Nunca o fim - se vivemos é para não matar:

Náo há nada que acabe. Viramos costas mas a vida continua. Se voltarmos, é para continuar. Não há recomeço nem fins. Nunca paramos, o tempo empurra-nos e força-nos a continuar. Nem a corrente do rio para, corre porque há essa força que subsiste. Para cada principio existem inumeras possibilidades mas nunca o fim. Não se matam memórias, não se apaziguam as saudades. A vida não se consome, é impossivel lutar com o tempo porque ele continua. Não se sepultam os corpos que nos abraçaram. Não há fim à vista para as viagens que começamos. Apesar de todos os apesares. Depois de todas as reviravoltas.  Durante os altos e baixos. Para lá de qualquer finalmente. A vida continua, sem promessas mas também sem nenhum fim traçado. Perduramos no tempo, seguimos viagem, extendemo-nos para alem de todas as circunstancias. Para cada inicio, uma estrada com infinitos caminhos. Só o tempo pode parar-nos e ele nunca acabe. Não te deixes morrer.

Sinto muito:

Queria dizer-te que sinto muito. Eu também me arrependo dos erros que jurei nunca cometer. Já caí nesses dias maus e de vez em quando ainda os sinto. Sinto muito. São as escolhas que nos decidem; as boas que nos devolvem a vida e as outras, que nos matam para nascermos outra vez. A felicidade não tem ciência nenhuma, é um caminho aberto para o futuro. Cada um sabe a força com que lhe rebenta o mar. Ve-lo não é o mesmo que estar lá dentro e todos sabemos que muitos enjoam.  E eu sinto muito. Sinto tudo. O passado que aprendi a não esquecer, o presente onde quero sempre estar e o futuro como meta de todas as utopias em que me deixo envolver. Queria dizer-te que sinto muito. Eu tambem sou feita de falhas, sei que o coração está exposto ao sangue, o ponto de partida e de chegada de todas as coisas mas ele bate para nos lembrar que estamos vivos.