Tão bom pudesse o tempo parar:

Raramente tive noção de que estaria a ser tão feliz. Não fui avisada de que poderia sentir saudades e agora tenho um espaço por preencher com momentos e pessoas que já não se repetem. Isto de viver é mesmo fugaz e breve. Eu não penso nisso em dias pares nem impares mas são recordações que chegam em dias que não sei contar. São dias que aparecem sem eu estar à espera porque recebo uma mensagem e daqui a cinco minutos estou sentada num café com vontade de chorar por momentos que não fui avisada sobre as saudades que poderia sentir e ainda assim sinto-as todas ao mesmo tempo, como se estivessem a cobrar-me hoje todas as saudades que não fui sentido. É injusto. Tenho mais saudades que ontem ou amanhã, é um dia que não sei contar, nem par nem impar. Percebi que há pessoas que sentem saudades todos os dias e que vivem embrulhadas nisso, a olhar para as coisas que fizeram e que eu estou no meio das memórias dessas pessoas. Respiro fundo, não quero chorar enquanto sentir nos teus olhos que também foste feliz, apesar das saudades.

Podendo parecer um paradoxo, não é:

Sou anti-praxe mas sou contra o fim da praxe.

A Ivone e eu - Nível de amizade:

Falamos no imperativo uma para a outra.
Dizemos obrigada mas ainda assim não conseguimos pedir desculpa.

Ainda bem que odeias perder:

Não é por ser português porque nem gosto muito de nós. É por alimentar um sonho com trabalho, pela convicção forte do caminho que quer seguir, pela determinação em cada passo. Tenho muito respeito pelas pessoas que se tornam naquilo que querem ser porque é tão difícil termos vontade o tempo todo. É tão difícil querer muito e sempre a mesma coisa. Existem lesões, um cansaço que a satisfação às vezes não paga, uma adolescência vivida a meio gás e uma vida dedicada a um objectivo pouco provável porque um objectivo decidido aos 12 anos vem com a utopia e o risco inerentes à idade. Não é por ser português, juro! É a minha admiração pelas pessoas que não se perdem. Por aquele que aos 23 e aos 28 anos consegue ser o melhor do mundo naquilo que se propôs fazer quando tinha 12 anos. Por aquele que não tem medo de dizer que é o melhor quando é, verdadeiramente o melhor, mesmo que chore no momento de receber o prémio. A minha admiração é por aquele que aos 12 anos foi para Lisboa por um sonho e hoje continua a ser só um miúdo a querer jogar à bola.

Falcões:

Ontem falei de vocês.
Obrigada, pessoas especiais. Outra vez.

(Pseudo)intelectuais:

Gente que apoia a cultura por causa dos teatros e coisas chiques mas que não percebe o valor de uma novela.

O negócio da amizade é perverso:

As pessoas não querem a verdade, querem aquilo que estão à espera de ouvir.

No mundo que somos por dentro:

Vais ler tanta coisa. Vais achar que sabes tudo e que estás preparado para qualquer corrida. Hás-de ouvir mil histórias e encontrar a tua própria verdade. Hás-de ser um em mil mas nunca vais sentir-te mais um porque reduzirmo-nos é um erro demasiado grave para quem sabe tanto. O peito enche-se de ar e sonhos, engoles um ou outro orgulho porque a vida obrigam-nos a isso se quisermos avançar e pões os restos dos dias para trás das costas. Farás com que amanhã seja cada vez melhor, hás-de viver nessa ilusão e a utopia será a sombra que fica depois do amanhecer. E vais chegar ao fim com a serenidade que tu foste o melhor que conseguiste ser.

Amizade, uma espécie de definição:

Capacidade de estar com alguém mesmo quando queríamos estar noutro sítio qualquer

Tudo muda. Tudo parte. Tudo tem o seu avesso:

Não desejo nada de bom nem de mau relativamente ao ano novo. Eu sou assim nesta altura do ano.