O amor é o que tu vês ao espelho:

Afoga a verdade e diz tudo o que quiseres ouvir. O amor vem da luta interior, ouviste? Caminha na terra batida mas procura a coragem de caminhar pela lama. Sobe pelas escadas, desce pelo elevador. Grita as vezes que forem precisas e aparece sempre que quiseres. Imagina tudo o que vai ser possível.  Mata o tempo em tua honra. O amor é perder a guerra mas ganhar a vida, ouviste?

Dia do pai (ou da mãe, tanto faz):

Existem coisas que não são mérito meu mas de quem me educa.

Dizem que a televisão portuguesa está cada vez pior:

A blogosfera é a minha casa dos segredos virtual.

Partir, aqui, para ficar:

O abandono pode ser o gesto mais complacente de termos por alguém. Há sonhos que nascem nas pessoas erradas ou vidas que se cruzam por engano. Até a bondade deve ser medida, com o peso que cada um pode carregar. No silêncio de cada abandono, há um tempo desabitado numa morada que se fez ilusão. Pode ser que um dia te faças homem e o teu passado não entoe dúvidas, talvez um dia tudo seja real e a vida seja um desenho perfeito das verdades incontornáveis. Um dia acordas e reparas que esta história é tua mas não foi escrita por ti e aprendes que saber inventar a felicidade é a melhor maneira de ser feliz.

Bez kontrolya:

Quando me perguntaram porque é que ia, não soube responder. Sabia apenas que tinha de ir e, só depois, quando cheguei a casa, é que me apercebi que a amizade é, acima de tudo, isto: Ir porque sim. Ir porque temos de ir. 
Não podemos não gostar de quem gosta de nós. Eu não podia faltar, tinha de ir. Apareci pelo convite mas fiquei pela amizade. A mesma que me tirou o pijama num domingo à noite. Fiquei porque também dependo da felicidade das pessoas que gostam de mim. 
Partilhei contigo a maior parte dos dias do ano durante tanto tempo mas só ontem descobri que o hábito de conviver contigo, tornou-se numa amizade. Depois, tudo ficou claro porque entendi que a frontalidade que às vezes me faz revirar os olhos é a mesma que me surpreende nos desabafos. Entendi que a teimosia que persiste em cada discussão é igual à teimosia de quem leva um objectivo até ao fim. Entendi que a forma mistura-se com o conteúdo mas, o que conta mesmo, é a força de quem acredita em si. 
Tu sopraste as velas e tudo ficou claro: Era domingo, eu tirei o pijama e estava ali, para ficar. 

Já 'tá. Já foi. Foi de morta:


A morte é uma saudade crónica. É a tristeza nos cuidados paliativos a longo prazo. Um diagnóstico inconclusivo. A morte é uma reabilitação modesta de um corredor que foi amputado a uma perna.
A morte, quando bem gerida,  torna a vida mais fácil porque os dias ficam simples e há no fim a tranquilidade que não nos permitimos ver antes disso. Foi a morte que me trouxe o impulso e fez-me virar a esquina sem ter medo do que está depois da curva. A morte não é uma puta, como tantos querem acreditar, é um comunista no poder a dar uma mão e a roubar com a outra e pode ser tão ambígua como a gestão de qualquer ministério portugues.
Foi a vida que me apresentou à liberdade mas foi a morte que me libertou. A ideia paradoxal de que a vida é uma sucessão de mortes, uma guerra sem precedentes com todos os feridos graves que ficam pelo caminho. A vida a ser a morte e, por isso, o seu antídoto.

Depois do dia da mulher, hoje voltou a ser o dia das pessoas:

O que mais gosto são as especificidades. São as diferenças que me levam a gostar tanto de homens e mulheres, é a essência do que é cada um. Muitas vezes, por trás de uma igualdade aclamada por uma mulher está uma condescendia escondida e é por isso que o dia das mulheres me assusta. Parecemos ávidas pelo poder e esta ambição (que pode ser tão traiçoeira) de chegarmos ao poder dos homens, em vez de criarmos um poder fundamentado em nós, pode acabar numa emboscada pela ânsia da igualdade. O caminho que o feminismo quer fazer é o o extremo oposto do machismo e isso tem tanto de incoerente como atemorizador. A luta é feita por pessoas que querem olhar de cima quando a verdadeira igualdade é hierarquicamente nivelada, com todas as desigualdades que a biologia determinou. Eu não quero uma igualdade que faça de mim um homem no lugar de um homem, tenho um trono só para mim.