Marta:

Marta é a memória que nao se perde e os fantasmas que me empresta. Marta é um dia devagar, como quem não quer chegar ao fim, uma tempestade solitária em alto mar. Chegar ao cume e querer descer. Marta, tu és o nome que não digo em voz alta com medo de esgotar. O universo a conspirar contra mim. Se deus existisse, Marta... Se deus existisse, saberia de cor as minhas saudades tuas. Saberia da dor que pressinto a chegar, a minha recusa persistente de fazer da tua ausência um habito. Marta, quantas vezes é que podemos dizer adeus? Eu faço-me de esperas mas não quero ir embora. A morte ganhou a tua cara, és tu, Marta, a assombrar a minha vida. Marta. Marta. Marta. O teu nome a ecoar em mim. A ebolição da sede de te ver. Conduzo os meus passos e abstenho a consciência da tua falta porque ainda há tanto caminho. Como é que me desprendo do que está morto? De ti, Marta? Tu que és o peso na minha voz que não quero suportar. Crucifico-me na angústia e o sangue deixa o meu rasto. Quero enterrar o passado mas o milagre a nascer és sempre tu, Marta.

2 comentários:

  1. deixaste-me com o coraçao apertado.
    um bejo

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  2. O sentimento mais bem contado da blogesfera.

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