Somos todos iguais mas alguns são mais iguais que outros:

É ver grupos de pessoas a abanar bandeiras, a elevar a voz e a fazer marchas por uma causa que defendem porque ora sentem-se discriminados, ora ninguém os respeita.
Querem fazer-se ouvir tão alto que ofendem na mesma proporção.

São os que levantam a voz contra o racismo, porque a cor não nos define, mas que rejeitam a classe política, como se uma profissão definisse alguém.
São os que levantam a voz contra a homofobia, porque a orientação sexual não nos define, mas que rejeitam e rotulam quem ouve música comercial e vê reality shows, como se a arte e o entretenimento definissem alguém.
São os que levantam a voz a favor dos animais, porque afinal alguém tem de falar por aqueles que não conseguem, mas que são a favor da pena de morte e a calar alguém para sempre.
São os que levantam a voz contra a corrupção, porque as pessoas querem-se sérias, mas que fazem downloads ilegais, prejudicando diretamente os artistas.
São os que levantam a voz conta a pobreza, porque há tanta gente a passar mal por este mundo, mas que nunca perderam um minuto a falar com um sem abrigo.
São os que dizem, de peito cheio, que o mundo é um sitio de gente má, mas que nunca ponderaram fazer nenhum tipo de actividade social.

Somos todos muito bons a defender o nosso metro quadrado. Temos os moralismos todos estudados. Defendemos o bem e, se alguém ousar contrariar-nos, temos uma mão cheia de ofensas e uns olhos tapados a tudo o resto. E depois, temos esta falta de empatia assustadora uns pelos outros e eu fico sempre surpreendida como somos capazes de defender tanto a democracia.


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