Depois do dia da mulher, hoje voltou a ser o dia das pessoas:

O que mais gosto são as especificidades. São as diferenças que me levam a gostar tanto de homens e mulheres, é a essência do que é cada um. Muitas vezes, por trás de uma igualdade aclamada por uma mulher está uma condescendia escondida e é por isso que o dia das mulheres me assusta. Parecemos ávidas pelo poder e esta ambição (que pode ser tão traiçoeira) de chegarmos ao poder dos homens, em vez de criarmos um poder fundamentado em nós, pode acabar numa emboscada pela ânsia da igualdade. O caminho que o feminismo quer fazer é o o extremo oposto do machismo e isso tem tanto de incoerente como atemorizador. A luta é feita por pessoas que querem olhar de cima quando a verdadeira igualdade é hierarquicamente nivelada, com todas as desigualdades que a biologia determinou. Eu não quero uma igualdade que faça de mim um homem no lugar de um homem, tenho um trono só para mim.

9 comentários:

  1. Nao sei se percebi o que querias dizer mas acho que nestes assuntos devias falar de forma mais popular. Se conseguisses, acho que era melhor para toda a gente

    Ana Catarina

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    1. Em modo popular o texto ficaria qualquer coisa como:
      A Cristina consegue ser a Cristina sem imitar o Goucha. A Cristina consegue ter o espaço dela sem roubar o dele. Um e outro brilham sozinhos mas as audiências aumentam quando estão juntos.

      (vou considerar que com esse "toda a gente" querias dizer que é melhor para ti.)

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    2. O feminismo é precisamente a luta pela igualdade e não pela supremacia. Não é o extremo oposto do machismo porque este diz que o homem é "melhor" e o outro diz que o homem é "igual".
      Não nega diferenças, pelo contrário, celebra-as e respeita-as pela sua igualdade de direitos.
      Tal como os pretos também são iguais aos brancos apesar das suas diferenças biológicas.
      Em termos populares, é as "Cristinas" ganhar o mesmo salário que os "Gouchas". É também que os critérios de selecção sejam os mesmos para a função - será que a Cristina poderia ter 60 anos e o Goucha 37?
      É tanta coisa ainda que nada tem a ver com "roubar poder" ou "olhar de cima".
      As diferenças entre pessoas são mais do que bem vindas. As desigualdades não. E é por isso que luta o feminismo. É por essa "ânsia de igualdade" e graças à luta feminista que as mulheres foram conquistando o direito ao voto. É acima de tudo uma luta política e não de audiências.
      Devíamos estar muito gratas pela sua existência celebrada no dia da mulher, em vez de "assustadas" com a liberdade que nos permitiu atingir.

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    3. Anónima,

      Para clarificar as coisas e para que não se acrescente merda à merda natural que eu porventura possa dizer:

      Não defendo nenhum "ismo" porque semântica e praticamente é tudo igual.
      O que defendo é que haja direitos e deveres iguais para ambos os sexos quando deve haver porque, na minha opinião, nem sempre tem/pode/deve haver.

      O que o texto diz é que nós, mulheres, chegámos a um ponto em que já estamos a ridicularizar a luta que foi feita em prol de nós mesmas e isso é que me assusta porque parece que queremos continuar por aí adentro e agora já não nos basta ser iguais mas ser melhores. Já não nos bastam os mesmos direitos, agora andamos a lutar por privilégios, todos os dias, em todas as areas profissionais e sociais, para as gordas e para as magras, para as feias e para as bonitas, para as competentes e para as burras, para as novas e para as velhas porque sim, porque somos mulheres.

      Se me pudesses responder, ainda gostava de saber o que é que gostarias de ter igual aos homens enquanto mulher.

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    4. Olá B.
      Respondendo-te na minha situação de mulher portuguesa em que a legislação não discrimina:
      Gostaria de ter a mesma credibilidade, porque dependendo dos meios que frequentes tu sentes essa diferença.
      Gostaria de ter o mesmo salário - porque caso não seja tabelado à função publica, tende a ser bem diferente (e as médias assim o provam).

      E sim, infelizmente para uma mulher chegar a alguns lugares não basta ser igual, tem de ser melhor mesmo. E não devia ser assim. Não é para serem melhores que luta o feminismo, é para serem iguais.
      Porque é que há profissões virtualmente sem mulheres? É porque a sua biologia não o permite? Eu nunca viajei com uma mulher piloto por exemplo, mas conheço várias afastadas desse percurso por ser um meio extremamente machista. Se a diferença de pressão pela altitude fosse um factor então não teríamos hospedeiras.

      Portanto, discordo quando dizes que já atingimos a igualdade. Não atingimos. Podes ter F/M nos anúncios de emprego, mas a igualdade em muitos casos ainda só existe no papel.

      Mas, acima de tudo…os direitos conquistados nunca devem ser assumidos como dados adquiridos. A História já provou que muitas vezes existem retrocessos (vê a situação da mulher em muitos países hoje e há décadas atrás).
      Portanto o dia da mulher para mim é a celebração do que se conquistou (e que não nos devemos esquecer, bem pelo contrário!) e pelo muito que ainda há a conquistar pelo mundo fora. A Europa com todos os seus defeitos é (provavelmente) o melhor sitio deste planeta para se nascer mulher.

      Mas também fiquei curiosa:
      Em que circunstancias é que achas que os direitos/deveres não devam ser iguais para ambos os sexos? É que apenas me ocorre divergir em “direitos e deveres” nas questões da gravidez / aborto.

      P.S. Estás à vontade para acrescentar a “merda” que quiseres, nada como uma outra perspectiva para nos obrigar a repensar. :)

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  2. 1) A credibilidade é individual, não depende do género;
    2) Função pública e igualdade? Tens de perguntar às mulheres que alistam as forças militares, qual é a sensação de terem provas de acesso facilitadas comparativamente aos homens para desempenharem a mesma função pelo mesmo ordenado;
    3) As mulheres tendencialmente escolhem profissões com menos saída e fisicamente menos exigentes. A engenharia informática, por exemplo, praticamente não tem mulheres e eu não conheço nenhuma mulher pedreira ou eletricista. A maior parte das vezes é uma questão de estatísticas/probabilidades e não de preconceito.
    4) Tive na minha vida muitas oportunidades para ser descriminada por ser mulher, nunca fui. Nao dou nada por garantido, nem a vida mas poupo a minha histeria para outras guerras porque esta nao está em retrocesso. Quando se é bom, é-se bom e pronto.

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  3. 1) A credibilidade é uma percepção externa e não individual. Há muita gente credível e corrupta por esse mundo fora.
    Queres um exemplo básico? Veste-te formal e discursa perante uma plateia. Depois veste umas gangas rotas. Suponho que sejas sempre boa, mas duvido que te vejam igualmente credível nas duas situações. O mesmo se aplica a outros atributos.

    2) Curiosamente, estás a falar com uma minha cara. Aparte das provas físicas terem métricas distintas (que até posso discordar em certos casos) vem-me falar do facilitismo que tenho encontrado. Estou a precisar desse carinho (sou gaja, emotiva e frágil…e com tanto facilitismo tornei-me uma flor de estufa enjoada).

    3) Achas mesmo? Tradicionalmente dar cozinhas às meninas e tratores aos meninos não influencia?
    Ora portanto, quando não houver saída profissional para pilotos é que vamos encontrá-las todas à porta do desemprego, é isso? Resmas delas todas tolas para serem pilotos quando estes ganharem 500€.

    4) Vou assumir que tens razão e reduzir-me à minha histérica ignorância dos números. A estatística comprova que os homens ganham mais, lideram mais, têm menos desemprego, menos pobreza… Pronto, os melhores destacam-se já dizia o Darwin. E eles destacam-se!
    Convenceste-me. Voltamos a falar quando mudar de sexo. Porque umas raras afortunadas nascem tão boas como tu, as outras agarram as oportunidades para serem discriminadas.
    Vou ali uns dias à Arábia Saudita deleitar-me em discriminação da boa antes da cirurgia. É que o masoquismo é aditivo (e deve estar no cromossoma X).

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  4. 1) O argumento é merda porque vale para os dois sexos e isso não prova discriminação nenhuma em relação à mulher.
    2) Curiosamente, também estou num mundo predominantemente de homens. Dizes que não há facilitismos e eu acredito mas a questão é se há dificuldades apenas pelo facto de seres mulher.
    3) Claro que influencia mas, apenas em termos de gostos, não tem nada a ver com a discriminação de género. Um miúdo só por andar a brincar com carrinhos a infância toda é sinal que vai sentir-se um adulto com mais poder e discriminar mulheres? Poupa-me.
    4) Ler o Corão e entender o islamismo é bem capaz de ser mais eficaz do que qualquer mudança de sexo. Digo isto porque, como sabes, há coisas que não são uma questão de cromossomas.

    Não acho que precisemos de discutir mais o assunto. Tu com a tua opinião, eu com a minha. Eu, que podia sentir-me mais discriminada pelas mulheres por ter esta opinião, do que por qualquer situação com os homens que passaram na minha vida. Eu, que celebro todos os dias o facto de não consentir a discriminação porque, isso sim, é a verdadeira igualdade e defendo-a, dentro de mim.

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  5. B...

    "Cada um no seu quadrado".

    Obrigada.

    Dica teológica: Lê o Corão e compara-o com a Bíblia. Chegarás a conclusões interessantes.

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