O que se leva da vida é a vida que se leva:

A tristeza é como o frio: psicológica.
Porque o frio existe mas quando o sentimos temos de acelerar o passo.

Je ne suis pas Charlie - Abuso de expressão:

Se eu quisesse ser extremista, diria que a França tem liberdade até para insultar.

Je ne suis pas Charlie - Uma espécie de contradição:

Morreram doze pessoas, senhores. Doze! A sério que é por isto que o mundo se emociona?
Os americanos invadiram o Iraque, destruíram o Afeganistão. Os extremistas  continuam a matar pessoas o tempo todo, sobretudo muçulmanos e não vejo estas ondas de indignação.
Esta história parece o 11 de Setembro. Não vejo este empenho e esta tristeza quando outras pessoas entram noutros países a matar. Quando os jihadistas executaram pessoas no Iraque, não ouvi ninguém dizer "Somos Todos Iraquianos".

Je ne suis pas Charlie - Uma especie de contradição:

Pessoas que se sensibilizam porque a liberdade de expressão não foi respeitada mas que moderam os comentários do blog.

Je ne suis pas Charlie - Uma piada só é piada quando as duas partes acham graça:

Com a mesma força que não entendo o ato terrorista, também não entendo o desrespeito e a xenofobia do jornal. O atentado é condenável mas carece de interpretação.
A França é o país europeu com mais muçulmanos. São mais de 6 milhões. A mesma França que chegou a proibir que as miúdas usassem véu na escola. A mesma França que tem níveis alarmantes de racismo e xenofobia. A mesma França que tinha um jornal que contribuía massiva e obsessivamente para a diferença. Um jornal que provocava de forma obstinada e insistente o direito pela liberdade religiosa. 
O ato terrorista é exagerado mas não sei até que ponto é que não poderia ser evitável porque apesar de todas as liberdades, não devemos criar condições que levem fanáticos a cometerem acções reprováveis a todos os níveis. 
O ódio não se promove só com tiros e bombas. Bonecos e palavras podem fazer o mesmo porque piadas são um discurso e os discursos levam a acções. A liberdade de expressão não pode ser um caminho para o desrespeito e a sátira não pode esconder a má fé.
Eu não sou Charlie Hebdo porque não sou a favor que a imprensa publique irresponsavelmente. Não sou Charlie porque não concordo com a liberdade de expressão que dá o direito de gozar com uma religião. Não sou Charlie porque representa um humor que em nada beneficia a igualdade. Talvez não seja Charlie porque sou sensata demais para pôr vidas em risco, porque não gosto de ironizar as crenças dos outros. Ou então, é só porque não sei desenhar mas eu não sou Charlie Hebdo.
Que as pessoas possam viver num mundo onde não se cala uma opinião discordante com tiros mas também que não sejam humilhadas gratuitamente em prol do humor ou de uma liberdade que não contempla todos.