Por baixo de cada coisa há um nome:

Teresa devia ter percebido porque é que a vida se suicidava todos os dias, da mesma maneira que pressentiu que um compromisso podia ser um sacrifício. Na falta de coragem, Teresa perdia o conforto de saber que todos os caminhos eram sem retorno e que, dali para a frente, todo o destino era uma montanha dificil de transpor. Respirar deixava de ser um ato involuntário, Teresa sabia-o. Teresa era dotada dessa consciência exacerbada, de uma resiliência quase inata e de um medo que a induzia à culpabilização. Eram as mãos que agarravam todas as coisas que Teresa não chegava a tocar mas os gestos estavam lá, à vista desarmada, nus de qualquer sentido. Teresa era ridícula de tão submissa, sozinha de tanta companhia, presa de liberdade. Teresa devia ter percebido porque é que o amor é aprendido todos os dias, da mesma maneira que intuiu que a paixão pode cegar qualquer compromisso. Teresa distraia-se da felicidade e, também por isso, odiava-se todos os dias. No deslumbre de cada promessa podem caber milhares de traições. Teresa condensava a culpa e o desejo,  o empenho de destruir tudo o que era seu. De tão ridícula ficou sozinha. De tão sozinha tornou-se presa. De tão submissa perdeu a liberdade. Teresa sentia-o, ainda que não o dissesse em voz alta, sabia-o. Teresa devia ter percebido que quando a vida se suicida todos os dias é porque estamos a fazer tudo aquilo que gostaríamos que fizessem por nós. Teresa sabia-o mas nunca o percebeu. 

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