A Ivone e eu:

Ela acha que é razoável uma ginecologista perguntar a uma mulher o número de pessoas com quem já se envolveu.
Eu acho que nada justifica a pergunta embora não me importe de ser confrontada com isso.

Como qualquer discussão, nunca chegamos a nenhuma conclusão. Ela fica com a razão dela e eu com a minha mas é nestas alturas que sentimos falta de uma terceira pessoa para desempatar.

Analogias descompensadas:

O maior poder do corpo humano são as células estaminais. Células tão diferenciadas que conseguem transformar-se em qualquer tecido do corpo humano. O poder advém da adaptabilidade e ainda assim, são células que se transformarão naquilo que quiserem ser.
Piaget defendia que a inteligência é a capacidade de adaptação de uma pessoa e antes disso já as células estaminais sabiam que para se ser feliz é preciso ser-se livre. 

Do absoluto aleatório:

Eu podia ser o Marcelo Rebelo de Sousa da música.

O que é natural é bom:

Escrevo textos ao ritmo do pensamento.
Não os releio, não os edito. Não lhes dou importância, também.
Tenho este dom de acabar um texto sem saber sobre o que escrevi. É um dom tão grande que põe em causa e reflecte a qualidade do mesmo.

Amanhã já é hoje e hoje é tão agora:

Nunca quis mais do que isto. Um sorriso sincero e uma possibilidade infinita de escolhas para viver.
Tornamos eternos os melhores momentos e continuamos convictos que fizemos sempre o melhor. A velhice é imune ao tempo e a juventude não depende da idade. Esquecemo-nos disto vezes sem conta mas quando a senhora vestida de preto entra no autocarro levantamo-nos para ela sentar-se. Temos esta parca capacidade para reconhecer nos outros o que queríamos que reconhecessem em nós. Suspiramos, olhamos à volta, continuamos a acreditar que fizemos sempre o melhor. Não há linhas a separarem as nossas certezas. Regressamos aos sítios onde fomos felizes e crescemos outra vez. Estamos sempre a um passo de tornarmo-nos melhores e quando damos esse passo já percorremos um caminho e temos mais uma possibilidade infinita de escolhas para viver.
A cada passo. No virar de cada esquina. Na imensidão dos dias que nos faltam atravessar. Na vertigem dos medos. No fulgor dos dias, faça chuva ou faça sol. Nas tempestades que se avizinham e em todas as bonanças que irão resultar daí. Hoje é sempre o momento. De regressar aos sítios onde fomos felizes. De crescermos outra vez. De darmos o passo na direcção certa, mesmo que viajemos de autocarro e alguém nos roube o lugar. Hoje é sempre o momento.

As pessoas deviam propor-se a fazer apenas aquilo em que são realmente boas:

A reportagem da TVI que passou sobre o espectro do autismo é fraca. Vergonhosa, quase. São quase trinta minutos de testemunhos descontextualizados, de terapias ilusórias sempre com uma vontade doentia de faze-los parecer cada vez mais nós.
Uma peça sobre autismo que nem no principio nem no fim consegue dar uma definição sobre o que é esta síndrome nunca poderia ser boa.

Música:

Voltei a apaixonar-me pelos White Lies. É uma paixão ainda maior do que a que tive há uns anos atrás. Não lançaram nenhum album recente mas continua tudo a fazer tanto sentido.

A sorte da muito trabalho:

A habilidade nasce connosco, é o talento natural, o que sabemos sem nunca ninguém nos ter ensinado.
A técnica é o que dá trabalho, a repetição do gesto até à perfeição.
Um remate e um passo seguro e certeiro, não nasce do talento mas do trabalho. A selecção falha neste detalhe porque domina os jogos pelo talento mas não os ganha nem marca golos devido à falta de técnica.
(A sociedade portuguesa tambem é assim).

Portugal:

Não me apetece ver-te amanhã. 

A Ivone e eu:

Temos um dueto.
Cantamos desde Anselmo até aos Beatles.
Puro talento ou não fossemos nós pessoas flexiveis.

A Ivone e eu:

Disse-lhe que andava com vontade de ser porca e marcou coisas para esta noite.
A amizade tambem pode ser isto.

Da vida:

O grande desafio não é saber dar as respostas, é pôr as perguntas.

O método do dedo no ar devia ter alternativa:

Apontar não é feio e apontar para o céu tem uma dimensão simbólica bonita mas a questão é: pormos o dedo no ar, independentemente daquilo que não temos para dizer e quando, no fundo, está em causa quem é que foi o primeiro a por o dedo no ar e não tanto o que se distingue pela diferença das respostas. 
É isso, estamos a criar pequenos narcisistas ao invés gente autentica.

Atitude:

Há momentos nas nossas vidas que mudam tudo. São o rastilho daquilo que vai desenhar o que seremos a partir dali. Não são os traumas, é o que nos dizem e guardamos para sempre. São as memórias que persistem, um resto qualquer que nunca se esquece.

Ainda Blatter vs Cristianinho:

Se transferirmos a história para um plano pequeno, teremos mais ou menos isto: Alguém que não conhecemos de lado nenhum a dar-nos a sua opinião sobre duas pessoas que conhecemos de vista.


os homens medem-se mais pela maneira como reagem a uma provocação do que pela provocação que fazem aos outros:

Não sei quantas horas trabalha o Blatter enquanto presidente da FIFA. Imagino que muitas, tantas que às vezes precise de distanciar-se disso.
Blatter é um homem igual a nós. E qualquer homem é educado para formar opiniões com os pormenores que absorve do ambiente em que está inserido.
Blatter é presidente da FIFA mas não deixe de ter uma opinião. Blatter pode expressar a sua opinião porque embora seja presidente da FIFA, continua a ser homem antes e depois disso, sempre.
Há horas em que Blatter é o homem e há horas em que Blatter assume um cargo na FIFA. E, parecendo que não, uma coisa separa-se da outra porque Blatter não é vinte e quatro horas seguidas uma coisa ou outra. Blatter em vinte e quatro horas tem direito a ser uma coisa e outra.
E quando Blatter, num evento privado, expressa a sua opinião, não está a assumir o cargo mas o homem que é.

Portugal revira os olhos, suspira e faz petições porque para criticar os nossos estamos cá nós. E esquecemo-nos que a liberdade também é isto, ouvir o que não gostamos com a mesma condescendência que gostamos de dar a nossa opinião.

No meio desta historia, o único que poderia ter o direito de ter uma opinião sobre o que Blatter disse, era o próprio Cristiano e, ainda assim, foi dos que falou menos.

As pessoas devem ser julgadas quando comentem crimes, não quando divergem de opinião:

José Socrates mostrou hoje, no Alta Definição, porque é que continuo a gostar dele, respondendo de forma eximia sobre o que separa a verdadeira política da vida pessoal, a todos os que o atacam, ainda hoje, gratuitamente.

De alegria e de tristeza cada um tem um pedaço que é o seu:

Muda o angulo e mantém as circunstâncias: Vê-te pelos teus olhos nos comportamentos dos outros.