Lê-me nas entrelinhas:

Está tudo escrito entre o espaço entre uma palavra e a seguinte.
O resto não importa.

O tempo, o rosto, por detrás da cal:

Há vinte e três anos que estás ao meu lado. E vinte e três anos não são nada comparados com a alegria de te ter perto de mim. Não sei se algum dia entenderás o que sinto por te ter perto. Nunca se percebe este amor. Eu nunca o vou perceber. O dia mais feliz da tua vida foi o dia em que eu nasci. O dia mais feliz da minha vida foi o dia em que te conheci. E isso é muito mais do que os vinte e três anos que vivemos juntas.
Vinte e três anos não são nada comparados com a alegria que vamos ter até ao último dia que te consiga ver. E ouvir. E cheirar.
O teu sorriso é a minha maior alegria. E os teus abraços, vindos sem te pedir.
Ao teu lado nunca preciso de mais ninguém porque quero sempre que me vejas como a pessoa que mais te ama no mundo.
Quero ter sempre a força para te dizer que és a melhor coisa que passou na minha vida porque ver-te envelhecer é a melhor das partes de me ver crescer. Tu a envelheceres e eu a crescer. Ver-te envelhecer é das poucas alegrias que tenho quando cresço.
Vinte e três meses ou vinte e três anos. Não importa.
O que importa é o amor e esse será para sempre a minha única e grande certeza.

São truques de quem finge esquecer

Não fales sobre isso.
Sobretudo, não escrevas sobre isso.
A palavra escrita tem uma dimensão maior do que a falada porque fica marcada. Fica-te marcada. Os pormenores de cada letra e o sentido de cada frase.
A palavra escrita é mais difícil de esquecer porque fica exposta ao mundo e nós ficamos mais desprotegidos.
Se queres fingir bem, não escrevas nem fales sobre isso para não acordares o que tentas esquecer.

Não tenhas pressa porque há coisas que só se podem escrever quando deixam de doer.

Let's put an end to this:

A vida segue.
Como seguem todas as coisas que não têm (inicialmente) sentido.

Das expectativas:

Não esperar nada também pode ser uma forma de expectar coisas.
Tão grandes que não se conseguem esperar.

A falta de expectativas pode ser fatal.

Os meus amigos dizem coisas mais bonitas que eu:

Há uma caixa dentro do peito onde as tristezas se guardam.

Departure gate:

Partir é mais fácil do que se pensa. Difícil é decidir quem se leva connosco. 

Apontamento sobre a felicidade:

Hei-de estar aqui, ou não fosse a minha felicidade depender também da tua.

Dos caminhos:

Somos a transição entre o que fomos e o que seremos.
Vamos sendo apenas caminho para aquilo que queremos ser mas podemos ser o caminho para tudo.

Da improbabilidade:

Fazer o bem com pessoas que só conseguem ser más.
Parece impossível mas acontece e é notável.

Saudade:

O que é isso de ter saudade?
Pergunto-me desde que acordei o que significa esta palavra.
Sempre a tive comigo. Sempre a ensinei. Mas hoje não a entendo. Não a resolvo.
Tenho saudades do tempo onde não havia nada para justificar.

Hoje li uma mensagem de manhã. Entre outras coisas dizia: "B, gosto muito de ti". Isto dá-me saudades.
Dá-me saudades de não ter feito um caminho diferente que em tempos escolhi.
Os vários caminhos que nós escolhemos.

Saudades de dar vida em busca de vida.
Saudades de ti, que devias entrar aqui pelo quarto adentro.
Saudades de mim. Sinto saudades de ti.
Um abraço.
Um olhar nos olhos.
O coração dói-me e eu quero chorar. Mas são seis da tarde e ninguém chora às seis da tarde.
Espero mais. São dez da noite. Talvez já possa.

Hoje acordei com isto na cabeça e fiz da saudade a minha pior inimiga.

Só quero a verdade

Abre o coração. Aceita as possibilidades. Deixa a vida manifestar-se.

Palavras simples:

Naquelas paredes, escrevíamos a vida e imaginávamos todos os sonhos.
Ali, naquele quarto, de paredes brancas e mobília nova.
Uma resma de papel e nós escrevíamos.
Aquele quarto era o nosso mundo. Naquelas paredes desenhámos os nossos sonhos.
Escrevia para ti num livro para que pudesses ler no dia a seguir.
Escrevíamos um diário sem o rigor temporal.
Eu e a J. éramos intemporais.
Eu escrevia sobre o amor. Ela escrevia sobre o amor pelas coisas.
Escrevíamos uma pela outra e o amor de escrever era maior do que tudo.
Vivíamos muito. Vivíamos a vida que sabíamos temporal.
Vim embora e deixei coisas para trás.
Perdi amigos. A J. também ficou para trás.
Acabámos por viver as vidas que a vida nos deu. As imagens da nossa vida uma na outra desapareceram - é uma memória.
Separaram as nossas vidas. Um dia escreveste-me uma carta e pediste-me para ser simples.
Foi essa carta, que já não guardo, que mudou a minha vida. Esse pedido, simples.
Sei que li a carta em casa e não parei de chorar. Li-a uma. Duas. Três vezes.
As palavras da J. sempre me tocaram. As boas. As más. E as simples, também.
As palavras juntaram-nos. E a vida separou-nos.
Que a vida nos volte a dar uma à outra.
As tuas palavras continuam na minha cabeça. E agora, mais do que nunca, as memórias percorrem-me constantemente.
Hoje, quando estava deitada ao sol, vi raros momentos de beleza. Reparei que ao virar da esquina, estão as nossas melhores imagens. Não vou deixar de virar as esquinas. Não deixes de virar as esquinas.

Simples: Tenho saudades tuas, J.

Que nunca fique nada por dizer:

Hoje comecei a saber a palavra saudade.
Estás aqui. Sei que estás.

Uma palavra, nada mais.
Um caminho. Uma poesia.
Um avião que aterra.
Um. Dois minutos depois.
Uma letra.
Uma cama.
Um meio. Um corpo.
Um. Dois. Três. Silêncio.
Um arrepio.
Uma e outra vez.
Uma paixão.
Uma melodia. Uma palavra.
Nada. Zero. O inicio.
Um caminho.
Sim e não.
Uma música.
Uma partida. Um final.
Uma vida. Duas vidas.
Uma palavra. Uma única palavra.
Mil memórias.

What if....

E se em vez de guiarmos a vida pela condicionante de que o mundo pode acabar amanhã, nos deixassemos levar pela certeza de que o mundo começaria amanhã?

Vou pensar nisto.

We were so young and invincible:

Podíamos ter sido tudo.
E, de facto, fomos.

Do amor ao ódio. Do silêncio aos gritos.
Da vida à morte. Da presença à ausência.
Dos sorrisos às làgrimas. Da coragem ao medo.
Da descoberta ao conhecido. Da àgua ao fogo.
Do início ao fim.

Fomos tudo. Percorremos o espectro todo.
Esgotamo-nos de possibilidades.
Talvez, por isso, já não haja mais nenhuma história para viver.

(Está tudo bem. só não sei se ainda somos tão felizes)

Amor:

É palavra para toda a vida. É a vida toda numa palavra.

(sem químicos)

A emoção da vitória. As lágrimas da derrota. Os abraços depois de tudo.

Nunca mais será o que era. A verdade é que dói.
Escondo o receio de encarar a vergonha que é estar triste porque se quis.
Escorreguei naquele dia de Verão.
Faltavam dez segundos, lembro-me desse momento. Eu não consegui suster as lágrimas. Os últimos dez segundos. Tinha-vos comigo, sessenta minutos. Uma vida. Os dez segundos do fim. Depois do fim. Sempre. Sempre vocês. Sempre nós.
Chorámos. Chorámos muito. Ali, naquele círculo nosso, dentro de paredes que sabíamos de cor. O preto e o branco. As linhas que marcavam a nossa vida.
Depois aquele silêncio. Não há silêncio como nosso. Não é um silêncio reconfortante. É o silêncio de quem tem muito para dizer. O silêncio de quem está a dizer tudo.
Não sei quanto tempo estivemos assim. Em silêncio. No nosso abraço. Com uma paz atribulada. A paz de quem sabe que o mundo vai acabar mas que ainda está ali, sereno, a aproveitar aquele abraço, pela última vez.
Sacralizei esse momento. Volto lá muitas vezes. Não sei quanto tempo estivemos ali. Cinco segundos. Cinco minutos. Talvez a nossa vida.
Vocês choravam por mim. Eu chorava por todas.

Nunca mais será o que era. E isso dói. Somos sempre inferiores ao tempo.
Quando dizem que gostam de mim, eu penso sempre em vocês. Porque o melhor de mim, foi construído por vocês. Isto que sou, é muito mais vosso do que meu. Isto que me tornei, são vocês dentro de mim. Por isso, quando gostam de mim, não é de mim que as pessoas verdadeiramente gostam. É de vocês.
Da boa vontade da M. Da cumplicidade da E. Da amizade da G. Do bom humor da S. Da vontade da C. Do espírito da V. Da força da R. Da ambição da B. Da segurança da I. Da calma da X. Da criatividade da P. Da atitude do R. Da convicção do A.

Posso morrer mas não vos quero perder.
Podem partir mas não me podem deixar.
Às vezes, abdico da minha vontade para tentar não me afastar do vosso olhar porque nunca mais será o que era e isso dói.


Promessas:

Nunca mais te deixo sozinha. Nunca. 

Give it to me:

Luz.
Vontade de ti.
Caras e corpos. Pessoas
. Figuras. 
A tua mão. A minha mão.
Imponência e fé.
Adormecer na rua.
Sítios e ruas. Vidas e destinos.
Acordar em ti. Contigo.
Fotografias. Imortalidade.
Lembranças

Vertigens e céu. História. 
O problema de expressão.
A chama ardente.
Metro. Submundo. Velocidade. Escuridão.
Música e letras. Palavras e coincidências.
A viola.
Donald Kurt Cobain. Cemitério. Morte e mito.
A voz. A tua. Ensonada.
Gostar e acreditar.
Praia e castelos. Risos.
O teu sorriso.
Desenhos e tintas. Arte e cultura.
O Mundo. O azul.
Cidade. Magia e encanto.
Gestos e olhares .
Tu. Sempre tu.
Porquê? Nao sei. Porque sim. Porque quero.

Deixa que o silêncio se torne cúmplice:

Falei de ti e contei-lhe o nosso fim.
E, pela primeira vez na vida, consegui relembrar-te sem sentir mágoa do fim das coisas que julgávamos eternas.
Sei que não mudaste e que continuo a conhecer-te bem.
Apeteceu-me ligar-te para contar a minha vontade de que sejas sempre feliz.
No Verão, havemos de nos cruzar por entre o fogo. Vou sorrir-te e saberás que apesar de tudo, serás sempre alguém sem lugar nem tempo para mim.


Hei-de ver-te para sempre, L.

Warning:

Antes de adormeceres, sonha.

Sometimes holding hands is safe

Some other times, it's all we've got.
It takes courage, love, time and space.
But it brings a lot of things worth the try.

(I will always have my hand sliding towards yours)

We all became such fragile broken things:

You're a beautiful mess.

Forças paradoxais:

E se tu fores a força imparável e eu o objecto inamovível?

Da vida:

Sermos o que quisermos - é a única coisa que a vida nos impõe.
O resto são escolhas nossas.

Dicotomia:

Ama a prática. Questiona a teoria. 

A paz na dor:

Tens no meu mundo as perguntas e os porquês.
Quando estou contigo eu sou o que vês.

Do medo:

Nada te persegue. Nada te atormenta.
Tu és o teu medo.

Como se mentir fosse segredo:

- Já me mentiste?
- Sim.
- Quando?
- Se disser, deixa de ser mentira...

Ainda sobre o dia da mãe (ou como o amor me faz pensar):

Não acredito no amor incondicional.
O meu amor por ti tem condições.
Exijo-te o abraço. A preocupação. O amparo. A melhor comida do mundo. A confiança. Até os avisos em modo repeat.
Mas, acima de tudo, exijo-te a presença.

Do dia da mãe (ou as dúvidas existenciais de um domingo à noite):

Eu sei que gostas de mim.
Olho para os teus olhos e tudo o que eles me dizem traduz-se em amor.
Também sei que tens orgulho. Que faço coisas que tu, por mais que quisesses, nunca conseguirias fazer.
Sei que tens na tua vida um lugar para a minha. Que já morreste de muitas maneiras para que eu pudesse viver. 

Sei tudo. Só nunca soube se gostas tanto de mim por ser como sou ou por ser tua filha.
Afinal de contas, o que mudaria se por algum acaso, eu não fosse a tua filha?
O que farias com o amor que sentes por mim? 

Depois, questiono-me: Gosto de ti por seres como és ou por seres minha mãe? 
Também não sei e, por isso, fico sem coragem para te perguntar o mesmo.

E, para tranquilizar-me, penso para mim que nos gostamos e isso, é capaz de ser suficiente.
Inexplicáveis, como todos os amores.

Post-it:

Aqui a luz é diferente do resto do mundo.

Ao ouvido:

Aqui cabe tudo o que não consegues dizer lá para fora.

Notes to myself:

O medo serve para avançar.

Dos sonhos:

O que é que se pode esperar de alguém que não sabe sonhar?