Existem por detrás da cal:

Devia ser proibido pensar na morte enquanto se vive. Nós vivemos nesta ambivalência: eu a pensar no teu fim enquanto projeto o meu futuro. Tu a arquitetares a minha vida com a consciência que nunca a verás por inteiro. Quanto mais morres, mais feliz sou e essa é a condição mais pacifica de aceitar porque não me pedes menos que isso.
Um dia vais morrer e eu, que me habituei a ver a morte todos os dias, vou ser apanhada de surpresa. Depois vou achar que devíamos ter passado mais tempo juntas mas é mentira porque ainda hoje me disseste que vivo contigo todos os dias.


Ninguém é quem queria ser:

Reparo nas horas e atraso-me nos segundos. Impedir a felicidade é a forma mais cobarde de ser infeliz. Evito sempre o momento, a espera é um acto demasiado egoísta para quem sabe amar. A verdade pode ser cruel porque consegue ser reescrita e rasurada todos os dias mas é nela que sustento todas as minhas decisões. Saberei eu do espaço que se agiganta entre nós? Interiorizei eu a hipérbole do nosso amor? Será certo que a dor dá lugar a um prazer maior? Ainda não sei se o destino é filho do livre arbítrio ou o seu maior opositor. Não basta dizer o que queremos, temos de acordar todas as forças e atrever todas as vontades e talvez um dia me encontrem nesses sítios que eu ainda não sei que existem porque os fantasmas aparecem para nos lembrarem que a vida é uma puta cara.

Eu sinto ter ainda no meu peito coisas tuas:

Aprendo-me no cansaço. Os dias confundem-se e o presente vive-se em catadupa. Eu não volto aos sítios onde fui feliz mas o futuro desenha-se com os contornos do passado. Dentro do fim que somos há sombras que se movem. A verdade nunca foi tão lúcida e tão presente. Não há fronteiras que me limitem nem mares que me afoguem. Mato a lógica mas és tu quem eu enterro, a inocência de compreender a incongruência das coisas que não sinto. Cedo-me ao eventual destino sem acreditar nele, lembro-me que a sorte aparece para nos apresentar ao azar. Há medos que chegam tarde e segredos a morrerem surdos. Dentro das minhas dores encontro o teu nome. Encontro todas as razões que me prendem. Eu sou um relógio que não pára. Todas as emoções doem. Nunca deixei cair as palavras que guardo para ti mas é dos gestos que vivemos, que não esqueçamos isso.

Homossexualidade - Quando os agressores são vitimas:

Por esconder-se, o sentimento vira preconceito e o amor torna-se refém da própria discriminação.

Eu queria conseguir sair sem cinzas na despedida:

Consenti-me à felicidade. Por nunca se imaginar, a despedida fingiu-se todos os dias. Em cada viagem e em cada regresso. Nos abraços todos que ficaram por dar e nos impulsos desmedidos. Eu quis-nos bem, quis que a vida perdurasse na adrenalina que nos juntava. Nós fomos os lugares comuns na forma e nos gestos. Existimos para além de nós porque a tranquilidade e o caos correm nas margens do mesmo rio. Vivemos sempre à margem, sem procurar o que estava por dentro. Partilhámos o sono e o pão duro, a mais intima das intimidades. Eu dei-me toda à felicidade, consciente de que a eternidade são os momentos, lúcida de que para sempre é o agora a acontecer. Eu assumo as falhas e as loucuras, fui eu quem baixou os braços enquanto bebia do frio. Fui eu quem  sentiu o tempo a consumir devagar. Há verdades que nascem vazias.  O comboio, quando passa, não apita para mim. É para nós, para sabermos que está a passar. Valemos mais do que a vida quis. Mais do que a felicidade deixou. Valemos pelas verdades que conhecemos e todas as que fizemos nascer.

No lado quente da saudade:

O que sentimos revela-se mais nas despedidas do que nos reencontros.

Tudo quanto fazemos é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer:

As expectativas são facilmente defraudáveis. A fantasia deixa-nos imaginar todos os cenários, antever todos os gestos e preparar todos os diálogos. Ignoramos a realidade, como se a ficção abrisse espaço para uma ilusão fácil de comprar. Caminhamos sempre o mais à direita possível, como se a segurança dependesse apenas de nós. Não depende. Há sonhos que só são verdade quando acabam. Abandonar uma ilusão é melhor do que encontrar uma verdade mas mesmo assim, insistimos em acreditar em tudo o que não podemos tocar.

Por trás de uma ofensa, há sempre uma insegurança:

As pessoas indignaram-se, fizeram protestos na internet, lançaram vídeos que se tornaram virais e, de repente, decidiram que os piropos devem ser criminalizados.
Depois, tentaram estabelecer uma linha entre as piadinhas engraçadas e as bocas ordinárias, misturaram o feminismo e acrescentaram assédio de rua.
No fim, aparecem mulheres indignadas a levantarem ondas, feitas virgens ofendidas, como quem assume que preferem ouvir um "ainda dizem que as flores não andam..." do que um "fodia-te toda!".
E eu, continuo a achar que o que devia ser criminalizado era a insegurança das mulheres porque, isso sim, é um verdadeiro atentado à dignidade humada.

Por baixo de cada coisa há um nome:

Teresa devia ter percebido porque é que a vida se suicidava todos os dias, da mesma maneira que pressentiu que um compromisso podia ser um sacrifício. Na falta de coragem, Teresa perdia o conforto de saber que todos os caminhos eram sem retorno e que, dali para a frente, todo o destino era uma montanha dificil de transpor. Respirar deixava de ser um ato involuntário, Teresa sabia-o. Teresa era dotada dessa consciência exacerbada, de uma resiliência quase inata e de um medo que a induzia à culpabilização. Eram as mãos que agarravam todas as coisas que Teresa não chegava a tocar mas os gestos estavam lá, à vista desarmada, nus de qualquer sentido. Teresa era ridícula de tão submissa, sozinha de tanta companhia, presa de liberdade. Teresa devia ter percebido porque é que o amor é aprendido todos os dias, da mesma maneira que intuiu que a paixão pode cegar qualquer compromisso. Teresa distraia-se da felicidade e, também por isso, odiava-se todos os dias. No deslumbre de cada promessa podem caber milhares de traições. Teresa condensava a culpa e o desejo,  o empenho de destruir tudo o que era seu. De tão ridícula ficou sozinha. De tão sozinha tornou-se presa. De tão submissa perdeu a liberdade. Teresa sentia-o, ainda que não o dissesse em voz alta, sabia-o. Teresa devia ter percebido que quando a vida se suicida todos os dias é porque estamos a fazer tudo aquilo que gostaríamos que fizessem por nós. Teresa sabia-o mas nunca o percebeu. 

We can live our misbehaviour:

Não tenhas pressa: Os erros vêm ao de cima com a mesma rapidez que as virtudes afundam. Hás-de ter sempre um par de dedos apontados como revolveres carregados. O bem passa e o mal perdura e tu, vais ser sempre o vilão até ao dia da tua morte mas os bons serão sempre aqueles que conseguirão carregar esse peso, sem saber que o suportam. Não tenhas pressa de viver até à minúcia, nenhuma felicidade é feita em alta velocidade porque a memória alimenta-se de momentos que demoraram a esquecer.

Love the silence but don't die of it:

O que mata é o que se sabe mas não se diz. A verdade pode esconder mentiras e nas omissões pode encontrar-se a veracidade do pormenor que, afinal, importa. Não basta ser fidedigno, a autenticidade das palavras não me comove e o silêncio é, muitas e simultaneas vezes, a melhor arma e também a melhor armadura. Quando o que provoca é o mesmo que evita, a única guerra é dentro de nós. 

The more you change the less you feel:

Quando acordámos, eu já era outra. A minha avó tem razão, há momentos em que devíamos morrer para nascer outra vez. Conheço-te o corpo mas não te leio o olhar. Sabes o cheiro mas não imaginas o que vai por dentro. Há histórias que começam e acabam ainda de noite, ruas que se desdobram em cima da curva, caminhos que se desbravam de olhos fechados. Ainda não sei se é a falta do medo ou o excesso de coragem, porventura a loucura de viver sem ver o dia mas quando acordámos, eu já era outra e os crimes podiam estar todos por acontecer.

O peso da cultura:

Na Noruega é proibido detectar a síndrome de down durante a gravidez.
Em Portugal, 90% das mães opta por abortar quando sabe da possibilidade de ter um filho com um cromossoma extra. 

Go straight to hell - Paradoxos de um raciocínio brilhante:

Sempre que nos sentimos ofendidos com um adjetivo é porque estamos a ofender alguém.

Não te canses de mim:

Conheces-me melhor do que aquilo que sei. Mais do que aquilo que mostro. Talvez eu seja o único livro que lês. O único livro que escrevo. Conheces-me porque sou tua como nunca soube ser de mais ninguém. Não me cansarei de ti, contigo sou sempre feliz.

O QI nos países ocidentais está a baixar:

Umas palavras ditas um tom acima. Um encolher de ombros. Gestos obscenos e ofensas tão primitivas quanto aquilo que somos. Pagamos em raiva como quem quer receber o troco em amor. Uma palavra dita por nós é uma verdade consumada e, a mesma palavra dita por outra boca, pode ser uma calunia com uma indignaçao a ferver dentro de nós.
Seremos sempre pequenos para aceitar que numa história de dois só a verdade tem razão.

Enquanto durar:

Não quero atrasar o momento nem perdurar nele. Não te nego, ainda que a tua presença não seja sentida. Perdemo-nos num regresso quase imperfeito de tantos atalhos, quase condizente como as palavras que saiem da nossa boca. Já precisei de ti para ser eu com todos os caminhos que percorreste para chegar até mim. Quando os nossos detalhes se apagarem, não restará nada senão o olhar de quem quis ser feliz. Por enquanto, o que nos une continua a ser muito mais do que a felicidade.

Quanto tempo se demora a aprender a liberdade?

Vivemos há quarenta anos em democracia. Historicamente, somos uns adolescentes com a rebeldia toda na venta e umas hormonas aos saltos e, ainda assim, quarenta anos parecem já tanto tempo.
Dizer que já não estamos numa ditadura é uma falácia fácil e estranhamente assustadora. Estou a duas gerações da revolução e, ao mesmo tempo, a ser educada por elas. Pertenço à primeira geração que nasceu já em liberdade mas desta premissa decorre o silogismo de que a partir daqui nascerão os verdadeiros filhos da revolução, com a prerrogativa natural e, ao mesmo tempo, com o desígnio todo da nossa herança cultural.

A infância fez-se mulher e a vida virou recordação:

Tu eras o ideal mais próximo que tinha daquilo que eu gostaria de ser noutra vida. O exemplo vivo de que o destino acaba por levar a cada um aquilo que é seu. Eu olhava-te do alto do meu metro e cinquenta e sabia que a vida, para ti, tinha outro encanto. Tu eras os sonhos todos, as missões impossíveis e os fragmentos de coragem que se juntavam das cinzas. Eu olhava para ti e pensava que talvez um dia, mais ou menos longínquo, pudesse ser como tu. Simples, como a vida. Simples, como se querem todas as coisas. Depois a vida aconteceu como a naturalidade de qualquer fim. Eu cresci e dizem-me que somos iguais.

Um dia havemos de falar sobre isto:

Há sentimentos que nascem para serem amarrados e depois, com o tempo, serem desembrulhados, em doses pequenas. Aqui e ali, cozinhar a lume brando e apagar assim que ferver. É um ditador a tempo inteiro dentro de nós, uma vontade recalcada ou uma cidade a viver sempre em lusco fusco.
Prendo-o mas não o digo. Não digo porque o prendo mas só o prendo porque não o digo. Um ciclo vicioso, a nódoa que não sai daquela camisola mas que teimamos vestir.


Once you're grown up, you can't come back:

O maior medo será crescer, como se o mundo atrasasse toda a infância e a angustia fosse mais forte que o tempo. Ser pequeno para sempre e afirma-lo com a ingenuidade de uma criança e com a consciência verosímil que qualquer adulto pode ter - o paradoxo de um corpo que não caberá na idade que tem.

You had a vision they couldn't see:

E, indubitavelmente, caminhou até ao precipício porque sabia que era ali que a vida começara. A linha ampla e frágil que seguia todo o horizonte que não vira desde então. A presunção do momento, um passo ao lado e tudo a acontecer no limbo porque a vida só fizera sentido assim.

O bom da morte está na vida:

O melhor testamento são as palavras ditas e a melhor herança são as recordações revisitadas.

O mundo é dos espertos (mas todos querem o mesmo):

Os enfermeiros fazem greve.
Os professores fazem greve.
A função publica faz greve.
Todos falam em salários, cortes, escalões e razões sindicais.

Os médicos fazem greve e falam do SNS e da forma como os cuidados de saúde são prestados.

Aos mundos que chocam, partem e ficam. Tudo resta menos a nostalgia:

O começo é sempre assim; a chuva é agua mas parece diferente, as pessoas falam mas os sons distorcem-se. Aprende-se a respirar e olhamos o mundo com lentes das boas. Não há pó, o entusiasmo realça o cheiro a novo e a vida por onde se caminha é um elixir. 
Depois, lentamente, os sítios deixam de ser bem frequentados, os olhos que olham veem o reverso como lupas que maximizam as fissuras e detetam o erro. Os sonhos embrulham-se em planos, os planos transformam-se em utopias e a vida corre em abstrato até ao fim. 
Os dias continuam pequenos para tudo o que há a fazer, negas a possibilidade de este ser o momento no qual depende a tua vida. O tempo pos-se feio, logo agora que tu gostarias de começar a reconstruí-lo outra vez.
Hipotecam-se todas as dúvidas, da guerra também hão-de crescer flores. 
Quando nada resta e tudo sobra, o começo é assim.

Go straight to hell - Paradoxos de um raciocínio brilhante:

Desistimos com medo de perder. E esquecemos que desistindo, perdemos tudo.

O amor sustenta relações agarrado à esperança que tudo mude:

O amor pode ser um sítio cruel, uma faixa de gaza cheia de militares armados prontos a disparar. Há alturas que o amor é uma falência emocional, um coração e um corpo violados em prol de um ego pequeno demais para negar. Nesta visão absoluta e definitiva, esgotam-se os recursos e a capacidade emocional para resistir. A mágoa partilha-se mas não se devolve, o destino faz equipa com o amor e a história volta a repetir-se numa fatalidade difícil de entender. Na falta de amor buscamos o excesso e vivemos sempre em desequilibro, agarrados à imagem daquilo que nos foram fazendo acreditar.

Saber que o infinito existe e ainda assim nunca chegar-se lá:

Quando for de noite e nós já formos velhos. Se o sol empurrar o tempo e o teu nome vier com sombras. O passado é rescrito e o futuro daqui a milésimos de segundo. A loucura da vida, o frenesim dos dias e um copo meio cheio. Não quero o que me dão e não dou o que é meu. Tenho medo de todos os adjectivos que usas depois de mim. Viver dentro de parêntesis é uma falácia enganadora, é o resto de coisa absolutamente nenhuma. Julgo o tempo e bebo para atrasar todos os momentos. Devoro tudo o que vier a partir daí. Estarás entre todos os desejos submissos e a amplitude de cada olhar. Desarmo-me e sou cruel. Sigo tudo o que vejo e silencio o mundo que fica a sós, comigo.
A meticulosa importância de concretizar cada verso de uma promessa. Desdobras-te para que o espaço chegue. O fosso entre o que se delineou e a realidade que se constata. Hoje não quero ser simples e, se um dia souber escrever sobre a falta que me fazes, terei de falar sobre a idiossincrasia de um laço perverso (que preservo). A clarividência, absoluta e indeterminada. Exceder a dose e intoxicar-te de verdade. A libido inequívoca que se precipita nos contornos impermeáveis da dor. A clemência que contaminou todas as utopias geradas. Parte de mim é o recomeço e instigo-me a rever todos os caminhos. E tu, a consequência das expectativas dissidentes, o desmoronar e o constrangimento que espoletas nos gestos de todos os dias. Tu, a consciência assolada de quem chora e sonha.
Encarcero as memórias e a vida deixa de ser um deslumbre confinado a dualidades opostas.

O dia da mãe - Ninguém sai donde tem paz :

Já passaram dois dias e continuo a ser filha da mãe.

Dos engates:

A pergunta dos 100 mil euros é sempre a mesma: E que música é que ouves?

Quebramos os dois (é quase pecado o que se ignora):

Tu não sabes porque tu não vês. Tu não tens porque tu não dás. Tu vais porque foges. Adeus e até um dia. Adeus, vemo-nos por aí. Eu não toco com medo de partir. Não dou o nó nem desfaço o laço. Eu não digo porque não sinto. Não me despeço porque estou. Bom dia. Olá outra vez.
Tu não estás mas eu estou. Tu não vais mas eu vou. Tu transformas e eu mudo. Tu queimas e eu apago. És de tempos mas eu de compassos. Tu és de marés e eu sou de luas. Eu sou quem parte mas és tu quem se esconde.
Alguém que toca. Outro que foge. Alguém que conquista e outro que seduz. Um que quebra e outro que abre. Um que se despe com o intuito de amar-te. Diz o meu nome, quero-te outra vez.

Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido:

A verdade é que a vida continua depois e apesar de tudo. As dores arrumam-se e as memórias vão surgindo intermitentes com a saudade. Há suspiros dentro de um silêncio e um olhar vago porque a vida de todos os dias retoma o seu dia. Engano-me voluntária e conscientemente, faço da tua morte um problema teu, uma mágoa tua. De mim não levaste nada, resigno-me a amar-te porque no dia que morreste eu poderia ter feito tudo, até mesmo esquecer-me de desamar-te.

A Ivone e eu:

Às vezes acobardo-me nesta ideia de pensar que minto-te porque a verdade deixar-te-ia ainda mais triste. Tenho mais jeito para ser tua amiga para o bem do que para o mal. Há dias em que a tua felicidade é um avião com um caminho seguro para casa, é uma gargalhada que herdaste para colmatar uma falta que eu não posso comprar-te nem substituir-te. Nestes dias, em que a minha felicidade não consegue abraçar a tua, eu espero-te com uma inquietude que nunca consigo habituar-me. Eu espero que tu deixes de esperar porque a ilusão é um gatilho preso capaz de matar. 

Try a different view, see the line outside of you:

Confundimos as pessoas com as suas causas. As atitudes com os comportamentos. Confundimo-nos no essencial porque o que está à vista não é aquilo que vemos. Confundimos a maternidade com o parto, o sexo com o amor e julgamos sempre que o que vemos é tudo o que está à vista. Confundimos a escola com a educação, o conhecimento com a inteligencia, a justiça com a prisão. O que está à vista não é o que está para ser visto mas confundimos o que já vimos com aquilo que falta ver. Confundimos as partes pelo todo, a guerra com a religião, o poder com a independência. Somos vistos mas queremos ver primeiro. Olhamos mas não vemos. E quando vemos não reparamos. Confundimos o odio com a inveja e os julgamentos com as opiniões. Confundimos os juízos de valor com os preconceitos, a morte com a dor e as palavras com as orações. Confundimo-nos na fé porque a esperança vem primeiro. Confundimo-nos na essência porque o que não se vê vem depois. Confundimos as promessas com os compromissos e as regras com a ética. Não veremos acima de nós porque procuramos as respostas sem sabermos as perguntas. À vista desarmada, o mundo é aquilo que nos permitirmos ver. Sem lentes, sem zoom, sem medidas. Confundimos o erro com o pecado, a urgência com a emergência. Confundimos, na linha ténue dos dias, o infinito com o futuro, o prazer com o gosto porque necessidade e vontade não são iguais. Vivemos de frente para o mundo e ainda assim morreremos sem ver nada. O lusco fusco a confundirmos o dia da noite. O dia aqui e a noite aí, um par de olhos a iludir-nos a vida. Confundimo-nos nos passos, na vertigem de cada decisão e na solidão dos dias. Confundimos o que vemos com o que sentimos porque a realidade está diante de nós mas baralhamo-nos com as emoções à flor da pele. Confundimos o ser com o estar porque a fugacidade do tempo não nos deixa ver para além de nós. Sem metáforas, sem eufemismos, sem pleonasmos. Não te iludas, não te confundas nem caías nesse cliché de pensar que os olhos são o espelho da alma porque eles só apontam o caminho.

Turn on:

No ginásio, conheço as pessoas pelas pernas.

Eu acusei-me e defendi-te com unhas e dentes:

A mentira não morre. Há portas que nao se fecham e verdades que nao se abrem. Escondo o jogo porque tenho trunfos que nao me permito mostrar. 

Não pedimos o fim, mas não nos importamos se acabar assim:

Não há, como nos filmes, aquele som aterrador do monitor que nos mostra a linha reta e continua (paradoxalmente, o fim, também). Há um silêncio e um arrependimento instintivo e instantâneo, sem paralelismo com nada. É nesse momento que o mundo para. Está ali mas já não está. Foi o melhor mas não foi. Era isto que se queria mas não era. A morte foi a primeira verdade que aprendemos e a mais difícil de assumir quando chegamos ao fim. Vivemos toda uma vida a saber que vamos morrer e quando a morte chega é sempre traiçoeira, desprevenida e devastadora. Há a tristeza com a saudade e a vontade. Foi uma escolha mas já não é apesar da morte não ser escolhida porque é sempre traiçoeira, desprevenida e devastadora.

Used to tell me "sky's the limit", now the sky's our point of view:

Lembrar-me é trazer as memórias à vida. Viver serão sempre as saudades dessas memórias. O limbo estará sempre no extremo das realidades. Tudo é verdade e tudo pode ser caminho. 

Eu & Eles:

Viver com homens lembra-me porque é que gosto tanto deles.

Isto da vida:

O truque é preocuparmo-nos com a opinião dos outros sem deixarmos de duvidar da nossa.

Whoever doesn't miss Soviet Union has no heart. Whoever wants it back has no brain:

É fácil fazer-se uma guerra. É nestes momentos que prefiro a cobardia à bravura. 
Não há heróis na vida real, os que tentam morrem. São os cobardes, que com amor à vida e talvez com medo de morrer, recebem as medalhas. E, talvez as mereçam.

A ironia das ironias:

Quem não gosta da Rússia são os que dependem dela.

Amor com amor se paga:

Perdi a conta à quantidade de vezes que o disse. Deixei de contar porque a verdade não tem número, é um infinito sereno que me cabe no peito na hora de adormecer.
Insisto nesta certeza que tu me dás à espera da condicionalidade toda que daí advém. Tu sabes muito mais que eu. Soubeste-o muito antes de mim. Os cheiros ficaram na memória e agora é só o amor que nos segura. Tu sabes muito mais que eu. Soubeste-o muito antes de mim mas eu continuo a perder a conta à quantidade de vezes que o disse. 

The mother of my mother was my mother too:

Your crazy son, the stylish one 
The pretty woman, she's my mum 
And now the news, don't feel shame
My dear daughter has your name

That god damn bitch of life she made me cry:

Contar até três não chega. Fecho os olhos e volto a abrir. Estamos a pensar no mesmo, é maior que nós porque programaram-nos para ter outro destino qualquer. Não percebemos de finais felizes e o amor tropeça-nos por isso, fechamos os olhos, contamos até três e pedimos mais. Tantas vezes quantas as razões que nos faltam. Perdemo-nos no caminho e deixamos para trás tudo o que não foi repensado. Conto até três, penso duas vezes. Outra vez. Tantas vezes quantas as razões que tenho. Tantas quantas as coisas que não posso escolher. E no fim, deixamo-nos ir porque um dia soubemos tomar conta de nós. Deixamo-nos ir porque o verbo consente tudo. Deixa-me ir porque os vícios desprendem-se do corpo.

Recados perdidos:

Ver-te foi saber que uma partida não foi suficiente e que um regresso não chega.

Let's grow old together & die at the same time:

Não somos tão bons quanto parecemos nem tão maus quanto pensam. Nunca havemos de ser o que os outros decidirem, nem tão pouco o que queremos ser. 

Primos:

Acabaste por ser um resto daquilo que ficou. Uma sobra boa de uma opção da minha vida. Somos os gestos que ficam por fazer e as palavras todas que falamos nas entrelinhas. És quem eu mais quero manter perto porque é agora que a vida começa. Estou aqui.

Beijos, pessoas especiais:

Julgar as atitudes à luz do que sabemos hoje é injusto. Ninguém saiu a ganhar: Eu desisti de mim e vocês desistiram de nós. Acobardámo-nos das nossas decisões porque tínhamos muito a perder e um orgulho difícil de engolir. Fomos o resultado de todas as nossas falhas, a soma dos abraços todos que acabaram por desvanecer-se no tempo. Uma conta difícil para quem deixou de contar os anos que foi feliz. Subtraímos tudo e vemos uma multiplicação de momentos que nos dão a certeza que injusto é julgarmos as nossas atitudes à luz do que sabemos hoje.

Há sempre um lado bom:

Os mimados têm noção de que sozinhos não vão a lado nenhum.

Não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero.

Por alguma razão, que eu desconheço, o mal terá sempre mais peso que o bem.

Tão bom pudesse o tempo parar:

Raramente tive noção de que estaria a ser tão feliz. Não fui avisada de que poderia sentir saudades e agora tenho um espaço por preencher com momentos e pessoas que já não se repetem. Isto de viver é mesmo fugaz e breve. Eu não penso nisso em dias pares nem impares mas são recordações que chegam em dias que não sei contar. São dias que aparecem sem eu estar à espera porque recebo uma mensagem e daqui a cinco minutos estou sentada num café com vontade de chorar por momentos que não fui avisada sobre as saudades que poderia sentir e ainda assim sinto-as todas ao mesmo tempo, como se estivessem a cobrar-me hoje todas as saudades que não fui sentido. É injusto. Tenho mais saudades que ontem ou amanhã, é um dia que não sei contar, nem par nem impar. Percebi que há pessoas que sentem saudades todos os dias e que vivem embrulhadas nisso, a olhar para as coisas que fizeram e que eu estou no meio das memórias dessas pessoas. Respiro fundo, não quero chorar enquanto sentir nos teus olhos que também foste feliz, apesar das saudades.

Podendo parecer um paradoxo, não é:

Sou anti-praxe mas sou contra o fim da praxe.

O curso de medicina - Falsas premissas:

O curso de medicina não é mais difícil que os outros.
O curso de medicina não exige mais aos alunos do que os outros.
Os alunos de medicina não são mais inteligentes do que os outros.

O curso de medicina é frequentado por pessoas conas (porque não encontro uma palavra melhor).

Mais uma vez: As pessoas deviam propor-se a fazer apenas aquilo em que são realmente boas

Não sou das que diz que o jornalismo em Portugal é uma vergonha porque vergonhosos são alguns jornalistas. Exclua-se, portanto, o argumento de que sou contra o jornalismo. Fazer uma peça jornalística, é muito mais do que contar uma história porque o jornalismo foi feito para criar noticias (esqueçam os artigos de opinião e as crónicas, não é preciso sermos jornalistas para isso). Uma noticia não é uma história, não tem tantas versões quantas as pessoas que a narram. Uma noticia é uma coisa séria porque apresenta factos que não mudam consoante quem os conta. O jornalismo é transparente, vai ao fundo da questão e traz-nos o essencial. Poderá não ser imparcial porque toda a noticia gera uma reacção mas sendo imparcial, tem de continuar a ser transparente, sem sombra para dúvidas. Tem de resumir-se aos factos e ser aquilo que se espera que seja: informativo. Quanto mais informativo for o jornalismo, mais informado tem de ser o jornalista. Verdade seja dita, é uma coisa difícil e só os jornalistas realmente bons é que deveriam propor-se a faze-lo.

A Ivone e eu - Nível de amizade:

Falamos no imperativo uma para a outra.
Dizemos obrigada mas ainda assim não conseguimos pedir desculpa.

Ainda bem que odeias perder:

Não é por ser português porque nem gosto muito de nós. É por alimentar um sonho com trabalho, pela convicção forte do caminho que quer seguir, pela determinação em cada passo. Tenho muito respeito pelas pessoas que se tornam naquilo que querem ser porque é tão difícil termos vontade o tempo todo. É tão difícil querer muito e sempre a mesma coisa. Existem lesões, um cansaço que a satisfação às vezes não paga, uma adolescência vivida a meio gás e uma vida dedicada a um objectivo pouco provável porque um objectivo decidido aos 12 anos vem com a utopia e o risco inerentes à idade. Não é por ser português, juro! É a minha admiração pelas pessoas que não se perdem. Por aquele que aos 23 e aos 28 anos consegue ser o melhor do mundo naquilo que se propôs fazer quando tinha 12 anos. Por aquele que não tem medo de dizer que é o melhor quando é, verdadeiramente o melhor, mesmo que chore no momento de receber o prémio. A minha admiração é por aquele que aos 12 anos foi para Lisboa por um sonho e hoje continua a ser só um miúdo a querer jogar à bola.

Falcões:

Ontem falei de vocês.
Obrigada, pessoas especiais. Outra vez.

Coisas que pouca gente sabe:

Para Freud, uma pessoa histérica era alguém que assumia comportamentos de adulto mas estaria interditado do sexo. Aquelas pessoas que falam muito mas fazem pouco, 'tás a ver?

(Pseudo)intelectuais:

Gente que apoia a cultura por causa dos teatros e coisas chiques mas que não percebe o valor de uma novela.

Na primeira pessoa sou muito insensível:

Estou a cagar-me para o Walker. Para o Mandela. Para o Eusébio. 
E de caminho também posso vir a cagar-me para o Schumacher.
O mundo não acabou. Nascem e morrem milhares de pessoas por dia. 

Recados perdidos:

Eu disse-te que um dia poderia não estar aqui. É verdade, desapareci.

Falamos ao longe:

Há pessoas que não têm preço nem distância.
Ainda bem que existes. Ainda bem que ficas. Ainda bem que estás aqui.
A mão que te agarra é a minha mão.

Os meus rascunhos guardam os melhores momentos:

Acabei de ver a seleção feminina do Brasil a ser campeã mundial de andebol. Estamos em Dezembro de 2013 e ninguém acreditava que esta seleção pudesse vencer a Sérvia, que jogou em casa. Ainda estou a contar os anos que esperei para ver o Brasil a ser campeão do mundo. Foi o jogo mais importante da história do andebol brasileiro e, ao mesmo tempo, o melhor jogo de andebol que vi até hoje. Torci mais hoje pelo Brasil do que algum dia poderei torcer por Portugal em andebol porque esta equipa, mais do que qualquer outra, muito mais, merece. Para mim, já eram as melhores do mundo mesmo antes de serem e agora, continuam as melhores do mundo, depois de ninguém ter acreditado nelas. Vi jogar as melhores, da guarda redes até às pontas. Foi um jogo completo, com tudo. Um jogo que é raro ver-se jogar. Foi andebol ao mais alto nivel, com a classe toda que tem de ter. Foi o Brasil, a ser campeão, dez anos depois de eu ter posto os olhos nelas. Eu sou do tempo do Cristiano Ronaldo mas também sou do tempo em que vi a minha equipa a ser campeã do mundo quando já ninguém acreditava. Ainda bem que acreditei... que jogo!

O negócio da amizade é perverso:

As pessoas não querem a verdade, querem aquilo que estão à espera de ouvir.

No mundo que somos por dentro:

Vais ler tanta coisa. Vais achar que sabes tudo e que estás preparado para qualquer corrida. Hás-de ouvir mil histórias e encontrar a tua própria verdade. Hás-de ser um em mil mas nunca vais sentir-te mais um porque reduzirmo-nos é um erro demasiado grave para quem sabe tanto. O peito enche-se de ar e sonhos, engoles um ou outro orgulho porque a vida obrigam-nos a isso se quisermos avançar e pões os restos dos dias para trás das costas. Farás com que amanhã seja cada vez melhor, hás-de viver nessa ilusão e a utopia será a sombra que fica depois do amanhecer. E vais chegar ao fim com a serenidade que tu foste o melhor que conseguiste ser.

Amizade, uma espécie de definição:

Capacidade de estar com alguém mesmo quando queríamos estar noutro sítio qualquer

Tudo muda. Tudo parte. Tudo tem o seu avesso:

Não desejo nada de bom nem de mau relativamente ao ano novo. Eu sou assim nesta altura do ano.