Entre o céu e a terra:

Fizeram de ti outra pessoa e eu proibo-me de ter saudades de quem nunca conheci. Calo-me das mentiras e afasto-me de tudo o que magoa. Eu não sei regressar aos sítios onde fui feliz, ainda cheguei a pensar que que um dia seria mais fácil mas o esforço mora em todos os dias. Quando tenho saudades, é pela recordação de nos termos um ao outro, da maneira como usavas as minhas palavras a teu favor. Os segredos que guardo são vidros a cortarem-me as mãos. Evito constrangimentos, as paragens momentâneas de pensamento nos corredores do supermercado. Evito os rasgos no coração  e as lembranças de noites com sabor a martini. Gostava de desprender-me disto porque não há sensação melhor do que a consciência a aliviar-se de um peso mas tenho medo, tanto medo. Vendi-me a uma profecia barata que quis acreditar. Desculpa-me, eu não posso seguir-te.