O melhor forma de pedir é agradecer:

A gratidao é, provavelmente, a melhor qualidade humana. E, talvez (também) por isso, a mais dificil de encontrar.

Portugal dos pequeninos:

16 minutos de telejornal para falar sobre o calor que se faz sentir, ouvir a opinião dos habitantes de Lisboa, Évora e Beja sobre o assunto e a descida de temperatura prevista para quinta-feira.

Os homens mudam pouco, os portugueses, então, quase nada:

Portugal não é periférico porque o mundo é redondo.
Numa mesa redonda não há cabeceiras.

Antagonicamente, os portugueses, serão sempre uma circunferência fechada em si mesma.

Nota para o futuro:

Nunca poderei trabalhar em oncologia porque não acredito na utopia. Nem na esperança. Muito menos nos homens e na vida.
Trabalhar em oncologia é acreditar nisso tudo, sem morrer no dia a seguir.

Do sermão:

Não sei se o peixe morrerá pela boca. Sei que ouvem mas não falam e, entre todos os animais, são os únicos a que não se domam nem domesticam.
Apesar disso, comem-se uns aos outros e mil pequenos nunca bastarão para um grande. 
Continuo sem saber se os peixes, podem ou não, ser a personificação do Homem. Na dúvida, acredito que merecíamos melhor.

Milésimos de segundo:

Sabia-se ali, no espaço que lhe confinava a vida, dentro de paredes velhas, quase não-brancas que lhe sabiam os desgostos. No sitio onde descansava os anos restava-lhe a solidão e a força que a idade lhe conferiu. Quase conseguiu convencer-me que os olhos concordavam com as palavras mas, como todas as coisas que nos tentam enganar, manifestou os sinais de quem não sabia ou não queria mentir. O passado importa. Trouxe-nos até aqui por isso, tem de importar. Sermos passado é a única certeza que poderemos ter. Ainda que se idealize o futuro, este, não mais é senão a utopia daquilo que queremos fazer com o que somos, com o passado. Caso contrário, quando negou o sucedido, não poderia nunca olhar para a fotografia de família que ainda conservava ao lado da cama. Aquela moldura era o objecto mais velho da casa e, coincidentemente, o único que subsistia intacto. Ali, no espaço que lhe confinava os sonhos e o futuro, olhava o passado através de uma fotografia e libertava-se da vida. Sim, o passado importa, no mínimo para nos desembaraçarmos daquilo que nos tornámos e, no máximo, para justificarmos o futuro latente em tudo o que poderá vir a acontecer.

Déficit de atenção social:

Ninguém nos educa para as emoções.
Todos acham que a raiva é uma coisa feia e que o ódio não se pode sentir.
Educam-nos para reprimirmos as emoções e, sempre que não as traduzirmos em palavras, ficamos partidos ao meio.
Sentimos as coisas. Conseguimos intui-las mas depois, como que por magia, não as sabemos falar.
Sempre que somos deseducados para as emoções, somos afastados das palavras. Todos sabemos o poder das palavras, é por isso que quem escreve nunca poderá ser triste, como, às vezes, nos querem fazer acreditar. Quem escreve só poderá ser inteiro.

Love is like a magic mirror:

Por mais sucesso que o Sexo e a Cidade tenha tido, ainda não destronou, em audiência, a Branca de Neve e os Sete Anões.

Talvez isto seja a prova. Não é o sexo, os orgasmos, ou a falta deles. É o que se deu antes e depois de acontecer. A intimidade, o cheiro e o sabor. São as mãos dadas o caminho todo e o abraço que segura o que queremos. 

What's your heart's desire today?

Nunca é das minhas palavras preferidas.
Quando se diz nunca está-se a desafiar a existência.

Dou por mim a fazer coisas que tinha negado a possibilidade de futuro com um nunca.
O desejo é sempre a liberdade suprema. Ser surpreendente é a minha característica preferida da vida.

As fases passam. Os desejos ficam. E os que ficam, serão sempre a melhor definição possível do que somos. Não é o nome nem a idade. Não é o filme preferido ou o que gostamos de ler. Não são os gostos que definem o que somos. Os gostos, quanto muito, serão a reação à realidade que nos apresentam. Mas os desejos que ficam, o que realmente queremos, não tem nada a ver com a realidade nem com o que nos rodeia. É independente.

Ser filho de pescadores e ter o desejo profundo de viver no deserto. Viver na praia e procurar na imaginação o toque da neve.

Nós somos os nossos desejos.


People can be easy, if they want:

As pessoas podem dar-nos o pior e o melhor.
Nós é que temos de decidir o que queremos que elas nos dêem.

You are who you are when nobody's watching:

Somos iguais no mais simples e conseguimos, cada um, fazê-lo de forma diferente.

Ao T., com um abraço do tamanho do mundo:

Podes ir embora. Podes nunca mais voltar. Ou pode o destino voltar a querer juntar-nos. Nunca se sabe o que a vida nos trás.

Quando os sonhos acabam. Quando acabamos com os nossos sonhos. Ou quando alguém acaba com eles. Arranjam-se novos sonhos. Talvez melhores. Definitivamente diferentes.

Quando os sonhos nos acabam. Quando se esgota tudo o que foi possível sonhar. Começas outros sonhos. Procuras no que sobrou o que podes renovar.

Que seja. O que tiver força. O que tiver que ser. 
Que se transforme. Que aceites. Que seja um sonho melhor. Mais sofisticado. Que seja maior. Mais teu. 

Nunca me minto:

Não gosto nada de junho.
Não o aguento muito mais. É um facto. O problema é sempre o mesmo.
A nostalgia traz-nos sempre o mesmo final.
Viro as costas e espero por melhores dias.
Garanto: Nunca saltarei do barco. Nunca abandonarei aquilo que mais me faz feliz. Nunca duvidarei de quem mais quero. E, sobretudo, quem mais quero ser.
Não aguento muito mais, é um facto. Um cenário, género cena final.
Sorte a minha, julho está já aí e em julho tudo é muito mais fácil.

(Quase que me esqueço. Quase. Quase. É difícil mas quase que me esqueço. É a cabeça que alimenta a memória. As coisas ridículas, as boas e as más. Odeio não poder falar contigo. Odeio, com força. Odeio, como se fosse o sentimento mais feio do mundo. As memórias são sempre difíceis de apagar. O frio da tua casa. O teu perfume que pus no meu passaporte, para que não houvessem fronteiras entre nós. Os recados escritos à mão, a tua letra - redonda e intemporal. Lentamente, luto contra a memória. Odeio não poder falar contigo. Mente lenta que só quer olhar o céu e acreditar que algo nos alimenta vida. A memória quase sempre serve para esvaziar, lentamente.)

Your choices are yours alone:

Tudo na vida tem uma consequência. Mais do que uma razão, uma consequência.
Uma decisão. Um amor. Um filho.
Uma alegria ou uma tristeza.
Passei muitos dias tristes. Acho que passo mais dias triste do que feliz. É uma mágoa que se sente mais do que aquilo que se vê. Que não se resolve.
Não é medo, nem paixão.
Não é raiva, nem depressão.
É vontade de mais. De mais alguma coisa. De mais nada. De mais não-sei-o-quê.
É uma vontade de mais nada. Nada me move. Nada me comove. Nada.
Não vou. Não salto. Não corro. (Não sei se gosto de mim)
Se ao menos pudesse voar poderia sair deste mundo.
Sair deste mundo teria alguma consequência, como tudo na vida.

I tried to kill those ghosts inside of me:

Disse-me que tem a certeza que as pessoas me querem ver como eu sou.
Nem sempre estou certa de que as pessoas possam gostar de mim como eu sou.

Nākamā pietura:


Aterramos os dois no lugar mais pacifico do mundo. Eu tento falar e fazer-te rir. Ficaria feliz ao mínimo movimento do teu zygomaticus major. Mostro-te músicas novas a pensar que te distrai mas voltas a chorar.
Não gostas de estar preso. Eu sou igual a ti. Ninguém gosta de estar preso. Todas as manhãs, quando acordo, penso sempre que estou presa. 

Este é o lugar mais pacifico do mundo, dizes-me. É mesmo, em dias de sol é incrivelmente bonito e em dias de neve é genuinamente sereno.
Nas conversas banais há confissões. Há silêncios que falam. Palavras que gritam. Também há medos escondidos, saudades declaradas e suspiros reveladores.

Há dias que penso que quando pude devia ter mudado de vida e começar uma coisa nova numa cidade que descobria tudo de novo. Penso sempre nisto, depois choro-me e rio-me por dentro.
Penso nisto e acabo sempre a imaginar o que estaria a fazer se há uns anos tivesse mudado de vida. Não estaria a ver-te dormir nem teria possibilidade de te ter abraçado quando choraste. Não ia sentir a tua falta no verão nem conheceria o lugar mais pacifico do mundo. 

Sim, estou melhor aqui. 

Não fosse isto e eu nunca saberia que alguém no mundo queria que eu acreditasse na vida. Com a sinceridade toda das palavras. É impagável e bonito. Demasiado bonito para não perceber que estou melhor aqui. 
Hei-de sempre abraçar-te a acreditar na vida porque isso é bonito. Demasiado bonito para deixar de acontecer.


Nevermind - This is just a piece of crap:

Tudo é ridículo quando fazemos coisas ridículas.
Uma cabeça que pense muito é sempre a maior inimiga. O primeiro passo para se deprimir.
Admiro as cabeças que pensam positivo.
Eu não penso, nunca penso. Eu não penso em nada. Quase sempre faço coisas ridículas. Por isso, tudo é ridículo quando faço coisas ridículas. 
Uma cabeça que pense coisas más é uma doença. Uma doença de e para pessoas más. Ser mau é uma doença muito má.
Eu sou boa. Uma boa pessoa. E mesmo uma pessoa boa tem o direito de pensar em coisas más. 

Please don't let it break

O que mais me custou foi te-la feito chorar.
São casos em que a intenção não conta.

Somos a palma e a mão:

Enquanto mostrava a palma da mão e ouvia a interpretação daquilo que lhe liam, olhava para mim e perguntava-me:

- Achas que sou assim? Se calhar é assim que as pessoas me vêem ou então sou mesmo isto... Quando nos conhecemos, foi isto que pensaste?
- É assim que os outros te vêem, sim... Mas eu sempre soube que eras melhor.
- O importante é saberem ler-nos o coração, as mãos não interessam para nada, pois não?

Não lhe respondi. Fechou a mão, levantou-se e disse: Do meu coração percebes tu, não é por linhas que as pessoas vão lá.

Fazer o que dá na real gana:

As pessoas cobram demais a palavra compromisso.
É por isto que as relações se extinguem: Porque as pessoas vivem de compromissos e não de vontades.

And we could go there par avion:

Acabámos tudo o que tínhamos para acabar e lavámos as mãos. Arrumámos tudo e sorrimos no fim, de cansaço e alívio.
Sentimo-nos livres e irresponsáveis, apesar de tudo. Brindámos à tua vida, à minha, às nossas vidas. Brindámos ao amor que a amizade nos trouxe. Ao que nunca se deixou por dizer. Até aos pássaros que intersectaram as nuvens brindámos. 
E acabou tudo, ali, dez minutos depois. 
Parece louco mas não é.

O futuro (a definição)

Parte do tempo desconhecida mas tão clara dentro de mim.

Time is never time at all:

Os anos passam sempre no mesmo espaço de tempo mas ficam dentro de nós de forma diferente.
Há quem transforme horas em segundos embora o relógio tenha sempre o mesmo compasso e o coração bata com o mesmo cadência.

É o amor que confere ritmo ao que quer que seja.

Amanhãs:

Digo o teu nome com a minha boca e afasto de vez a distância a que estou de ti. 
Não perder um segundo da tua respiração e ver-te a dormir por muitos anos. 

He took the midnight train going anywhere:

Ainda te espero.
Como se fosse a última coisa que farei na vida.

Come as you are:

Não pensar no que vem a seguir.
Não me prender ao orgulho das coisas escuras.
Sorrir para sempre. 
Não evitar as melhores emoções por saber que podem ser efémeras e recear a dor de perdê-las. 
 

The proof is in you:

Não basta o beijo. Nem o sexo. Nem o corpo.
Se as mãos forem dadas o caminho todo também pode não bastar.
O cheiro nos meus braços só compensa se o sorriso for verdadeiro.

I want to tell you once again:

Não me perguntes o que me levou até ti. Nem como sei que és a coisa certa.
Houve um momento feliz que te soube em mim. A certeza que nunca mais estaria sozinha.
Dou-te o lado esquerdo do meu coração e ofereço-te o direito.
A amplitude toda da minha vida e o meu amor também.

Da paixão:

O meu coração a bater és tu.

Fala-se demasiado alto para quem está tão longe

A maior parte das relações não são mais do que duas solidões juntas.

Nas coisas leio sempre o teu nome:

Saudades serão sempre saudades até que se matem.

If I wish upon a star I hope that's where you are

Ver-te dormir foi a coisa mais tranquila e pacificadora de sempre.

Dois lados, a mesma moeda:

Apressam-se em dizer que Portugal é uma desilusão.
Quantos desses já tentaram perceber se são uma desilusão para o país?