Saber que o infinito existe e ainda assim nunca chegar-se lá:

Quando for de noite e nós já formos velhos. Se o sol empurrar o tempo e o teu nome vier com sombras. O passado é rescrito e o futuro daqui a milésimos de segundo. A loucura da vida, o frenesim dos dias e um copo meio cheio. Não quero o que me dão e não dou o que é meu. Tenho medo de todos os adjectivos que usas depois de mim. Viver dentro de parêntesis é uma falácia enganadora, é o resto de coisa absolutamente nenhuma. Julgo o tempo e bebo para atrasar todos os momentos. Devoro tudo o que vier a partir daí. Estarás entre todos os desejos submissos e a amplitude de cada olhar. Desarmo-me e sou cruel. Sigo tudo o que vejo e silencio o mundo que fica a sós, comigo.
A meticulosa importância de concretizar cada verso de uma promessa. Desdobras-te para que o espaço chegue. O fosso entre o que se delineou e a realidade que se constata. Hoje não quero ser simples e, se um dia souber escrever sobre a falta que me fazes, terei de falar sobre a idiossincrasia de um laço perverso (que preservo). A clarividência, absoluta e indeterminada. Exceder a dose e intoxicar-te de verdade. A libido inequívoca que se precipita nos contornos impermeáveis da dor. A clemência que contaminou todas as utopias geradas. Parte de mim é o recomeço e instigo-me a rever todos os caminhos. E tu, a consequência das expectativas dissidentes, o desmoronar e o constrangimento que espoletas nos gestos de todos os dias. Tu, a consciência assolada de quem chora e sonha.
Encarcero as memórias e a vida deixa de ser um deslumbre confinado a dualidades opostas.

1 comentário:

  1. Eu pensava que já não existiam blogues assim mas fiquei agradavelmente surpreendida!

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