Quando for grande, o D. quer ser dinossauro:

Podias ser futebolista. Ou um astronauta.
Podias ser policia.
Podias ser apenas e só um bom homem.

As noticias quase sempre me fazem pensar para além da própria história.
O que faz um pai e uma mãe procurar um filho desaparecido em 1979?
25 de maio de 1979. Trinta e três anos depois.
Como é que vivem os dias? Como é que se deitam à noite?
Como é que se libertam do quarto de um filho de seis anos que parou no tempo de 1979.

Podias ser um grande arquitecto.
Podias ser apenas e só um bom homem. Ou um bom pai.

O que faz uma mãe e um pai passarem trinta e três anos à procura do desejo que é saber, pelo menos, onde está o filho. Onde vive ou como morreu.
Mais do que perder um filho a dúvida de saber se o perdeu ou não.
Que a vida me livre de acordar com a imagem na cabeça de um quarto parado no tempo com roupa de seis anos para alguém que hoje tem trinta e nove.

Podias ter sido pintor ou um amante de poesia.
Podias ter sido apenas e só um miúdo feliz.

Quis a vida que hoje, num sitio que não conheço, passes trinta e três anos a tentar encontrar os teus pais de volta.
(Que nunca percamos o rumo.)

Podias ter sido apenas e só um bom homem.
(Que nunca nos percamos um do outro)

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