Já 'tá. Já foi. Foi de morta:


A morte é uma saudade crónica. É a tristeza nos cuidados paliativos a longo prazo. Um diagnóstico inconclusivo. A morte é uma reabilitação modesta de um corredor que foi amputado a uma perna.
A morte, quando bem gerida,  torna a vida mais fácil porque os dias ficam simples e há no fim a tranquilidade que não nos permitimos ver antes disso. Foi a morte que me trouxe o impulso e fez-me virar a esquina sem ter medo do que está depois da curva. A morte não é uma puta, como tantos querem acreditar, é um comunista no poder a dar uma mão e a roubar com a outra e pode ser tão ambígua como a gestão de qualquer ministério portugues.
Foi a vida que me apresentou à liberdade mas foi a morte que me libertou. A ideia paradoxal de que a vida é uma sucessão de mortes, uma guerra sem precedentes com todos os feridos graves que ficam pelo caminho. A vida a ser a morte e, por isso, o seu antídoto.

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