I belonged to no one - who belonged to everyone, who had nothing - who wanted everything with a fire for every experiences and an obsession for freedom:

Ninguém cabe numa palavra só. Ninguém é bom ou mau todos os dias. Ninguém se faz pela definição do dia que corre. Somos todos tão iguais, trazemos e levamos o melhor e o pior, de uns para os outros. Vamos de tolerantes a assassinos. Procuramos todos o mesmo. Vivemos na mesma sombra e queremos sempre o melhor para nós. Queremos ser bons nalguma coisa, que a chuva nunca desfoque e que o sol seja cada vez mais nosso. Precisamos de amor ao mesmo tempo que fodemos o mundo inteiro. Temos sempre uma carência constante de alguém gostar de nós, muitas das vezes isso é suficiente para gostarmos do outro. Falamos dos maus, sabemos que eles existem mas, como crianças ainda iludidas pelo poder, evitamos fazer parte deles. Queremos ser heróis no mundo de alguém, o mágico que transforma um baralho de cartas num coelho albino antes de adormecer. Não temos nada a perder e muitas pessoas para surpreender. Não percamos tempo. Temos medo de perder a última novidade, de não chegar a horas e sempre... sempre o medo de ficarmos sozinhos. Quando formos velhos não há-de sobrar nada, havemos de ter feito tudo, do amor ao ódio. Apesar dos arrependimentos do que se deixou por fazer, havemos de ter feito tudo. Procuramos todos a pessoa com quem possamos pensar em voz alta e esquecemo-nos de aprender a viver sozinhos. Nascemos no centro das atenções e morremos com um par de olhos que se desviam porque a vida hoje dá tanto trabalho. Toda a vida é uma sucessão de perdas mas nós teimamos em dizer que amanhã vai ser melhor. Estaremos às portas da morte, teremos feito tudo mas já não desejaremos pelo amanhã. Talvez um mágico com um baralho de cartas porque ninguém cabe numa vida só.

(Dizem que não sabem definir a música que eu oiço e eu acho que o que eles querem dizer é que não me sabem definir.)

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