Dream reality:

Saí do balneário e vi-o de fato de treino azul e um saco na mão. Olhei para ele e partilhámos dez metros do mesmo ar. Dou um passo em frente e dez para trás, como se não quisesse mais nada senão a alegria de lhe poder mostrar o meu andebol. Olho outra vez e ele desaparece por um corredor. Entre nós, vinte metros do mesmo ar que respiramos, divididos por um corredor escuro e estreito. Ele estava ali, era real. De pele, ossos e sorriso. Era grande, enorme. Eu não me senti diferente, apenas mais pequena. Respirámos o mesmo ar, caminhámos pelo mesmo chão, jogámos no mesmo campo. Mas ele... Ele é grande. Para mim o melhor, o maior. O que mais vezes segui. Quis o destino que, mesmo antes do meu jogo, a pessoa que mais segui na vida, aparecesse na minha direção. Entre nós, cinco metros do mesmo ar que respiramos. Dou um passo em frente e nem penso em mudar o rumo. Só me saiu uma frase, que repeti duas vezes: Eu jogo andebol por tua causa. Eu jogo andebol por tua causa. Depois desta frase, um metro do mesmo ar que respiramos. Ele deu um passo em frente e eu repeti: Eu jogo andebol por tua causa. Vi a mão a estender-se para mim enquanto me agradecia por ter partilhado com ele aquela frase. Perguntou-me se eu queria uma fotografia e disse-lhe que não, a única coisa que queria era que soubesse que eu jogava andebol por sua causa. Olhámos um no outro, desejou-me um bom jogo e acenámos uma despedida. Entre nós, agora, três metros do mesmo ar que respiramos cortado por uma porta de vidro. 
Adeus. Para sempre fica apenas e só uma coisa. O mesmo ar que respiro. O mesmo chão e o mesmo prazer pela melhor coisa da vida. Entre nós o ar que respiramos. Inspiro e expiro. E a maneira como jogas andebol continua a mesma: De cortar a respiração. E eu... Eu joguei andebol por tua causa.

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