As pessoas de esquerda nunca se endireitam (ou como só conheço as erradas):

A falta de sentido de humor, a forma gratuita com que ofendem as pessoas, a forma demasiado séria como olham o mundo, o apontar fácil do dedo, a maneira formatada com que pensam, a insistência com que tentam impingir as próprias ideias e, acima de tudo, a incapacidade de ouvirem os outros ou o desprezo com que o fazem.

Lê-me nas entrelinhas:

Está tudo escrito entre o espaço entre uma palavra e a seguinte.
O resto não importa.

Quando for grande, o D. quer ser dinossauro:

Podias ser futebolista. Ou um astronauta.
Podias ser policia.
Podias ser apenas e só um bom homem.

As noticias quase sempre me fazem pensar para além da própria história.
O que faz um pai e uma mãe procurar um filho desaparecido em 1979?
25 de maio de 1979. Trinta e três anos depois.
Como é que vivem os dias? Como é que se deitam à noite?
Como é que se libertam do quarto de um filho de seis anos que parou no tempo de 1979.

Podias ser um grande arquitecto.
Podias ser apenas e só um bom homem. Ou um bom pai.

O que faz uma mãe e um pai passarem trinta e três anos à procura do desejo que é saber, pelo menos, onde está o filho. Onde vive ou como morreu.
Mais do que perder um filho a dúvida de saber se o perdeu ou não.
Que a vida me livre de acordar com a imagem na cabeça de um quarto parado no tempo com roupa de seis anos para alguém que hoje tem trinta e nove.

Podias ter sido pintor ou um amante de poesia.
Podias ter sido apenas e só um miúdo feliz.

Quis a vida que hoje, num sitio que não conheço, passes trinta e três anos a tentar encontrar os teus pais de volta.
(Que nunca percamos o rumo.)

Podias ter sido apenas e só um bom homem.
(Que nunca nos percamos um do outro)

O tempo, o rosto, por detrás da cal:

Há vinte e três anos que estás ao meu lado. E vinte e três anos não são nada comparados com a alegria de te ter perto de mim. Não sei se algum dia entenderás o que sinto por te ter perto. Nunca se percebe este amor. Eu nunca o vou perceber. O dia mais feliz da tua vida foi o dia em que eu nasci. O dia mais feliz da minha vida foi o dia em que te conheci. E isso é muito mais do que os vinte e três anos que vivemos juntas.
Vinte e três anos não são nada comparados com a alegria que vamos ter até ao último dia que te consiga ver. E ouvir. E cheirar.
O teu sorriso é a minha maior alegria. E os teus abraços, vindos sem te pedir.
Ao teu lado nunca preciso de mais ninguém porque quero sempre que me vejas como a pessoa que mais te ama no mundo.
Quero ter sempre a força para te dizer que és a melhor coisa que passou na minha vida porque ver-te envelhecer é a melhor das partes de me ver crescer. Tu a envelheceres e eu a crescer. Ver-te envelhecer é das poucas alegrias que tenho quando cresço.
Vinte e três meses ou vinte e três anos. Não importa.
O que importa é o amor e esse será para sempre a minha única e grande certeza.

São truques de quem finge esquecer

Não fales sobre isso.
Sobretudo, não escrevas sobre isso.
A palavra escrita tem uma dimensão maior do que a falada porque fica marcada. Fica-te marcada. Os pormenores de cada letra e o sentido de cada frase.
A palavra escrita é mais difícil de esquecer porque fica exposta ao mundo e nós ficamos mais desprotegidos.
Se queres fingir bem, não escrevas nem fales sobre isso para não acordares o que tentas esquecer.

Não tenhas pressa porque há coisas que só se podem escrever quando deixam de doer.

Let's put an end to this:

A vida segue.
Como seguem todas as coisas que não têm (inicialmente) sentido.

Das expectativas:

Não esperar nada também pode ser uma forma de expectar coisas.
Tão grandes que não se conseguem esperar.

A falta de expectativas pode ser fatal.

Dos segredos, do respeito ou da cobardia:

O respeito é uma coisa forte.
Por lhe ter faltado, é a única pessoa contra quem deixei de conseguir argumentar.

Soubesse eu que a falta de respeito me guiava a isto e voltaria atrás para ter o direito de dizer-lhe duas ou três coisas.

I've got an atlas in my hands:

Quando a mão que toca a tua mão já não é a minha mão.

Os meus amigos dizem coisas mais bonitas que eu:

Há uma caixa dentro do peito onde as tristezas se guardam.

Departure gate:

Partir é mais fácil do que se pensa. Difícil é decidir quem se leva connosco. 

Apontamento sobre a felicidade:

Hei-de estar aqui, ou não fosse a minha felicidade depender também da tua.

Dos caminhos:

Somos a transição entre o que fomos e o que seremos.
Vamos sendo apenas caminho para aquilo que queremos ser mas podemos ser o caminho para tudo.

It's all about geography, baby:

Isto onde vivo não é um país, é um sítio. E nem sequer é bem frequentado.

Da improbabilidade:

Fazer o bem com pessoas que só conseguem ser más.
Parece impossível mas acontece e é notável.

'Cause I got time while she got freedom:

Quero escrever para ti. Sim, para ti que és o meu sol.
Para ti que te vais embora e me deixas com um sorriso.
Para ti que reparas nos pormenores do meu riso e nos detalhes da minha cara.
Para ti que me salvas os dias com a tua voz.
Para ti que me ouves até ao fim.
Para ti, com quem quero muito estar até ao fim. Ou sem fim.

Podemos ser um início todos os dias.


Se quisermos, recriamos o nosso mundo todas as manhãs e podemos ser felizes.

(Eu quero)

Saudade:

O que é isso de ter saudade?
Pergunto-me desde que acordei o que significa esta palavra.
Sempre a tive comigo. Sempre a ensinei. Mas hoje não a entendo. Não a resolvo.
Tenho saudades do tempo onde não havia nada para justificar.

Hoje li uma mensagem de manhã. Entre outras coisas dizia: "B, gosto muito de ti". Isto dá-me saudades.
Dá-me saudades de não ter feito um caminho diferente que em tempos escolhi.
Os vários caminhos que nós escolhemos.

Saudades de dar vida em busca de vida.
Saudades de ti, que devias entrar aqui pelo quarto adentro.
Saudades de mim. Sinto saudades de ti.
Um abraço.
Um olhar nos olhos.
O coração dói-me e eu quero chorar. Mas são seis da tarde e ninguém chora às seis da tarde.
Espero mais. São dez da noite. Talvez já possa.

Hoje acordei com isto na cabeça e fiz da saudade a minha pior inimiga.

Só quero a verdade

Abre o coração. Aceita as possibilidades. Deixa a vida manifestar-se.

Palavras simples:

Naquelas paredes, escrevíamos a vida e imaginávamos todos os sonhos.
Ali, naquele quarto, de paredes brancas e mobília nova.
Uma resma de papel e nós escrevíamos.
Aquele quarto era o nosso mundo. Naquelas paredes desenhámos os nossos sonhos.
Escrevia para ti num livro para que pudesses ler no dia a seguir.
Escrevíamos um diário sem o rigor temporal.
Eu e a J. éramos intemporais.
Eu escrevia sobre o amor. Ela escrevia sobre o amor pelas coisas.
Escrevíamos uma pela outra e o amor de escrever era maior do que tudo.
Vivíamos muito. Vivíamos a vida que sabíamos temporal.
Vim embora e deixei coisas para trás.
Perdi amigos. A J. também ficou para trás.
Acabámos por viver as vidas que a vida nos deu. As imagens da nossa vida uma na outra desapareceram - é uma memória.
Separaram as nossas vidas. Um dia escreveste-me uma carta e pediste-me para ser simples.
Foi essa carta, que já não guardo, que mudou a minha vida. Esse pedido, simples.
Sei que li a carta em casa e não parei de chorar. Li-a uma. Duas. Três vezes.
As palavras da J. sempre me tocaram. As boas. As más. E as simples, também.
As palavras juntaram-nos. E a vida separou-nos.
Que a vida nos volte a dar uma à outra.
As tuas palavras continuam na minha cabeça. E agora, mais do que nunca, as memórias percorrem-me constantemente.
Hoje, quando estava deitada ao sol, vi raros momentos de beleza. Reparei que ao virar da esquina, estão as nossas melhores imagens. Não vou deixar de virar as esquinas. Não deixes de virar as esquinas.

Simples: Tenho saudades tuas, J.

Que nunca fique nada por dizer:

Hoje comecei a saber a palavra saudade.
Estás aqui. Sei que estás.

Uma palavra, nada mais.
Um caminho. Uma poesia.
Um avião que aterra.
Um. Dois minutos depois.
Uma letra.
Uma cama.
Um meio. Um corpo.
Um. Dois. Três. Silêncio.
Um arrepio.
Uma e outra vez.
Uma paixão.
Uma melodia. Uma palavra.
Nada. Zero. O inicio.
Um caminho.
Sim e não.
Uma música.
Uma partida. Um final.
Uma vida. Duas vidas.
Uma palavra. Uma única palavra.
Mil memórias.

What if....

E se em vez de guiarmos a vida pela condicionante de que o mundo pode acabar amanhã, nos deixassemos levar pela certeza de que o mundo começaria amanhã?

Vou pensar nisto.

We were so young and invincible:

Podíamos ter sido tudo.
E, de facto, fomos.

Do amor ao ódio. Do silêncio aos gritos.
Da vida à morte. Da presença à ausência.
Dos sorrisos às làgrimas. Da coragem ao medo.
Da descoberta ao conhecido. Da àgua ao fogo.
Do início ao fim.

Fomos tudo. Percorremos o espectro todo.
Esgotamo-nos de possibilidades.
Talvez, por isso, já não haja mais nenhuma história para viver.

(Está tudo bem. só não sei se ainda somos tão felizes)

Amor:

É palavra para toda a vida. É a vida toda numa palavra.

(sem químicos)

Hassal's Corpuscle:

Também és assim em mim: com função desconhecida.

A emoção da vitória. As lágrimas da derrota. Os abraços depois de tudo.

Nunca mais será o que era. A verdade é que dói.
Escondo o receio de encarar a vergonha que é estar triste porque se quis.
Escorreguei naquele dia de Verão.
Faltavam dez segundos, lembro-me desse momento. Eu não consegui suster as lágrimas. Os últimos dez segundos. Tinha-vos comigo, sessenta minutos. Uma vida. Os dez segundos do fim. Depois do fim. Sempre. Sempre vocês. Sempre nós.
Chorámos. Chorámos muito. Ali, naquele círculo nosso, dentro de paredes que sabíamos de cor. O preto e o branco. As linhas que marcavam a nossa vida.
Depois aquele silêncio. Não há silêncio como nosso. Não é um silêncio reconfortante. É o silêncio de quem tem muito para dizer. O silêncio de quem está a dizer tudo.
Não sei quanto tempo estivemos assim. Em silêncio. No nosso abraço. Com uma paz atribulada. A paz de quem sabe que o mundo vai acabar mas que ainda está ali, sereno, a aproveitar aquele abraço, pela última vez.
Sacralizei esse momento. Volto lá muitas vezes. Não sei quanto tempo estivemos ali. Cinco segundos. Cinco minutos. Talvez a nossa vida.
Vocês choravam por mim. Eu chorava por todas.

Nunca mais será o que era. E isso dói. Somos sempre inferiores ao tempo.
Quando dizem que gostam de mim, eu penso sempre em vocês. Porque o melhor de mim, foi construído por vocês. Isto que sou, é muito mais vosso do que meu. Isto que me tornei, são vocês dentro de mim. Por isso, quando gostam de mim, não é de mim que as pessoas verdadeiramente gostam. É de vocês.
Da boa vontade da M. Da cumplicidade da E. Da amizade da G. Do bom humor da S. Da vontade da C. Do espírito da V. Da força da R. Da ambição da B. Da segurança da I. Da calma da X. Da criatividade da P. Da atitude do R. Da convicção do A.

Posso morrer mas não vos quero perder.
Podem partir mas não me podem deixar.
Às vezes, abdico da minha vontade para tentar não me afastar do vosso olhar porque nunca mais será o que era e isso dói.


Promessas:

Nunca mais te deixo sozinha. Nunca. 

Give it to me:

Luz.
Vontade de ti.
Caras e corpos. Pessoas
. Figuras. 
A tua mão. A minha mão.
Imponência e fé.
Adormecer na rua.
Sítios e ruas. Vidas e destinos.
Acordar em ti. Contigo.
Fotografias. Imortalidade.
Lembranças

Vertigens e céu. História. 
O problema de expressão.
A chama ardente.
Metro. Submundo. Velocidade. Escuridão.
Música e letras. Palavras e coincidências.
A viola.
Donald Kurt Cobain. Cemitério. Morte e mito.
A voz. A tua. Ensonada.
Gostar e acreditar.
Praia e castelos. Risos.
O teu sorriso.
Desenhos e tintas. Arte e cultura.
O Mundo. O azul.
Cidade. Magia e encanto.
Gestos e olhares .
Tu. Sempre tu.
Porquê? Nao sei. Porque sim. Porque quero.

Deixa que o silêncio se torne cúmplice:

Falei de ti e contei-lhe o nosso fim.
E, pela primeira vez na vida, consegui relembrar-te sem sentir mágoa do fim das coisas que julgávamos eternas.
Sei que não mudaste e que continuo a conhecer-te bem.
Apeteceu-me ligar-te para contar a minha vontade de que sejas sempre feliz.
No Verão, havemos de nos cruzar por entre o fogo. Vou sorrir-te e saberás que apesar de tudo, serás sempre alguém sem lugar nem tempo para mim.


Hei-de ver-te para sempre, L.

Warning:

Antes de adormeceres, sonha.

Sometimes holding hands is safe

Some other times, it's all we've got.
It takes courage, love, time and space.
But it brings a lot of things worth the try.

(I will always have my hand sliding towards yours)

We all became such fragile broken things:

You're a beautiful mess.

Forças paradoxais:

E se tu fores a força imparável e eu o objecto inamovível?

Da vida:

Sermos o que quisermos - é a única coisa que a vida nos impõe.
O resto são escolhas nossas.

Palavras dos outros:

"I know it hurts. But it's life, and it's real. And sometimes it fucking hurts, but it's life, and it's pretty much all we got."

(Garden State)

They say memories last forever

Os prédios podem desabar. As pessoas podem ir embora. Mas eu poderei sempre voltar às minhas memórias.

Palavras dos outros:

Dicotomia:

Ama a prática. Questiona a teoria. 

A paz na dor:

Tens no meu mundo as perguntas e os porquês.
Quando estou contigo eu sou o que vês.

Como se fosses tu(do)....


Dos homens:

Não gosto de homens explícitos. Fáceis.
Que usem ornamentos à volta do pescoço - é paneleiro. Que usem t-shirts justas em V e se depilem porque continua a ser paneleiro.
Não gosto de homens que não consigam ver para além do óbvio.
Os homens que gosto, conseguem dormir profundamente a noite toda, mesmo que o mundo deles esteja a ruir. Homens que não vacilem com problemas.
Não gosto dos indecisos e inseguros. Dão-me pena, e isso não abona nada a favor deles.
Nem dos que se preocupem com o cabelo, com a roupa que vão vestir amanhã. Que tenham um aspecto arrumado e limpo.
Detesto homens que usam diminutivos - isso, então, é do mais paneleiro que pode haver. Dos românticos, que preparam jantares à luz das velas e oferecem flores - é piroso.
O meu homem tem de ser imperfeito. Com a barba por fazer, despenteado e as mãos grandes. Chegar a casa a dizer para fazermos um salto de paraquedas ou bungee jumping.
Gosto de homens que saibam resistir. Que consigam dizer que não. Que andem com o peito para fora e os ombros direitos.
Não gosto deles emotivos e emocionais, que chorem mais do que eu. E não vou à bola com os que usem anéis, nem a aliança - é paneleiro, pronto. Não convivo com os exibicionistas; os que falam muito; os que não conseguem conjugar um verbo e os que conseguem a proezar de cometer um erro ortográfico por frase (não é paneleiro mas não demonstra inteligência).
Gosto de homens que se preocupem com o futuro. Que tenham objectivos. Que saibam para onde querem ir. Que tenham alguma coisa que os apaixone verdadeiramente.
Por outro lado, não percebo os que levantam a voz para mostrar autoridade, nem dos que pensam que o lugar das mulheres é na cozinha. Muito menos dos infantis, que se riem cada vez que ouvem a palavra banana. Nem dos que andam com malas. O meu homem há-de andar com a carteira, o telemovel e as chaves no bolso, mesmo que perca tudo, não me importo.
Gosto dos observadores, que se lembram que eu não gosto de café. Dos que dão nas vistas pela simplicidade. Dos que não mostram facilmente que gostam de mim, de uma maneira demasiado óbvia. Gosto dos que me deixam na dúvida. Dos que me testam. Que consigam dar-me luta.
Não percebo os homens que não sabem mexer num computador. Dos que usam brinco - paneleiro, lá está. Que insistem em pagar todos os jantares. Que usam gorro e t-shirt ao mesmo tempo. Que vestem calças brancas (para lá de paneleiro). Dos que ainda pensem que o sexo é na cama (e há mais desses do que aquilo que eu julgava....).
Não gosto dos homens que fazem tudo o que digo. Gosto dos que têm o poder de me enervar. De fazer as coisas ao contrário, à maneira deles, mesmo quando sabem que não vou gostar. E que se riam de mim quando estou irritada.
Não gosto dos ciumentos, que perguntam todas as horas onde estou e com quem estou (não é paneleiro mas demonstra insegurança). Nem dos homens que não saibam apreciar a beleza dos outros homens. Muito menos dos que mandam mensagem depois do sexo a dizer que gostaram.

Sim, sobram poucos homens para eu gostar.

Matemática da vida:

Ainda tens 27 anos.
Farias 28 em Julho.
Continuamos a ter 4 anos de diferença.
Imagino-te sempre mais velho porque, de facto, ainda és.
Um dia, farei 27 anos e teremos a mesma idade.
Depois ficarei mais velha que tu.
Não sei como é que te vou pensar mais novo do que eu. 
Não quero pensar nisso. 
Faltam 4 anos, pode ser que ainda voltes... - penso para mim.

Todo o amor do mundo:

Será que continuamos a partilhar o mesmo por-do-sol?

My love won't do you no harm

Imagino sempre o que me dirias se ainda estivesses aqui.
A porta abre-se e imagino seres tu.
Oiço passos e imagino o barulho irritante que as tuas sapatilhas faziam e que tu teimavas usar.
Nunca é tarde para te dar um abraço.
Hoje não vamos discutir para saber quem lava a loiça.
Tu não estás aqui e eu continuo a imaginar a minha vida contigo.
Imagino-te a entrar por aquela porta. O som que a chave faz na fechadura. A tua voz, ainda do outro lado, a dizeres coisas imperceptíveis. A tua voz, aqui dentro de casa, a perguntar o que é que há de jeito para comer.
Dás-me um beijo. Dizes que o meu cabelo cheira bem. Dizes sempre que o meu cabelo cheira bem. Sentas-te na cama a olhar para mim. Invariavelmente, a pergunta: Como é que correu o dia hoje?
Sorris. Dizes que sou parva. Sorris outra vez.

Fazemos planos para o fim-de-semana. Saem sempre furados. Na pressa de os queremos realizar, não esperamos por sexta-feira. Começamos, logo ali, na segunda-feira a sermos felizes e a aproveitar a vida.
Bebemos cerveja. É barato e podemos brincar.
A nós, que nunca fique nada por dizer. Brindávamos sempre a isso.
Não ficou nada por te dizer. (Porque te escrevo, então?)
Adiamos o estudo. Mais um filme. Mais um beijo. Agora é a sério, tem de ser. Vamos passar. Somos jovens, inteligentes e podemos ser tudo o que quisermos.
Nunca levamos o estudo até ao fim. Há sempre uma gargalhada que se solta e nos distraí. Uma pergunta fora de tempo que nos leva a uma conversa de horas.
Somos assim juntos. Pregas-me sustos. Fazes-me partidas e eu ainda oiço a tua gargalhada, quase sem ar, no corredor da nossa casa.
De manhã, sais antes de mim e deixas-me um post-it escrito na porta: "If you are reading this it means i love you - Buenos dias, guapa!".

Partilhamos o lusco-fusco com amigos. Bebemos cerveja. Olhamos um para o outro e sabemos exactamente ao que estamos a  brincar.
Perguntam-nos porque é que não assumimos isto de uma vez por todas. Rimo-nos. Bastamo-nos assim. Não nos rotulamos. As regras são tácitas. Respeitamo-nos, e isso é suficiente. As pessoas insistem. Espero que respondas por mim. Ris ainda mais. Nunca ninguém há-de entender. Sobre nós, nunca ninguém há-de saber tudo.
Chega o fim-de-semana e fazemos o que nos apetecer. Às vezes repetimos o que fizemos durante a semana. Sexta-feira é sempre sagrada. Temos sempre o mesmo roteiro. Acabamos sempre por ver as mesmas pessoas. Conhecemo-nos no sitio que ainda frequentamos todas as semanas. Um dia deste-me a mão e dançámos juntos o I Feel Good. Nunca mais nos largamos. Daí para a frente, o mundo foi nosso.

Acabamos sempre a noite no Moon Safari. Saímos e vimos o sol a brilhar. Já é sabado. Rimos até casa. Talvez do álcool ou da felicidade. Talvez as duas coisas misturadas. Chegamos a casa e sentamo-nos no chão a comer. Por vezes, adormecemos ali, um em cima do outro. Outras vezes, vamos para a cama. São três da tarde. Estamos sóbrios e o mundo continua a ser só nosso. Doi-te sempre a cabeça mas somos felizes assim.
Repetimo-nos todas as semanas e somos cada vez mais felizes assim.
E é exactamente isto que projecto para o meu futuro: Ser cada vez mais feliz. Assim, mesmo sem ti.


(Cada vez tenho mais medo de morrer. Eu não devia ter-te perdido.)

9 de Fevereiro de 2012

Dou-te um beijo.
Dou-te dois.
Três.
Dou-te os beijos que quiseres que dê.
So te peço que me ames para sempre e que me digas todos os dias.

Eu já quis ser feliz contigo

Duas mãos ancoradas. Dez dedos entrelaçados. 
Um dia acreditarei que o futuro seja diferente. 
Oxalá te veja amanhã.
Os teus olhos nunca mudam. Há coisas na vida que nunca se esquecem.
Estás aqui. Sei que estás.
Há uma palavra que resume tudo. Uma palavra. Nada mais.
Uma palavra. Mil memórias.

Day by day:


Vivíamos um dia de cada vez. Essa sensação era a melhor do mundo. Viver um dia de cada vez. A vida que levávamos era apenas e só isso: um dia de cada vez.  Uma história. Umas gargalhadas. Muito sexo. Muitas viagens. Corríamos atrás da vida que sabíamos estar a ser vivida um dia de cada vez, com uma paixão única e, talvez, temporal.
A vida juntou-nos. E separou-nos, também.
O quanto não vale viver assim...

Osmose:

Tu sabias que era feliz assim, com as nossas gargalhadas e os nossos silêncios e eu, sabia exactamente o mesmo.

Retórica:

Como é que se foge do que trazemos cá dentro?

Ao natural:

Há dias em que me bastas.

E se inventássemos o mar de volta?

Vou permanecer. Porque gosto de acreditar que nos precisamos.

Não me deixes ver-te para além de ti.

Do avesso:

Reconheço todos os meus defeitos.
Não tenho vontade de mudar nenhum.

Confissões:

Este blog era para se chamar "O amor é um comboio".

Depois de uma pesquisa pelo Google, descobri que o Tony Carreira tem uma música intitulada "Comboio do amor" e o Leornardo (que eu não conheço mas deve ser tão bom ou melhor que o Tony), canta "Amor de trem".
Percebi rapidamente que, com um titulo assim, o blog estaria destinado ao fracasso.
Mudei-lhe o nome. Duvido que lhe tenha mudado o destino.

Na vida, também é assim: Não traímos, agimos no calor do momento. Não mentimos, omitimos porque achamos que é o melhor para todos. Não nos afastamos das pessoas, apenas andamos ocupados. Não estamos triste, mas cansados.

O nome que damos ao que fazemos limita-se a justificar a nossa intenção e, às vezes, até isso fazemos mal.

Palavras dos outros:

valid until:

O que digo, ao contrário daquilo que imaginas, não tem a validade de uma vida.
É por isso, e só por isso, que preciso de repetir-te que gosto de ti.

As minhas palavras duram um dia, mesmo nos dias que não consigo gostar de ti.

A boca que pronuncia o amor também pode pronunciar o ódio.
Se esta dualidade de critérios assusta? Assusta. Mas, dizem que a vida é mesmo assim.

Da eternidade:

Não acredito em "para sempre".
Ter é muito diferente de possuir.

Incongruências:

Amo em ti pormenores que os outros odeiam.

(Isso faz de mim o quê?)

Ao ouvido:

Stay and fight.
I will fight with you.

Do medo:

Nada te persegue. Nada te atormenta.
Tu és o teu medo.

Como se mentir fosse segredo:

- Já me mentiste?
- Sim.
- Quando?
- Se disser, deixa de ser mentira...

Da beleza:

Saí de casa e nos quinze minutos que sucederam esse momento, disseram-me duas vezes que hoje estou bonita.

Os que nos acham bonitos verão em nós pormenores que não conseguimos detectar ou será que não conseguem reparar em imperfeições que, para nós, são tão claras?

A física explica:

O karma não existe.
O que há é a terceira lei de Newton: Ação - Reação.

Não há força solitária sem a sua contra-parte.
Já tinhas pensado nisto?

Weak point:

Abriu a porta e disse-me: "Now, get out of here and do something you really love".

E eu vim para casa sem saber o que fazer.

Ainda sobre o dia da mãe (ou como o amor me faz pensar):

Não acredito no amor incondicional.
O meu amor por ti tem condições.
Exijo-te o abraço. A preocupação. O amparo. A melhor comida do mundo. A confiança. Até os avisos em modo repeat.
Mas, acima de tudo, exijo-te a presença.

Do fingimento:

Sou muito boa a fingir que ignoro pessoas.
Se me orgulho disso? Não. Mas que dá jeito, dá.

Do dia da mãe (ou as dúvidas existenciais de um domingo à noite):

Eu sei que gostas de mim.
Olho para os teus olhos e tudo o que eles me dizem traduz-se em amor.
Também sei que tens orgulho. Que faço coisas que tu, por mais que quisesses, nunca conseguirias fazer.
Sei que tens na tua vida um lugar para a minha. Que já morreste de muitas maneiras para que eu pudesse viver. 

Sei tudo. Só nunca soube se gostas tanto de mim por ser como sou ou por ser tua filha.
Afinal de contas, o que mudaria se por algum acaso, eu não fosse a tua filha?
O que farias com o amor que sentes por mim? 

Depois, questiono-me: Gosto de ti por seres como és ou por seres minha mãe? 
Também não sei e, por isso, fico sem coragem para te perguntar o mesmo.

E, para tranquilizar-me, penso para mim que nos gostamos e isso, é capaz de ser suficiente.
Inexplicáveis, como todos os amores.

Random days:

Há dias que morres no meu coração.

Mrs. Brightside:

O lado bom das músicas novas é que não nos fazem lembrar nada nem ninguém.

¡Joder! Lo extraño...

Sempre que abro a porta de casa, a parede continua a dizer-me, em letras pretas e maiúsculas, que "vivir es mejor que soñar".

É a tua letra. Por isso, eu acredito e sou feliz.


(Continuou a confiar em ti.)

Palavras dos outros:

"Gosto da ideia de se fazer, todos os dias, uma coisa que nos assusta."

O que é que estás a pensar começar amanhã?


Post-it:

Aqui a luz é diferente do resto do mundo.

Ao ouvido:

Aqui cabe tudo o que não consegues dizer lá para fora.

Notes to myself:

O medo serve para avançar.

Dos sonhos:

O que é que se pode esperar de alguém que não sabe sonhar?