A emoção da vitória. As lágrimas da derrota. Os abraços depois de tudo.

Nunca mais será o que era. A verdade é que dói.
Escondo o receio de encarar a vergonha que é estar triste porque se quis.
Escorreguei naquele dia de Verão.
Faltavam dez segundos, lembro-me desse momento. Eu não consegui suster as lágrimas. Os últimos dez segundos. Tinha-vos comigo, sessenta minutos. Uma vida. Os dez segundos do fim. Depois do fim. Sempre. Sempre vocês. Sempre nós.
Chorámos. Chorámos muito. Ali, naquele círculo nosso, dentro de paredes que sabíamos de cor. O preto e o branco. As linhas que marcavam a nossa vida.
Depois aquele silêncio. Não há silêncio como nosso. Não é um silêncio reconfortante. É o silêncio de quem tem muito para dizer. O silêncio de quem está a dizer tudo.
Não sei quanto tempo estivemos assim. Em silêncio. No nosso abraço. Com uma paz atribulada. A paz de quem sabe que o mundo vai acabar mas que ainda está ali, sereno, a aproveitar aquele abraço, pela última vez.
Sacralizei esse momento. Volto lá muitas vezes. Não sei quanto tempo estivemos ali. Cinco segundos. Cinco minutos. Talvez a nossa vida.
Vocês choravam por mim. Eu chorava por todas.

Nunca mais será o que era. E isso dói. Somos sempre inferiores ao tempo.
Quando dizem que gostam de mim, eu penso sempre em vocês. Porque o melhor de mim, foi construído por vocês. Isto que sou, é muito mais vosso do que meu. Isto que me tornei, são vocês dentro de mim. Por isso, quando gostam de mim, não é de mim que as pessoas verdadeiramente gostam. É de vocês.
Da boa vontade da M. Da cumplicidade da E. Da amizade da G. Do bom humor da S. Da vontade da C. Do espírito da V. Da força da R. Da ambição da B. Da segurança da I. Da calma da X. Da criatividade da P. Da atitude do R. Da convicção do A.

Posso morrer mas não vos quero perder.
Podem partir mas não me podem deixar.
Às vezes, abdico da minha vontade para tentar não me afastar do vosso olhar porque nunca mais será o que era e isso dói.


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