Te echo de menos:

Já não sei se esperar é um ato de coragem. Não sei se o que sobra é amor ou um instinto de sobrevivência muito apurado. O tempo faz-nos velhos e é por isso que toda a gente foge dele. A vida morre, as pessoas mudam mas o tempo nunca acaba. O cabrão do tempo que faz-nos mudar de planos, que adia a nossa vida porque o momento ainda não é o certo. Esse gajo despersonificado que faz-nos ouvir pedidos de desculpa pelos atrasos. E eu espero sem saber de que espera sou feita. Espero porque há dias que tenho tempo para esperar. Espero porque o mundo é tão pequeno e há tanta gente. Tanta gente a levar tristezas dentro. E esperas. E alegrias. Tanta gente num mundo tão pequeno à espera de tanta gente. Esperamos uns pelos outros e pode acontecer aparecer-nos alguém melhor do que aquilo que esperávamos. Pode acontecer que nesse ato solitário (ou corajoso?) de esperar possamos refazer-nos e mudar também aquilo pelo qual esperamos. E então, nesse momento, já não esperamos por aquele que nos fez esperar mas por este que nos diz que há-de chegar. E esperamos porque o tempo faz-nos velhos e nós não o queremos apanhar. Foge dele.

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