Vou espalhar o boato:

Partimos de pressupostos. Assumimos o que não conseguimos ver. Guardamos todas as assunções. Vivemos em função de palpites. Assistimos a uma corrida mas só nos importamos com o fim, quem chega primeiro à meta. Nunca nos importamos como começou e quem ficou pelo caminho. Suspeitamos que sim, ouvimos dizer que sim porque nos disseram que sim. Conjeturamos a vida alheia e aceitamos esta presunção de sermos sempre um bocadinho melhores, de estarmos sempre um bocadinho mais à frente, mais perto da meta. Equacionamos os comportamentos dos outros com base nos nossos preconceitos. Admitimos uma verdade que é só nossa, que alguém nos contou. Imputamos responsabilidades e declaramos guerra, sempre adoramos lutar contra alguém que já vem cansado de outros combates. Olhamos de cima, rimos e anunciamos no facebook que ganhámos. Esquecemos o principio, condenamos o meio e esperamos o regozijo do fim. Suspeito que sim, ouvi dizer que sim, disseram-me que sim, que a vulnerabilidade se mostra em todas as investidas obsessivas que a nossa fragilidade não consegue aguentar por aqueles que têm de ganhar a qualquer preço. Diz que sim por isso, eu nunca duvidei. 

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