Message in the bottle:

Desaguei as palavras. Que o sol as queime como queima a minha pele. Não sou de letras e tenho o mar todo a rebentar dentro de mim. Sou assim, alterno entre a maré alta e a maré baixa com a mesma rapidez com que as ondas podem rebentar à beira mar e avançar pelo areal. A rebentação é imprevisível, eu também. Nunca sei o quanto vou avançar ou recuar mas, ao contrário do mar, o tamanho da minha onda não depende da força do vento. O mar ensina que as ondas se tornam mais regulares à medida que se afastam da tempestade, as pessoas chamam a isso tempo. Que o tempo me afaste das tempestades e me devolva as palavras, caso contrário haverá sempre, algures no mar, uma garrafa a flutuar perdida, sem nenhuma mensagem. (quão triste pode ser viver sem conseguir dizer nada?)

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