Aos mundos que chocam, partem e ficam. Tudo resta menos a nostalgia:

O começo é sempre assim; a chuva é agua mas parece diferente, as pessoas falam mas os sons distorcem-se. Aprende-se a respirar e olhamos o mundo com lentes das boas. Não há pó, o entusiasmo realça o cheiro a novo e a vida por onde se caminha é um elixir. 
Depois, lentamente, os sítios deixam de ser bem frequentados, os olhos que olham veem o reverso como lupas que maximizam as fissuras e detetam o erro. Os sonhos embrulham-se em planos, os planos transformam-se em utopias e a vida corre em abstrato até ao fim. 
Os dias continuam pequenos para tudo o que há a fazer, negas a possibilidade de este ser o momento no qual depende a tua vida. O tempo pos-se feio, logo agora que tu gostarias de começar a reconstruí-lo outra vez.
Hipotecam-se todas as dúvidas, da guerra também hão-de crescer flores. 
Quando nada resta e tudo sobra, o começo é assim.

1 comentário:

  1. Pela primeira vez fazes-me ter vergonha de escrever o url do meu blog de tao bem que escreves.
    Parabens pelas palavras!

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