Da amizade:

Há pessoas que evocam a amizade como se fosse uma figura de estilo.

O silêncio foi a coisa mais importante que aprendi:

Diz-me que o silêncio não muda nada. Não vale a pena pronunciarmo-nos em palavras. Dizias que os momentos mais importantes da vida aconteciam em silêncio. Aprendi a falar com dois anos e, a partir daí, aprendi o silêncio. Tudo o que aconteceu depois daquela idade foi uma renuncia a tudo o que me ensinaram até ali. Naquele dia também não foram precisas palavras. Os inícios e os fins dispensam-nas, é sempre assim. Não é preciso falar para dizer tudo. Temos as entrelinhas, os gestos e depois... os silêncios. Diz-me, outra vez, que o silêncio não muda nada. Novamente, até que o coração aguente. 

Hoping everything's not lost:

Irrita-me não conseguir falar sobre ti.

A viagem do elefante:

As coisas do universo acabarão por se encaixar umas nas outras.

Um dia serei luz, serei o sol na despedida:

Todo lo que es parte de nosostros un dia puede volver.

Para Ela:

Talvez os dois mundos onde vivemos não sejam assim tão diferentes porque temos o mesmo pôr-do-sol.

We accept the love we think we deserve:

Não são precisas justificações. Nem desculpas.
O respeito é das coisas mais bonitas do mundo. É por respeitar tanto o respeito que continuo em silêncio.
Descansa porque garanto-te: a traição nunca triunfa. Na maior parte das vezes, a vida prova-nos isso mesmo, que caímos em nós sempre que de nós tentamos fugir. Foi o que aconteceu. Eu sempre disse que o amor também pode separar as pessoas.

Não é preciso dizeres nada, avó:

Disse-me que passava os dias todos a pensar em mim e a falar de mim e quando estava comigo no skype, havia vezes em que não sabia o que dizer.

Não te esqueças:

Há o caminho de ida e as tardes que fomos felizes juntos. O tempo não nos roubou de nós nem de ti. 

I will hold on hope:

Há uma parte boa da vida que nos chega em pedaços, assim.

I'll be gone by the nights ends:

Os dias têm uma luz diferente quando começam e acabam. Aqui, o fim do dia é um segundo. É de dia e logo a seguir de noite. Um abrir e fechar de olhos. Aí, não é assim. Aí, o fim do dia arrasta-se pelo rio. Demora-se a escurecer. Só depois de alguns minutos é que podemos dizer que se fez noite. Aqui, não. Aqui, a terra engole-se a ela própria para abrir outro espaço onde a noite pode existir.

Quem acredita tem muita força:

Já ninguém é capaz de acreditar.
Já ninguém acredita em estrelas. Já ninguém, sequer, perde tempo a levantar os olhos para o céu.

(ainda bem que te vejo)

DECIF 2012:

Tu vais voltar. Não é que te espere mas imagino-te a chegar. Hás-de voltar no momento em que o fogo que sentimos se começar a extinguir. Logo naquele momento em que começamos a enganarmo-nos a acreditar que nada poderia ter sido diferente e não poderia ter existido mais nada do que aquilo que existiu. Coisas que colidiram ocasionalmente. Coisas que exigiram existir no mesmo tempo e espaço. Roubaste-nos noites. Fechámos os olhos e num segundo estava tudo a arder à nossa volta.

Se o mundo acabasse amanhã, seria como se acabasse daqui a cem anos. Ficariam demasiadas coisas por fazer. Quero-te longe. Convem-me ter-te longe. Volta melhor.

O cliente nem sempre tem razão:

Tu gritas vida e o eco devolve-te dor.

The ghosts you draw on my back:

que deixasses de me fazer falta. que eu fosse capaz de adormecer com a serenidade de aceitar que nao voltas. que o inverno trouxesse tempestade mas que amanha fossemos capazes de vestir um vestido. que isto tudo fosse como nos desenhos animados. que o bem abrisse caminho.

A morfina foi inventada para que os médicos durmam tranquilos:

- Acreditas em deus?
- Não, acredito na inteligência e na vida.

Dia mundial contra a pena de morte:

Um país que deu o primeiro passo na europa para abolir a pena de morte poderia muito bem ser um motivo de orgulho (não fosse ainda comum ouvir portugueses a manifestarem-se a favor da mesma...).


Dream reality:

Saí do balneário e vi-o de fato de treino azul e um saco na mão. Olhei para ele e partilhámos dez metros do mesmo ar. Dou um passo em frente e dez para trás, como se não quisesse mais nada senão a alegria de lhe poder mostrar o meu andebol. Olho outra vez e ele desaparece por um corredor. Entre nós, vinte metros do mesmo ar que respiramos, divididos por um corredor escuro e estreito. Ele estava ali, era real. De pele, ossos e sorriso. Era grande, enorme. Eu não me senti diferente, apenas mais pequena. Respirámos o mesmo ar, caminhámos pelo mesmo chão, jogámos no mesmo campo. Mas ele... Ele é grande. Para mim o melhor, o maior. O que mais vezes segui. Quis o destino que, mesmo antes do meu jogo, a pessoa que mais segui na vida, aparecesse na minha direção. Entre nós, cinco metros do mesmo ar que respiramos. Dou um passo em frente e nem penso em mudar o rumo. Só me saiu uma frase, que repeti duas vezes: Eu jogo andebol por tua causa. Eu jogo andebol por tua causa. Depois desta frase, um metro do mesmo ar que respiramos. Ele deu um passo em frente e eu repeti: Eu jogo andebol por tua causa. Vi a mão a estender-se para mim enquanto me agradecia por ter partilhado com ele aquela frase. Perguntou-me se eu queria uma fotografia e disse-lhe que não, a única coisa que queria era que soubesse que eu jogava andebol por sua causa. Olhámos um no outro, desejou-me um bom jogo e acenámos uma despedida. Entre nós, agora, três metros do mesmo ar que respiramos cortado por uma porta de vidro. 
Adeus. Para sempre fica apenas e só uma coisa. O mesmo ar que respiro. O mesmo chão e o mesmo prazer pela melhor coisa da vida. Entre nós o ar que respiramos. Inspiro e expiro. E a maneira como jogas andebol continua a mesma: De cortar a respiração. E eu... Eu joguei andebol por tua causa.

As desculpas pedem-se sempre e evitam-se quando se podem:

Desculpa-me ser assim de racional.
Desculpa-me ser assim de fugaz.
Desculpa-me ser assim tão atroz
Desculpa-me ser assim tão perdedora
Desculpa-me ser assim tão ditadora
Desculpa-me ser assim tão imprevisível
Desculpa-me ser assim tão frustada.
Desculpa-me ser assim tão complexa.
Desculpa-me ser assim tão simples.
Desculpa-me ser assim tão inconclusiva.
Desculpem-me ser assim tão deprimente.
Desculpem-me ser assim tão explosiva
Desculpem-me não cumprir com nada do que sonho.
Desculpem-me ainda acreditar que no fim posso sorrir.

Desculpo-me porque, na verdade, não tenho nada a ganhar.

Das vontades:

Às vezes, sou feita da vontade que tenho de ti.