei de Newton: Ação - Reação.

Não há força solitária sem a sua contra-parte.
Já tinhas pensado nisto?

Weak point:

Abriu a porta e disse-me: "Now, get out of here and do something you really love".

E eu vim para casa sem saber o que fazer.

Ainda sobre o dia da mãe (ou como o amor me faz pensar):

Não acredito no amor incondicional.
O meu amor por ti tem condições.
Exijo-te o abraço. A preocupação. O amparo. A melhor comida do mundo. A confiança. Até os avisos em modo repeat.
Mas, acima de tudo, exijo-te a presença.

Do fingimento:

Sou muito boa a fingir que ignoro pessoas.
Se me orgulho disso? Não. Mas que dá jeito, dá.

Do dia da mãe (ou as dúvidas existenciais de um domingo à noite):

Eu sei que gostas de mim.
Olho para os teus olhos e tudo o que eles me dizem traduz-se em amor.
Também sei que tens orgulho. Que faço coisas que tu, por mais que quisesses, nunca conseguirias fazer.
Sei que tens na tua vida um lugar para a minha. Que já morreste de muitas maneiras para que eu pudesse viver. 

Sei tudo. Só nunca soube se gostas tanto de mim por ser como sou ou por ser tua filha.
Afinal de contas, o que mudaria se por algum acaso, eu não fosse a tua filha?
O que farias com o amor que sentes por mim? 

Depois, questiono-me: Gosto de ti por seres como és ou por seres minha mãe? 
Também não sei e, por isso, fico sem coragem para te perguntar o mesmo.

E, para tranquilizar-me, penso para mim que nos gostamos e isso, é capaz de ser suficiente.
Inexplicáveis, como todos os amores.

Random days:

Há dias que morres no meu coração.

Mrs. Brightside:

O lado bom das músicas novas é que não nos fazem lembrar nada nem ninguém.

¡Joder! Lo extraño...

Sempre que abro a porta de casa, a parede continua a dizer-me, em letras pretas e maiúsculas, que "vivir es mejor que soñar".

É a tua letra. Por isso, eu acredito e sou feliz.


(Continuou a confiar em ti.)

Palavras dos outros:

"Gosto da ideia de se fazer, todos os dias, uma coisa que nos assusta."

O que é que estás a pensar começar amanhã?


Post-it:

Aqui a luz é diferente do resto do mundo.

Ao ouvido:

Aqui cabe tudo o que não consegues dizer lá para fora.

Notes to myself:

O medo serve para avançar.

Dos sonhos:

O que é que se pode esperar de alguém que não sabe sonhar?